A Xiaomi nunca escondeu que observa de perto o que a Apple faz, mas com o HyperOS 3, baseado no Android 16, essa relação ganhou um novo capítulo e bem mais barulhento. Para muitos usuários, a nova interface representa o ápice da famosa “inspiração” chinesa, enquanto outros acusam a empresa de simplesmente copiar o visual do iOS 26. O fato é que a discussão está longe de ser superficial. O HyperOS 3 não apenas se parece com o sistema da Apple, ele também tenta disputar o mesmo território emocional: a sensação de produto premium, fluido e visualmente sofisticado, algo que sempre foi um dos maiores trunfos do iPhone.
No Brasil, onde a Xiaomi construiu uma base fiel justamente pelo custo-benefício, esse embate visual virou assunto inevitável. Afinal, será que estamos diante de uma cópia descarada ou de uma leitura estratégica do que funciona melhor em termos de design e usabilidade?
O efeito Liquid Glass e a estética translúcida
Um dos pontos mais comentados do HyperOS 3 é o chamado Liquid Glass, um conjunto de efeitos visuais que aposta pesado em desfoques, transparências e camadas que simulam vidro. Esse conceito lembra imediatamente a linguagem visual do iOS 26, especialmente em painéis de controle, notificações e menus rápidos. O fundo desfocado reage ao movimento, as animações são suaves e o sistema passa a impressão constante de profundidade.
No dia a dia, esse tipo de estética tem um impacto claro: o sistema parece mais caro do que realmente é. A Xiaomi sabe que, para muitos consumidores, a percepção visual pesa tanto quanto a ficha técnica. Ao adotar texturas translúcidas e efeitos de luz, a Interface da Xiaomi se aproxima do padrão que o público associa à Apple, criando um atalho psicológico para o “visual premium”.
Por outro lado, há diferenças importantes. No HyperOS 3, o nível de transparência pode ser ajustado, e alguns efeitos podem ser desativados para economizar bateria ou melhorar o desempenho em aparelhos mais simples. Essa flexibilidade, típica do Android 16 Xiaomi, é algo que a Apple não costuma oferecer com tanta liberdade.

HyperIsland: a evolução da Dynamic Island na Xiaomi
Se o Liquid Glass já chama atenção, a HyperIsland é o elemento que mais alimenta a comparação direta com a Dynamic Island do iPhone. A ideia é parecida: usar o espaço ao redor da câmera frontal para exibir informações dinâmicas, como músicas, chamadas, cronômetros e navegação. Visualmente, o déjà vu é imediato.
A diferença está na integração. A HyperIsland foi pensada desde o início para funcionar de forma nativa com o Android 16, o que permite uma interação mais aberta com aplicativos de terceiros. Desenvolvedores têm mais liberdade para adaptar seus apps, algo que pode fazer a função evoluir mais rápido do que sua equivalente no iOS 26.
Outro ponto relevante é que a Xiaomi não limita a experiência a modelos topo de linha. Mesmo aparelhos intermediários conseguem aproveitar parte dos recursos da HyperIsland, reforçando a estratégia da marca de democratizar funções que, na Apple, costumam ficar restritas aos modelos mais caros.
Ícones e biometria: onde o déjà vu aperta
É impossível ignorar a semelhança entre os ícones dos aplicativos nativos do HyperOS 3 e os do iOS 26. Bordas arredondadas, gradientes sutis e uma paleta de cores mais suave criam uma sensação de familiaridade quase imediata para quem já usou um iPhone. Para alguns, isso é conforto, para outros, falta de identidade própria.
A animação do desbloqueio facial também entra na lista de comparações. O Face Unlock da Xiaomi ganhou efeitos mais elaborados, com transições suaves e feedback visual semelhante ao da Apple. Não se trata apenas de estética, mas de uma tentativa clara de transmitir segurança e sofisticação, dois conceitos fortemente associados ao ecossistema iOS.
Mesmo assim, há nuances. A Xiaomi mantém alternativas como sensores de impressão digital sob a tela, com animações personalizáveis, algo que amplia a sensação de controle do usuário sobre a experiência.
Além da aparência: o que a Xiaomi oferece de diferente
Se a discussão parasse no visual, o iOS 26 vs HyperOS seria um debate simples. No entanto, a força da Xiaomi está justamente no que vai além da aparência. O HyperOS 3 se beneficia da natureza aberta do Android, permitindo personalizações profundas, launchers alternativos, widgets realmente funcionais e maior integração com dispositivos de diferentes marcas.
Outro diferencial importante é a Super Xiao Ai, a inteligência artificial da Xiaomi. Integrada ao sistema, ela atua em tarefas como organização de notificações, edição inteligente de fotos, sugestões contextuais e automações entre dispositivos. Em um ecossistema que inclui smartphones, tablets, TVs, relógios e até eletrodomésticos, essa IA ganha um papel central, algo que a Apple ainda limita bastante fora do iPhone.
Além disso, a Xiaomi aposta em atualizações mais amplas, alcançando modelos de várias faixas de preço. Isso fortalece a percepção de valor e cria um ecossistema mais inclusivo, especialmente em mercados emergentes como o brasileiro.
Conclusão: vale a pena a “experiência Apple” no Android?
No fim das contas, o HyperOS 3 representa uma jogada ousada da Xiaomi. Ao se aproximar visualmente do iOS 26, a marca mira diretamente no desejo de quem admira o design da Apple, mas não quer, ou não pode, pagar por ele. Para esse público, a proposta faz todo sentido.
Para usuários mais puristas, que buscam identidade visual única, a estratégia pode soar excessiva. Ainda assim, é difícil negar que a Xiaomi conseguiu elevar o nível de acabamento do seu sistema, entregando uma experiência mais coesa, moderna e competitiva.
O impacto no mercado é claro: a Apple continua sendo referência, mas já não reina sozinha no imaginário do “visual premium”. A Xiaomi mostra que é possível oferecer algo muito próximo, com mais liberdade, integração aberta e preços mais acessíveis. Se isso é inspiração ou cópia, o debate fica aberto, e provavelmente vai render muitos comentários.
