JPEG XL: o formato que pode substituir JPEG, PNG e GIF

O formato de imagem que promete redefinir desempenho, qualidade e eficiência na web moderna.

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

O JPEG XL nasceu para ser o sucessor moderno dos formatos de imagem que dominam a internet há décadas. Ele chega para resolver limitações técnicas que persistem desde os dias do JPEG clássico, oferecendo compressão eficiente, suporte a transparência e animação, e uma base aberta para desenvolvedores e profissionais de tecnologia. Com o apoio de empresas como Google e Cloudinary, além de uma comunidade ativa que valoriza padrões abertos, o JPEG XL está conquistando espaço em um ecossistema onde formatos como AVIF e HEIC já tentaram levar a melhor.

Neste artigo para o site SempreUpdate vamos explorar a fundo as vantagens técnicas do JPEG XL, a polêmica decisão do Google em remover e depois reintegrar o suporte no Google Chrome, e por que este formato pode, finalmente, substituir JPEG, PNG e GIF no futuro próximo, oferecendo respostas claras para entusiastas de Linux, administradores de sistemas, fotógrafos digitais e usuários focados em otimização de espaço e desempenho na web.

A mágica da compressão sem perdas

Uma das características mais impressionantes do JPEG XL é sua capacidade de reduzir imagens JPEG existentes em até 50% sem perder um único bit de dados, graças ao que é chamado de lossless transcoder. Esse recurso permite que imagens JPEG comuns sejam convertidas para o novo formato e otimizadas sem qualquer degradação visual, algo que formatos anteriores não conseguiam fazer diretamente. Essa redução drástica no tamanho de arquivo tem impacto direto no desempenho de sites e aplicativos, acelerando carregamentos e reduzindo consumo de banda.

O segredo por trás dessa eficiência está em uma combinação de novos algoritmos de compressão e processamento mais inteligente das características visuais das imagens. Enquanto o JPEG tradicional usa blocos de 8×8 pixels e quantização fixa, o JPEG XL utiliza técnicas adaptativas que capturam a redundância visual de forma muito mais eficaz. Isso significa que áreas suaves da imagem podem ser compactadas agressivamente sem artefatos visuais, enquanto detalhes importantes são preservados com precisão.

Além da compressão sem perdas, o JPEG XL também oferece compressão com perda (lossy) que supera a qualidade visual de formatos modernos como AVIF em muitos cenários, especialmente em fotografias complexas. A vantagem disso é direta: sites podem entregar imagens mais leves sem sacrificar a experiência do usuário. Para quem gerencia infraestrutura web ou desenvolve aplicações, isso se traduz em menor uso de armazenamento, custos de CDN reduzidos e páginas mais rápidas, fatores que impactam diretamente métricas de engajamento e SEO.

Imagem: Blogemania
Imagem: Blogemania

Um formato para substituir todos

O JPEG XL foi projetado desde o início para ser um formato universal, capaz de substituir não apenas o JPEG tradicional, mas também PNG e GIF, algo que nenhum outro formato conseguiu fazer de forma tão abrangente e eficiente.

Suporte à transparência e animação

Uma das grandes limitações do JPEG clássico é a falta de suporte à transparência. O PNG se tornou o padrão para imagens com canal alfa, mas seus arquivos tendem a ser maiores, o que pode prejudicar o desempenho em aplicações web. O JPEG XL incorpora suporte nativo a transparência com compressão eficiente, oferecendo arquivos significativamente menores que PNG em muitos casos, sem perda visível de qualidade.

Além disso, o JPEG XL também lida com animações de forma nativa, uma área tradicionalmente dominada pelo GIF. Embora GIF seja amplamente suportado, ele é extremamente ineficiente em termos de compressão, resultando em arquivos grandes para animações simples. O JPEG XL combina compressão eficiente com suporte a múltiplos quadros, permitindo animações muito mais leves e visualmente superiores. Isso traz uma vantagem clara para desenvolvedores e designers que precisam entregar conteúdo dinâmico sem sacrificar o desempenho.

Compatibilidade com JPEG existente

A capacidade de transcoder JPEG para JPEG XL de forma lossless também reduz uma barreira histórica para adoção de novos formatos: a necessidade de retrabalho manual de imagens. Em vez de reprocessar todo um acervo de fotografias ou ativos visuais, equipes podem converter imagens existentes diretamente para JPEG XL, mantendo a qualidade original e ganhando eficiência de armazenamento.

Para fotógrafos e profissionais de imagem, isso significa que arquivos de alta resolução podem ser arquivados de forma mais eficiente, com menor uso de espaço em discos ou na nuvem, sem qualquer impacto na qualidade. Isso não apenas melhora fluxos de trabalho existentes, mas torna o JPEG XL uma solução atraente para gestores de dados e equipes de TI que lidam com grandes volumes de conteúdo visual.

