IA de saúde da Apple: mudança de rumo do Projeto Mulberry e futuro do iOS

Apple redefine sua estratégia em saúde digital e aposta em chatbot para o iOS

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

A Apple decidiu ajustar sua estratégia em saúde digital e inteligência artificial. O ambicioso Projeto Mulberry, que previa um assistente de saúde com IA generativa capaz de analisar dados do Apple Watch e sugerir ações personalizadas, foi fortemente reduzido. A mudança coincide com a saída de executivos-chave e a recente reestruturação interna sob o comando de Eddy Cue, que agora lidera o novo foco da empresa em um chatbot de bem-estar integrado ao iOS. O recuo evidencia o desafio da Apple em equilibrar inovação, segurança e competição no mercado de saúde digital.

O que era o Projeto Mulberry e por que ele mudou

O Projeto Mulberry surgiu como uma iniciativa ambiciosa para criar um assistente de saúde digital que integrasse informações do Apple Watch, histórico médico e recomendações personalizadas baseadas em IA generativa. A proposta incluía vídeos educativos interativos, alertas de saúde e insights sobre hábitos, tudo gerenciado por um estúdio próprio em Oakland. O objetivo era diferenciar a Apple de concorrentes e consolidar seu ecossistema em saúde digital.

No entanto, diversos fatores contribuíram para a mudança de rumo. A complexidade técnica, as exigências regulatórias de privacidade de dados e a necessidade de resultados rápidos colocaram pressão sobre o projeto. A saída de especialistas em IA, incluindo John Giannandrea, e as críticas internas sobre a viabilidade do assistente levaram a Apple a repensar prioridades, concentrando esforços em soluções mais imediatas e escaláveis.

A reestruturação da liderança: de Jeff Williams a Craig Federighi

O recuo do Projeto Mulberry coincide com uma reestruturação significativa na liderança. Jeff Williams, tradicionalmente responsável pelas iniciativas de saúde da Apple, passou a dividir responsabilidades com Craig Federighi, trazendo a IA para mais perto da engenharia de software. Eddy Cue assume agora o papel de coordenar a integração do novo chatbot de bem-estar ao ecossistema do iOS.

Essa mudança reflete uma estratégia mais conservadora: em vez de apostar em um assistente de saúde totalmente independente, a Apple pretende aproveitar sua base existente de dispositivos e serviços para oferecer insights de saúde de forma gradual. A realocação de talentos e a simplificação do escopo indicam uma tentativa de acelerar resultados sem comprometer a segurança ou a experiência do usuário.

Apple Saúde
Imagem: 9to5Mac

Pressão do mercado: Oura, Whoop e o desafio da Apple

A Apple enfrenta forte concorrência de empresas especializadas em saúde digital, como Oura e Whoop, que oferecem monitoramento avançado de sono, recuperação física e métricas de bem-estar com base em sensores portáteis. Enquanto esses players entregam insights detalhados de forma ágil, a Apple ainda depende de dados do Apple Watch, com limitações na frequência e diversidade de métricas.

O desafio está em oferecer algo que combine confiabilidade, inovação e integração com o ecossistema iOS, mantendo a reputação da Apple em privacidade e segurança. A percepção de estar atrás da concorrência direta contribuiu para a decisão de reduzir o escopo do Projeto Mulberry e apostar em soluções mais modulares, como o chatbot de bem-estar.

O futuro: World Knowledge Answers e o chatbot de bem-estar

O foco atual da Apple é desenvolver o World Knowledge Answers, uma tecnologia de IA generativa que funcionará como um chatbot no iOS. Diferente do Projeto Mulberry, o objetivo não é substituir profissionais de saúde, mas fornecer informações contextualizadas e personalizadas sobre bem-estar, hábitos e métricas de saúde coletadas pelo Apple Watch.

A integração dessa tecnologia ao iOS 26 e iOS 27 promete respostas mais rápidas, interações naturais em linguagem humana e recomendações baseadas em dados históricos do usuário. A Apple pretende que o recurso rivalize com o Google Gemini e outros assistentes inteligentes, ao mesmo tempo em que mantém padrões rígidos de privacidade de dados, oferecendo segurança e confiabilidade aos usuários.

Conclusão: a Apple está a jogar pelo seguro ou a recuperar o tempo perdido?

A redução do Projeto Mulberry e a aposta no chatbot de bem-estar refletem uma estratégia de consolidação e segurança. A Apple opta por evoluir gradualmente no mercado de IA de saúde, aprendendo com a concorrência e minimizando riscos regulatórios. Para usuários e desenvolvedores, isso significa que as futuras versões do iOS continuarão a trazer inovações em saúde digital, mas de forma mais controlada e integrada ao ecossistema.

A questão que permanece é se a Apple conseguirá recuperar o tempo perdido frente a concorrentes especializados e manter sua posição de liderança em tecnologia vestível e saúde digital. Compartilhe sua opinião sobre o uso de IA na saúde e como você espera que o iOS evolua nos próximos anos.

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