Infinity Stealer: novo malware ataca macOS com técnica ClickFix

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

Novo malware Infinity Stealer usa truque no Terminal para invadir Macs

O mito de que o macOS é imune a ameaças digitais está cada vez mais distante da realidade. O surgimento do Infinity Stealer reforça que até mesmo usuários da Apple precisam adotar uma postura ativa de segurança diante de ataques modernos e altamente sofisticados.

Nesta nova campanha, pesquisadores identificaram uma combinação perigosa de engenharia social avançada, uso do compilador Nuitka e uma técnica chamada ClickFix, que engana usuários a executarem comandos maliciosos manualmente. O resultado é um malware difícil de detectar e extremamente eficiente na coleta de dados sensíveis.

O caso foi analisado por especialistas em segurança que destacaram a inovação dessa ameaça, especialmente por unir scripts em Python com compilação nativa e estratégias psicológicas para burlar a cautela do usuário.

O que é o Infinity Stealer e como ele infecta o Mac

O Infinity Stealer é um malware projetado para roubo de informações em sistemas macOS, com foco em credenciais, carteiras digitais e dados sensíveis armazenados localmente.

A infecção começa com uma isca aparentemente legítima. O usuário é levado a acessar um domínio malicioso, como update-check[.]com, que simula uma verificação de segurança. A página apresenta um falso CAPTCHA, imitando serviços confiáveis, como verificações de proteção contra bots.

Esse tipo de abordagem aumenta a credibilidade do golpe e reduz a suspeita inicial da vítima.

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O perigo de colar comandos no Terminal

O ponto mais crítico da infecção está na técnica ClickFix, que instrui o usuário a copiar e colar um comando no Terminal para “completar a verificação”.

Esse comando geralmente envolve o uso de curl, mascarado com codificação Base64, dificultando a leitura direta. Ao ser executado, ele baixa e inicia o payload do Infinity Stealer no sistema.

Essa abordagem é especialmente perigosa porque:

  • Contorna proteções tradicionais do sistema
  • Depende da ação consciente do usuário
  • Evita downloads diretos detectáveis por navegadores

Na prática, o usuário executa o malware por conta própria, acreditando estar realizando uma ação legítima.

A tecnologia por trás da evasão: Por que o Nuitka é um problema?

Um dos aspectos mais sofisticados do Infinity Stealer é o uso do Nuitka, um compilador que transforma código Python em binários nativos em C.

Isso representa uma evolução significativa em relação a ferramentas como o PyInstaller, que apenas empacota o código Python em bytecode.

Principais diferenças:

  • Nuitka: compila para código nativo, tornando a análise muito mais difícil
  • PyInstaller: mantém o bytecode, mais fácil de reverter

Com o Nuitka, o malware ganha vantagens importantes:

  • Maior resistência à engenharia reversa
  • Menor detecção por antivírus tradicionais
  • Execução mais eficiente e discreta

Isso eleva o nível da ameaça, aproximando-a de malwares profissionais utilizados em campanhas direcionadas.

O que o malware consegue roubar?

Uma vez ativo, o Infinity Stealer inicia a coleta de dados sensíveis do sistema. Seu foco é amplo e preocupante.

Entre os principais alvos estão:

  • Credenciais de navegadores como Chrome e Firefox
  • Dados armazenados no Keychain do macOS
  • Carteiras de criptomoedas
  • Arquivos de configuração, como .env
  • Informações de sessão e cookies

Após a coleta, os dados são enviados para servidores de comando e controle (C2). Em alguns casos, a exfiltração também pode ocorrer via Telegram, facilitando a operação dos atacantes e dificultando o rastreamento.

Esse tipo de roubo pode resultar em:

  • Acesso a contas pessoais e corporativas
  • Perda financeira direta
  • Comprometimento de infraestrutura de desenvolvimento

Como se proteger desta nova ameaça

Diante da sofisticação do Infinity Stealer, a prevenção depende principalmente do comportamento do usuário aliado a boas práticas de segurança.

Algumas medidas essenciais incluem:

  • Nunca colar comandos no Terminal sem entender exatamente o que fazem
  • Desconfiar de verificações manuais incomuns em sites
  • Evitar downloads ou interações fora de fontes oficiais
  • Manter o macOS e softwares sempre atualizados
  • Utilizar soluções de segurança confiáveis

Além disso, é fundamental adotar uma mentalidade crítica diante de qualquer solicitação inesperada, especialmente aquelas que envolvem ações técnicas fora do padrão.

A técnica ClickFix mostra que os ataques modernos não dependem apenas de falhas técnicas, mas também da manipulação do comportamento humano.

Por isso, compartilhar esse tipo de alerta é essencial. Quanto mais usuários estiverem informados, menor será a eficácia dessas campanhas.

Se você utiliza macOS ou trabalha com tecnologia, considere divulgar este conteúdo e acompanhar atualizações frequentes sobre segurança digital. Informação continua sendo a melhor defesa.

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.

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