Kernel Linux 7.0-rc1 lançado: Linus Torvalds explica o salto histórico e a expansão do Rust

A nova era do Kernel começa com mais segurança e performance em servidores!

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
  • A transição para a série 7 resolve a numeração excessiva, consolidando milhares de patches e drivers em uma base estável.
  • O sistema ganha menor latência de rede com filtros BPF nativos no io_uring e melhor gerenciamento de energia em CPUs modernas.
  • Linus Torvalds coordenou o fechamento da janela de merge, com destaque para a expansão do código em Rust liderada por Miguel Ojeda.
  • O ciclo introduz avanços no escalonamento (sched_ext), permitindo controle granular de processos pesados via eBPF.
  • O Kernel Linux 7.0-rc1 já está disponível para testes, com a versão final estável prevista para chegar entre abril e maio.

Linus Torvalds anunciou oficialmente o fechamento da janela de merge e o lançamento do Kernel Linux 7.0-rc1. A mudança do número principal de versão, saindo da série 6.x para a 7.0, não indica uma quebra de compatibilidade, mas consolida um ciclo massivo de atualizações. O log de integração revela centenas de pull requests que trazem desde a expansão da linguagem Rust no sistema de arquivos até novos recursos de escalonamento com eBPF, preparando a base tecnológica para os próximos anos.

Como acompanhamos anteriormente aqui no SempreUpdate quando o Kernel 7.0 foi inicialmente confirmado, essa transição amigável da série 6.x reflete o pragmatismo histórico do mantenedor, que prefere iniciar um novo ciclo a lidar com números de versão minoritária excessivamente longos e difíceis de memorizar.

O que isso significa na prática

Para o usuário comum e o administrador de sistemas, o salto para o número 7 não muda a forma como o sistema é operado de um dia para o outro. Historicamente, a numeração muda apenas para evitar que a versão minoritária fique longa demais. No entanto, o volume de código integrado nesta janela é gigantesco. Na prática, a atualização entrega um sistema mais seguro com o uso de novas linguagens, respostas mais rápidas para servidores de alta carga e compatibilidade imediata com as próximas gerações de processadores, redes e placas de vídeo.

Detalhes da implementação da nova versão

O log detalhado publicado por Torvalds mostra que os dois terços tradicionais de código focados em drivers vieram acompanhados de mudanças estruturais profundas no núcleo do sistema. A lista de integrações destaca frentes de desenvolvimento vitais aprovadas para o Kernel Linux 7.0-rc1:

  • Expansão do Rust no núcleo: Miguel Ojeda enviou atualizações para a infraestrutura da linguagem, mas o grande marco é a expansão para outros subsistemas. Christian Brauner integrou atualizações específicas do VFS (Virtual File System) para Rust, indicando que a linguagem ganha espaço no gerenciamento seguro de arquivos.
  • Escalonamento extensível (sched_ext): Tejun Heo liderou integrações para o subsistema sched_ext e cgroups. O recurso permite que desenvolvedores criem escalonadores de CPU personalizados via eBPF, mudando a forma como servidores otimizam processos pesados sem alterar o código base do sistema.
  • Desempenho de rede e I/O: Jens Axboe introduziu filtros BPF nativos no io_uring, além de suporte para grandes buffers de recepção. O impacto direto é a redução drástica de latência em bancos de dados e servidores web.
  • Suporte ampliado a arquiteturas: Além das otimizações severas para a arquitetura x86 lideradas por Borislav Petkov (incluindo atualizações de microcódigo e recursos de virtualização SEV), o patch revela integrações amplas para arquiteturas emergentes, como RISC-V (Paul Walmsley), LoongArch (Huacai Chen) e ARM64 (Will Deacon).
  • Eficiência energética: Rafael J. Wysocki enviou múltiplos pacotes focados em ACPI, gerenciamento de energia e controle térmico, essenciais para prolongar a bateria de dispositivos portáteis e reduzir o custo energético de data centers.

Curiosidades e bastidores da discussão

A mensagem de anúncio na lista de discussão manteve o humor característico do criador do projeto. Torvalds justificou a mudança para o número 7.0 afirmando que fica “facilmente confuso e não é bom com números grandes”. A alteração obedece à sua antipatia por versões longas, resultando em um salto de numeração principal a cada três anos e meio.

O clima da janela de merge foi surpreendentemente tranquilo, apesar do volume colossal de código listado. Torvalds definiu o período como suave por não ter precisado realizar testes de regressão (bisect) para investigar falhas críticas de inicialização em suas próprias máquinas. Ele chegou a brincar com a comunidade, dizendo que os desenvolvedores deveriam “largar tudo e correr para seus computadores” para testar a nova compilação, mas logo recuou de forma sarcástica, sugerindo que um teste moderado após terminar de mastigar o almoço seria suficiente.

Quando isso chega no sistema estável

A versão 7.0-rc1 marca o início do período formal de testes e caça a bugs (Release Candidates), que tradicionalmente dura entre sete e oito semanas. Baseado no ciclo de desenvolvimento, a versão estável tem previsão de lançamento oficial entre o final de abril e o início de maio. Após esse marco, a atualização começará a aparecer nas distribuições de modelo rolling release (como Arch Linux e openSUSE Tumbleweed) em poucas semanas, chegando posteriormente às grandes atualizações de sistemas como Ubuntu e Fedora.

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Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre GNU/Linux, Software Livre e Código Aberto, dedica-se a descomplicar o universo tecnológico para entusiastas e profissionais. Seu foco é em notícias, tutoriais e análises aprofundadas, promovendo o conhecimento e a liberdade digital no Brasil.