- Texto levado a sério: Ferramenta de texto totalmente reescrita com edição direta na tela, suporte a caminhos vetoriais e fontes OpenType.
- Duas versões, uma escolha: O Krita 5.3 foca em estabilidade (Qt5), enquanto o Krita 6.0 introduz a modernidade do Qt6 e maior fluidez.
- Poder no Linux: Suporte nativo a Wayland e gerenciamento de cores HDR (exclusivo v6.0), garantindo fidelidade visual extrema.
- Novas ferramentas: Faca vetorial para recortes rápidos, barra de seleção flutuante e fechamento automático de lacunas no preenchimento.
- Amizade com o Photoshop: Agora é possível importar e exportar textos, guias e camadas vetoriais de arquivos PSD com muito mais precisão.
O anúncio oficial das versões Krita 5.3 e 6.0 revela uma das atualizações mais ambiciosas na história do projeto. Não se trata apenas de uma lista de correções, mas de uma reestruturação profunda que prepara o software para a próxima década, com foco em tecnologias de exibição modernas (HDR/Wayland) e uma ferramenta de texto que finalmente coloca o Krita em pé de igualdade com grandes nomes do design editorial.
O Krita é a principal ferramenta de pintura digital de código aberto do mundo. Diferente de softwares generalistas, ele é otimizado para ilustradores e animadores. Com o lançamento simultâneo das versões 5.3 e 6.0, a equipe adota uma estratégia de “ponte”: a versão 5.3 mantém a compatibilidade com sistemas antigos (Qt5), enquanto a 6.0 abraça o Qt6, garantindo suporte a hardware atual e resolvendo limitações de interface em telas de alta resolução.
O salto para o Krita 6: HDR e Wayland no Linux
A grande mudança do Krita 6 é o suporte nativo ao Wayland, o sucessor do servidor gráfico X11 no Linux.
- Gerenciamento de cor real: Graças ao novo protocolo de gerenciamento de cor do Wayland, o Krita agora oferece suporte total a HDR no Linux (recomendado o uso do KWin 6.4.4).
- Fidelidade Visual: Isso inclui suporte a exibições de 10 bits e melhorias no dimensionamento fracionário (Fractional Scaling), eliminando interfaces “borradas” em monitores 4K.
A nova era da ferramenta de texto
A ferramenta de texto foi totalmente reescrita em QML e agora segue o padrão SVG 2. Isso transforma o Krita em uma ferramenta viável para letterings complexos e design de quadrinhos:
- Edição on-canvas: Escreva e formate o texto diretamente na tela, sem janelas separadas.
- Texto em formas e caminhos: O texto pode fluir dentro de objetos vetoriais ou seguir curvas complexas.
- Paleta de Glifos: Uma nova janela permite escolher variações de caracteres, essencial para fontes OpenType e escritas CJK (Chinês, Japonês e Coreano).
- Presets de Estilo: Salve suas configurações de fonte, cor e espaçamento para reutilizar em diferentes projetos.
Novas ferramentas de produtividade
- Faca Vetorial: Permite cortar e dividir objetos vetoriais com precisão, ideal para criar quadros de HQs.
- Barra de Seleção Flutuante: Agora, ao fazer uma seleção, uma barra de ferramentas rápida aparece próxima ao cursor, agilizando ações como inverter ou transformar.
- Fechamento de lacunas (Fill Tool): A ferramenta de balde de tinta agora consegue ignorar pequenos buracos no lineart, preenchendo áreas que antes causariam “vazamentos” de cor.
- Rotação de caixa de transformação: Agora é possível rotacionar apenas a caixa delimitadora (Ctrl+Alt) para ajustar o ângulo de transformação sem distorcer o conteúdo visualmente de forma confusa.
Impacto e repercussão
A comunidade técnica destaca a coragem da equipe em manter dois núcleos (Qt5 e Qt6) simultaneamente. Usuários profissionais de tablets gráficos no Reddit elogiaram os novos ajustes de inclinação da caneta, que permitem configurar compensações diferentes para canhotos e destros — um detalhe de acessibilidade raramente visto em concorrentes proprietários.
Além disso, a interoperabilidade com o Photoshop (PSD) atingiu um novo patamar: o Krita agora importa textos editáveis, máscaras vetoriais e guias de arquivos PSD, reduzindo a fricção em fluxos de trabalho híbridos.
