Hacker com auxílio de IA invade 600 firewalls Fortinet, alerta Amazon

Hacker com IA expõe a fragilidade de firewalls mal configurados e inaugura a era dos ataques cibernéticos automatizados.

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

A revelação feita por CJ Moses, CISO da Amazon, acendeu um sinal de alerta na comunidade de segurança. Segundo ele, uma campanha coordenada conseguiu comprometer cerca de 600 dispositivos FortiGate ao redor do mundo utilizando automação avançada e recursos de inteligência artificial. O caso expõe uma nova realidade, na qual um hacker com auxílio de IA atua como um verdadeiro multiplicador de força, acelerando ataques que antes exigiam grandes equipes e semanas de trabalho manual.

O mais preocupante não é apenas o número de dispositivos afetados, mas a estratégia adotada. Em vez de explorar vulnerabilidades inéditas ou falhas complexas, os atacantes exploraram interfaces de gerenciamento expostas à internet e credenciais fracas. A inteligência artificial entrou como catalisador, automatizando reconhecimento, exploração e movimentação lateral.

Para profissionais de TI, administradores Linux e especialistas em segurança, o recado é claro: a superfície de ataque tradicional ganhou um novo aliado, a automação orientada por modelos de linguagem.

Anatomia do ataque: O fim dos exploits complexos?

Ao contrário do imaginário popular, a campanha não dependeu de zero-days sofisticados. O foco foi muito mais pragmático. Interfaces administrativas dos dispositivos FortiGate estavam expostas publicamente, muitas vezes sem MFA ou com autenticação fraca.

A partir daí, o processo foi quase industrial.

Ferramentas de varredura identificaram painéis de login acessíveis. Técnicas de força bruta e tentativa de credenciais vazadas fizeram o resto. O uso de scanners como Nuclei ajudou a identificar configurações incorretas e serviços vulneráveis com rapidez impressionante.

O que muda no cenário é a escala. Um hacker com auxílio de IA consegue testar milhares de combinações, priorizar alvos com maior probabilidade de sucesso e ajustar estratégias em tempo real, tudo com auxílio de modelos generativos.

Isso marca uma transição importante. O ataque moderno não depende exclusivamente de exploração técnica sofisticada, mas da combinação entre má configuração e automação inteligente.

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O papel da inteligência artificial na automação do crime

A inteligência artificial foi usada como copiloto operacional. Scripts escritos em Python e Go eram ajustados dinamicamente com auxílio de modelos como Claude e DeepSeek, permitindo adaptar payloads e interpretar respostas de sistemas comprometidos.

O diferencial está na capacidade de interpretação contextual.

Após obter acesso inicial, o invasor alimentava o modelo com saídas de comandos, logs e estruturas de diretórios. O LLM analisava a topologia da rede, sugeria próximos passos e ajudava a identificar ativos críticos.

Esse fluxo transforma um operador mediano em um agente altamente eficiente.

Um hacker com IA pode:

  • Interpretar rapidamente estruturas de rede complexas
  • Identificar controladores de domínio e servidores de backup
  • Gerar comandos personalizados para cada ambiente
  • Automatizar a movimentação lateral com menor ruído

A IA não executa o ataque sozinha, mas reduz drasticamente o tempo entre invasão e impacto.

ARXON e Claude Code: A nova caixa de ferramentas hacker

Relatórios técnicos indicam o uso de um servidor MCP chamado ARXON, que atuava como ponte entre o operador e o modelo Claude. Esse ambiente permitia enviar resultados de comandos diretamente para o modelo, que retornava instruções refinadas.

Na prática, o invasor executava um comando no firewall comprometido, coletava a saída e alimentava o sistema. O modelo sugeria próximos comandos, estratégias de persistência e até técnicas de evasão.

Esse ciclo de feedback cria uma espécie de “assistente tático” para o invasor.

O termo Claude Code tem sido usado para descrever esse uso estruturado de LLMs como mecanismo de geração e ajuste de scripts em tempo real. O resultado é um nível de automação que aproxima o ataque de um processo semiautônomo.

Mais uma vez, o protagonista é o hacker com auxílio de IA, que não depende apenas de conhecimento prévio, mas de análise assistida por máquina.

Alvos e consequências: Do FortiGate ao backup da Veeam

Depois de comprometer o perímetro, o próximo alvo costuma ser previsível: sistemas de backup.

Ambientes com Veeam ou soluções similares são priorizados porque representam a última linha de defesa contra ransomware. Se o backup é destruído ou criptografado, a organização perde sua capacidade de recuperação rápida.

O fluxo típico observado inclui:

  1. Acesso inicial via interface exposta do FortiGate
  2. Coleta de credenciais internas
  3. Movimento lateral para servidores Windows e Linux
  4. Identificação e comprometimento de servidores de backup
  5. Preparação para implantação de ransomware

Esse encadeamento mostra maturidade operacional.

Ao eliminar backups antes da criptografia em massa, o atacante aumenta drasticamente a pressão por pagamento. E com o apoio de IA, esse mapeamento ocorre com mais rapidez e precisão.

Para empresas que acreditam estar protegidas apenas por firewall de próxima geração, o incidente reforça que configuração incorreta pode anular qualquer tecnologia avançada.

Como se proteger da nova onda de ataques automatizados

Diante de um cenário em que um hacker com auxílio de IA automatiza reconhecimento e exploração, a defesa também precisa evoluir. No entanto, medidas básicas continuam sendo extremamente eficazes.

Primeiro, nunca exponha interfaces administrativas de FortiGate ou qualquer outro equipamento diretamente à internet. Utilize VPN com autenticação forte e restrições de IP.

Segundo, habilite MFA obrigatoriamente para todas as contas administrativas.

Terceiro, mantenha firmware atualizado. Mesmo que o ataque descrito não dependa de zero-day, vulnerabilidades conhecidas continuam sendo exploradas em larga escala.

Outras práticas recomendadas incluem:

  • Segmentação de rede rigorosa
  • Monitoramento contínuo de logs
  • Desativação de serviços desnecessários
  • Uso de listas de controle de acesso restritivas
  • Backups offline e imutáveis

Backups imutáveis são especialmente importantes. Se o atacante comprometer o ambiente, cópias protegidas contra alteração podem ser a diferença entre recuperação rápida e desastre financeiro.

Além disso, ferramentas de detecção comportamental baseadas em IA começam a ganhar protagonismo. Se o ataque é automatizado, a defesa também precisa ser.

Conclusão: O futuro da defesa na era da IA generativa

O caso dos 600 firewalls comprometidos não é apenas mais um incidente de segurança. Ele simboliza uma mudança estrutural no cenário de ameaças.

O hacker com auxílio de IA representa uma evolução do modelo tradicional de ataque. A combinação entre interfaces expostas, credenciais fracas e automação inteligente cria um ambiente altamente favorável para campanhas globais.

A lição principal não é sobre tecnologia futurista, mas sobre fundamentos.

Configuração segura, autenticação forte e segmentação continuam sendo pilares essenciais. A diferença é que agora o tempo de resposta precisa ser menor, porque o tempo de ataque também foi reduzido.

Na era da IA generativa, a defesa não pode ser estática. Organizações precisam investir em automação defensiva, análise comportamental e resposta rápida a incidentes.

A inteligência artificial não é apenas ferramenta de ataque. Ela também pode e deve ser aliada da defesa.

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.