Rastreamento remoto via tracefs chega ao Kernel Linux 7.0 para hipervisores pKVM

Novo suporte de rastreamento no Kernel Linux 7.0 expõe métricas de hipervisores pKVM!

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
  • O Kernel Linux 7.0 adiciona suporte inédito ao Tracefs para hipervisores pKVM na arquitetura ARM64.
  • Provedores de nuvem terão maior facilidade para analisar falhas e gargalos de performance no modo de virtualização isolada.
  • Patch enviado por Vincent Donnefort cria a interface trace_remote, integrando ring-buffers externos à árvore do sistema principal.
  • O novo simple_ring_buffer.c entrega uma gravação de logs ultraleve e de via única, ideal para ambientes de execução restritos.
  • A atualização chega ao Kernel Linux 7.0 após uma estratégia de ramificação complexa entre os mantenedores de KVM e Rastreamento.

O desenvolvedor Vincent Donnefort enviou a 12ª versão de uma robusta série de patches que introduz o suporte a rastreamento remoto (Tracefs) para o pKVM no Kernel Linux 7.0. O patch corrige a ausência de ferramentas de monitoramento dinâmico para o hipervisor em modo protegido na arquitetura ARM64. O ganho imediato é a capacidade de inspecionar eventos internos do hipervisor usando utilitários de trace já consagrados no espaço de usuário, como o trace-cmd e o Perfetto, possibilitando a análise precisa em busca de estabilidade e de ganho de performance em cargas de trabalho virtualizadas.

O que isso significa na prática

Hipervisores protegidos, como o pKVM (Protected KVM), operam como uma verdadeira caixa-preta para o sistema operacional hospedeiro. Isso garante a segurança militar das máquinas virtuais rodando nele, mas torna o trabalho de desenvolvedores e administradores de sistemas um pesadelo na hora de investigar falhas técnicas ou gargalos na execução.

A mudança impacta diretamente essa dinâmica ao criar um mecanismo de “rastreamento remoto”. O hipervisor agora consegue gravar um relatório contínuo de suas ações em uma área de memória dedicada e segura. O sistema principal atua apenas como um leitor desse relatório, traduzindo os dados para uma nova pasta chamada remotes/, acessível diretamente na já conhecida interface de rastreamento do sistema.

Detalhes da implementação

A arquitetura do recurso baseia-se na introdução do trace_remote, que conecta a interface do Tracefs a um buffer de anel (ring-buffer) gerenciado por uma entidade externa. Como o código tradicional de buffer de anel do sistema (ring_buffer.c) carrega muitas dependências para ser executado no nível hipervisor (EL2), Donnefort desenvolveu o simple_ring_buffer.c. Trata-se de uma implementação simplificada, focada apenas na escrita (write-only) e livre de dependências, ideal para ambientes de execução restritos.

O subsistema KVM no ARM64 passa a utilizar macros como HYP_EVENT() para declarar facilmente pontos de rastreamento em tempo real, incluindo o registro detalhado dos eventos de entrada e saída do hipervisor (hyp_enter e hyp_exit).

Recurso técnicoAntes do patchDepois do patch
Monitoramento do pKVMCaixa-preta inacessívelRastreamento remoto exposto via Tracefs
Infraestrutura de ring-bufferFocada no núcleo localSuporte a escritores remotos (hypervisor/firmware)
Interface exposta ao usuárioEstrutura centralizada localNova raiz remotes/hypervisor/ com nós de leitura
Carga no hipervisorIndisponívelNovo simple_ring_buffer.c leve e de escrita única

Curiosidades e bastidores da discussão

O nível de complexidade desta série, que afeta tanto o KVM quanto o núcleo de rastreamento, gerou um desafio logístico interessante na lista de discussão. Steven Rostedt, o principal mantenedor do subsistema de tracing, aprovou o código de sua área técnica, mas identificou que a mesclagem da funcionalidade causaria um enorme conflito entre a sua árvore de código e a árvore gerenciada pelo time do ARM/KVM.

Para solucionar o impasse técnico sem quebrar as compilações globais da linux-next, Rostedt propôs um acordo de sincronização: logo após o lançamento do segundo candidato de versão (-rc2), ele criará uma ramificação (branch) isolada na árvore de rastreamento. Os mantenedores do KVM então farão uso desse código base para aplicar a parte voltada ao ARM, unindo as pontas de forma limpa e coordenada.

Quando isso chega no meu PC?

Com a arquitetura aprovada pelos mantenedores de rastreamento e o plano de integração estruturado, os patches estão preparados para entrar na janela de mesclagem oficial do Kernel Linux 7.0. Uma vez que o Kernel Linux 7.0 seja estabilizado e distribuído, as distribuições voltadas para servidores ARM e provedores de nuvem que utilizam o isolamento pKVM poderão habilitar imediatamente essas novas camadas de visibilidade em suas infraestruturas.

Compartilhe este artigo
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre GNU/Linux, Software Livre e Código Aberto, dedica-se a descomplicar o universo tecnológico para entusiastas e profissionais. Seu foco é em notícias, tutoriais e análises aprofundadas, promovendo o conhecimento e a liberdade digital no Brasil.