Resumo técnico
- Infraestrutura: Transição para Qt6 (v6.0); v5.3 permanece em Qt5 para estabilidade e suporte a Android.
- Pincéis: Novo modo de texturização suave (simula pincel úmido vs seco) e curvas com cantos nítidos (Ctrl+clique).
- Filtros: Adicionado o filtro Color Propagate (expande cores para áreas transparentes, vital para texturas 3D/Games) e Color Overlay Mask para sketches.
- Arquivos: Suporte total a Radiance RGB (.hdr) e melhorias em JPEG-XL (animações e perfis CICP).
- Python: Nova API para automação de pinceladas e novos plugins de fluxo de trabalho.
Disponibilidade
- Krita 5.3 (Beta): Recomendado para produção e disponível em todas as plataformas, incluindo Android (tablets).
- Krita 6.0 (Acesso Antecipado): Disponível para Windows, Linux e macOS. Pode conter bugs de transição do Qt6, mas é o caminho recomendado para usuários de Linux com monitores HDR.
Embora as duas versões compartilhem as mesmas ferramentas (como o novo motor de texto), o “motor” que roda por baixo delas é diferente. A escolha entre a estabilidade do Qt5 e a modernidade do Qt6 impacta diretamente o uso de memória e a velocidade de resposta da interface.
Comparativo de arquitetura
| Característica | Krita 5.3 (Qt5) | Krita 6.0 (Qt6) |
| Estabilidade | Alta. Recomendada para trabalhos profissionais críticos. | Beta/Acesso Antecipado. Pode conter bugs de interface. |
| Uso de hardware | Legado e estável. | Otimizado para GPUs e CPUs modernas. |
| Suporte HiDPI | Funcional, mas pode apresentar ícones pequenos ou “borrados”. | Excelente. Dimensionamento nativo para telas 4K/8K. |
| Gerenciamento de cores | Padrão (ICM/ICC). | Suporte avançado a HDR e exibições de 10 bits. |
| Sistemas operacionais | Windows, Linux, macOS e Android. | Windows, Linux e macOS (Android em breve). |
Onde a performance realmente muda?
1. Fluidez da interface (UI Responsiveness)
O Qt6 é conhecido por um sistema de renderização de interface mais eficiente. No Krita 6.0, abrir painéis pesados, navegar por listas de pincéis gigantescas e gerenciar múltiplas camadas tende a ser mais instantâneo. Em telas HiDPI, o ganho de nitidez e resposta ao clique é notável.
2. Transformações pesadas (Liquify e Vetores)
Ambas as versões receberam a melhoria MR 2461, que acelera drasticamente a ferramenta Liquify. No entanto, o Krita 6.0 lida melhor com o processamento multithread desses filtros em processadores modernos (como os das séries Apple M1/M2/M3 e Intel de 12ª geração em diante).
3. O “Supertrunfo” do Linux: Wayland e HDR
Se o seu leitor usa Linux, a performance visual no Krita 6.0 é superior:
- Zero Tearing: O suporte nativo ao Wayland elimina quebras de imagem durante o desenho.
- 10-bit Color: Permite ver gradientes suaves sem o efeito de “banding” (listras em degradês), desde que o monitor suporte.
Destaques de otimização em ambas as versões
Independentemente da versão escolhida, o Krita agora é mais rápido nos seguintes pontos:
- Indexação de Fontes: O novo seletor de fontes não “trava” mais o software ao carregar milhares de fontes do sistema.
- Gravação em tempo real: O painel de gravação (Recorder Docker) agora usa múltiplas threads, capturando o processo artístico sem derrubar o FPS da pintura.
- Suavização adaptativa: A suavização do traço agora se ajusta à velocidade da caneta, reduzindo o processamento desnecessário em traços rápidos.
Veredito: Qual baixar?
- Baixe o Krita 5.3 se: Você tem prazos apertados, usa Android ou ChromeOS, ou possui um computador com mais de 6 anos de uso.
- Baixe o Krita 6.0 se: Você possui um monitor 4K, quer testar pintura em HDR no Linux ou simplesmente deseja a experiência de interface mais ágil e moderna possível, aceitando o risco de bugs ocasionais.
