Linus Torvalds liberou o Linux 6.19-rc7 no domingo, 25 de janeiro de 2026, e deixou um recado que mexe com quem acompanha o kernel de perto: esta versão vai ter rc8. Em ciclos “normais”, o rc7 costuma ser a última chamada antes do lançamento final, mas desta vez o calendário e o volume de correções se juntaram para justificar uma semana extra de testes.
O detalhe que acendeu o alerta não foi um bug “assustador”, nas palavras dele, e sim o tamanho do rc7. Depois de alguns release candidates menores no início do ciclo, o 6.19-rc7 chegou maior do que o esperado para esta altura do desenvolvimento. Não é um salto gigantesco, segundo Torvalds, mas é grande o suficiente para reforçar o que ele vem avisando em todos os rc: “ainda bem que temos uma semana a mais”.
Na prática, essa semana extra muda o jogo para quem depende de estabilidade, de desktops gamers a servidores e, principalmente, do ecossistema Android, que usa o Linux como base do seu kernel (ainda que com ramificações e integrações próprias). Quando o “coração” do sistema operacional passa por uma rodada maior de correções perto do fim do ciclo, a regra é simples: melhor gastar mais alguns dias agora do que pagar o preço depois com regressões difíceis de rastrear.
O que explica esse “inchaço” do rc7? Torvalds resume de forma bem direta: mais da metade são drivers, com redes e GPU liderando, e o restante é a mistura típica de ajustes de arquitetura, VM, tooling, documentação, trabalho em sistemas de arquivos e correções na base de drivers em Rust. Traduzindo, é o tipo de pacote que raramente vira manchete para o usuário comum, mas que decide se o kernel final vai ser uma versão “tranquila” ou um ciclo de dores de cabeça.
Entre as áreas que mais sentiram o peso do 6.19-rc7, estas são as que merecem atenção imediata:
- Drivers de GPU: ajustes e correções no DRM, com trabalho em AMDGPU, Nouveau, i915 e componentes de display em diferentes plataformas, o tipo de mudança que pode resolver regressões ou ajustar comportamento em hardware novo e setups específicos.
- Redes e Wi-Fi: correções em camadas de rede e wireless, com mudanças em mac80211/cfg80211, drivers como ath12k e um conjunto de fixes que geralmente miram travamentos, vazamentos e condições de corrida.
- Rust no kernel: uma sequência de ajustes na base de drivers e APIs em Rust, incluindo mudanças de layout/armazenamento de dados do driver e correções de comportamento em shutdown/unbind, sinais de que a “infra” segue amadurecendo e fechando arestas.
- Correções para Intel e AMD: desde suporte e ajustes em componentes ligados a plataformas Intel até correções em peças sensíveis do ecossistema AMD (incluindo drivers e IOMMU), o tipo de patch que impacta tanto desktops quanto datacenters.
- ARM e virtualização: muito trabalho em arm64, device trees, KVM e caminhos de virtualização, algo relevante para servidores ARM e também para o mundo móvel, onde o kernel é uma engrenagem crítica.
A decisão de ir até o rc8, portanto, deixa de ser apenas um “ajuste de calendário” e vira uma margem de segurança técnica bem-vinda. O objetivo é claro: absorver esse volume de correções, reduzir o risco de regressões e dar tempo para testes de mundo real, especialmente nas áreas que mais costumam dar trabalho no fim do ciclo, como GPU e rede.
Torvalds também sinaliza que, a partir daqui, o relógio entra na fase mais sensível: “temos duas semanas pela frente”, com a expectativa de que as coisas acalmem. Se o ritmo semanal tradicional se mantiver, isso coloca o rc8 no próximo domingo (1º de fevereiro de 2026) e abre caminho para um lançamento final na semana seguinte, desde que não apareçam surpresas relevantes no caminho.
Para quem usa Linux no dia a dia, o recado é direto: a semana extra não é um atraso “ruim”. É um investimento para evitar que correções corridas, especialmente em drivers, cheguem ao kernel final sem maturação suficiente. Para quem acompanha Android e o ecossistema de dispositivos, é o tipo de movimento que ajuda a manter a base mais estável, mesmo que os efeitos apareçam de forma indireta e com tempo, conforme as mudanças vão sendo incorporadas por vendors e branches específicos.
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