JPEG XL vs. AVIF e HEIC

Quando comparamos JPEG XL com formatos concorrentes como AVIF e HEIC, fica claro que cada um tem seus pontos fortes, mas o JPEG XL se destaca por um conjunto equilibrado de vantagens, especialmente para quem busca padrão aberto, desempenho e flexibilidade.

Em termos de compressão com perda, AVIF costuma oferecer resultados excelentes, especialmente em imagens com gradientes suaves e detalhes finos. No entanto, a codificação AVIF pode ser lenta e exigir mais recursos computacionais, o que impacta fluxos de trabalho em servidores ou dispositivos com hardware limitado. Já o HEIC (baseado em HEVC) oferece boa compressão, mas seu uso é muitas vezes limitado por questões de licenciamento de patentes, o que cria barreiras para adoção em softwares livres ou projetos de código aberto.

O JPEG XL equilibra performance, eficiência e abertura. Sua codificação e decodificação são projetadas para ser rápidas e leves, facilitando uso em dispositivos móveis e servidores. Além disso, o formato foi desenvolvido com atenção à simplicidade e à extensão das funcionalidades, suportando tanto compressão com perda quanto sem perda, transparência e animação em um único padrão.

Outro ponto importante é o ecossistema de ferramentas e bibliotecas disponíveis. Enquanto AVIF e HEIC dependem de implementações específicas e codecs que podem variar em suporte, o JPEG XL ganhou atenção de projetos como Cloudinary e comunidades de desenvolvedores, o que acelera a criação de suporte nativo em ferramentas de edição, visualização e servidores de imagens.

A política por trás dos pixels

A adoção de novos formatos de imagem na web não é apenas uma questão técnica, ela também envolve decisões estratégicas e políticas por parte de grandes plataformas. Um exemplo recente disso foi a polêmica em torno do suporte ao JPEG XL no Google Chrome, navegador que detém grande fatia do mercado.

Inicialmente, o suporte ao JPEG XL foi anunciado como parte de uma estratégia para modernizar a web e oferecer aos desenvolvedores opções mais eficientes para entrega de conteúdo visual. No entanto, o formato foi removido das versões estáveis do Chrome após preocupações relacionadas à segurança e complexidade de implementação do decodificador original. Esse tipo de retrocesso pode desacelerar a adoção de novos padrões, especialmente quando envolvem players com grande influência no ecossistema.

A reintegração do suporte ao JPEG XL no Google Chrome aconteceu depois que o decodificador foi reescrito usando a linguagem Rust, conhecida por suas garantias de segurança de memória e robustez contra vulnerabilidades comuns, como estouros de buffer. A escolha por Rust não foi aleatória: trata-se de uma linguagem moderna que evita classes inteiras de erros em tempo de execução, um fator crucial quando se trata de lidar com formatos binários complexos como os de imagem. A mudança reduziu os riscos de segurança e convenceu os mantenedores do Chromium de que era seguro trazer o suporte de volta.

Essa história ilustra como decisões de engenharia e escolhas de linguagem podem impactar diretamente a evolução de padrões abertos na web. Para administradores de sistemas e desenvolvedores, é um exemplo claro de como o cuidado com segurança e desempenho é essencial para que novas tecnologias ganhem espaço em ambientes críticos.

Conclusão

O JPEG XL representa um passo significativo na evolução dos formatos de imagem, reunindo em um único padrão recursos que antes eram distribuídos entre vários formatos distintos. Sua capacidade de oferecer compressão eficiente, suporte a transparência e animação, além da compatibilidade com ativos existentes, o tornam uma opção extremamente atraente para quem busca desempenho, economia de espaço e flexibilidade técnica.

Para usuários finais, isso se traduz em sites mais rápidos, consumo de dados reduzido e uma experiência visual mais consistente. Para profissionais de tecnologia, especialmente em ambientes Linux, servidores e fluxos de desenvolvimento de imagem, o JPEG XL oferece uma solução que combina eficiência e modernidade sem abrir mão de um padrão aberto e colaborativo.

O impacto para a web como um todo pode ser profundo, especialmente se adotado de forma ampla em navegadores, editores de imagem e servidores. A reintegração do suporte no Google Chrome, após a adoção de práticas de engenharia mais seguras com Rust, é um sinal claro de que o formato veio para ficar e que problemas iniciais podem ser superados quando há compromisso com qualidade e segurança.

No fim, a adoção de formatos modernos como o JPEG XL depende da comunidade, das ferramentas que nós usamos e da vontade de migrar para padrões que entreguem mais com menos recursos. Com seus benefícios técnicos e uma base sólida de apoio, o JPEG XL tem todos os ingredientes para ser o novo padrão de imagens na web.

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