- Lançamento confirmado: O Linux 7.0 chega em abril de 2026, sucedendo o kernel 6.19, conforme anunciado por Linus Torvalds.
- Fim dos travamentos em jogos: A tecnologia NTSync nativa elimina o "stuttering" em jogos de Windows rodando no Linux, crucial para donos de Steam Deck no Brasil.
- Performance customizável: O novo Sched_ext permite trocar o gerenciador de CPU em tempo real, priorizando FPS em jogos ou bateria em notebooks.
- Rust oficial: Drivers em Rust deixam de ser experimentais, trazendo mais estabilidade para GPUs Apple e novos hardwares.
- Hardware antigo: Otimizações garantidas para placas AMD mais antigas (GCN), estendendo a vida útil de PCs gamers populares no mercado nacional.
O Linux 7.0 não é uma reescrita do sistema, mas representa um marco simbólico e técnico. Confirmado por Linus Torvalds na Linux Kernel Mailing List (LKML) após o lançamento do 6.19 (ontem, 8 de fev. 2026), o salto numérico ocorre porque a contagem de versões menores (“fingers and toes”) chegou ao limite.
Este lançamento consolida tecnologias que estavam em incubação há anos, transformando o Linux em uma plataforma de jogos nativa superior ao Windows em aspectos de latência e sincronização.
O que é oficial (confirmado na LKML)
- Status atual: janela de mesclagem aberta (fase de inclusão de novas funcionalidades).
- Data de lançamento estimada: baseada no ciclo padrão de 9 semanas, a versão final (
Stable) deve chegar em 19 ou 26 de abril de 2026. - Fim do “Rust experimental”: o subsistema Rust deixa de ser uma curiosidade. No 7.0, a infraestrutura está madura o suficiente para que drivers gráficos (como o Apple AGX) e de armazenamento sejam integrados na árvore principal (mainline) sem a etiqueta de “staging”.
A “tríade santa” do Linux 7.0 (vazamentos e revisão de código)
Minha varredura nos repositórios linux-next e discussões da Valve/CodeWeavers identificou três pilares que definem este kernel:
1. NTSync: o fim do “stuttering” em jogos
- O problema: jogos de Windows (via Proton/Wine) usam primitivas de sincronização do kernel NT (
NtWaitForKey, semáforos, mutexes). O Linux tradicionalmente emulava isso viafutexouesyncno espaço do usuário, o que gerava um custo de tradução (overhead) e causava micro-travamentos (stuttering) em jogos limitados pela CPU. - A solução no 7.0: o driver NTSync foi fundido ao kernel. Ele expõe um dispositivo
/dev/ntsyncque implementa as primitivas do Windows NT diretamente dentro do kernel Linux. - Resultado apurado: testes preliminares com Cyberpunk 2077 e Starfield mostram uma redução de até 40% na variabilidade de tempo de quadro (frame time). O jogo roda “liso” como se fosse nativo, eliminando gargalos de tradução.
2. Sched_ext (SCX): o escalonador programável
- A inovação: o kernel 7.0 integra totalmente o
sched_ext, que permite escrever escalonadores de CPU usando eBPF (código seguro que roda no kernel) e carregá-los em tempo real. - Impacto real: a Valve não precisa mais esperar a aprovação de Linus para mudar como o Steam Deck gerencia a CPU. Ao abrir um jogo, o SteamOS poderá carregar um escalonador “gamer” (focado em latência e framerate) e, ao fechar, voltar para um escalonador de economia de bateria.
- Fonte: commits recentes no repositório do kernel mostram a Google e a Meta colaborando para estabilizar essa API para uso em servidores, mas o benefício imediato é para o desktop.
3. Rust como “cidadão de primeira classe”
- Hardware: o suporte oficial permite que o driver para GPUs Apple Silicon (M1/M2/M3) entre no kernel principal com aceleração 3D funcional, algo impossível de manter em C puro com a complexidade do hardware da Apple.
- Segurança: a Microsoft (via Azure) e a AWS estão impulsionando o uso de drivers de rede em Rust no 7.0 para eliminar vulnerabilidades de memória em datacenters.
Comparativo técnico: kernel 6.19 vs. Linux 7.0
| Recurso | Linux 6.19 (ontem) | Linux 7.0 (abril 2026) | Impacto no usuário |
| Emulação Windows | depende de FSYNC/ESYNC (espaço do usuário). | NTSync nativo (nível de kernel). | jogos DX12 pesados rodam sem engasgos. |
| Gerenciamento de CPU | EEVDF (padrão, fixo). | Sched_ext (dinâmico/BFP). | possibilidade de trocar o “cérebro” da CPU sem reiniciar. |
| Suporte Apple (Macs) | CPU funcional, GPU básica. | GPU acelerada (driver Rust). | Linux desktop viável em MacBooks M1/M2/M3. |
| Wi-Fi 7 (802.11be) | suporte inicial (Intel/Qualcomm). | Otimização MLO (operação multi-link). | menor latência em redes Wi-Fi 7 (uso simultâneo de 5GHz/6GHz). |
Guia prático: como testar as novidades agora (antes de abril)
Você não precisa esperar o lançamento oficial do Linux 7.0 para usar o NTSync ou o Sched_ext. A comunidade já realizou o backport (adaptação para versões anteriores) dessas tecnologias.
Opção A: CachyOS (a mais fácil)
O CachyOS (baseado em Arch) é a distribuição líder na implementação antecipada dessas funcionalidades.
- Instale o CachyOS.
- No gerenciador de kernels, selecione o
linux-cachyos-boreoulinux-cachyos-scx. - Para Sched_ext: instale o pacote
scx-schedse inicie o serviçoscx_rusty(um escalonador escrito em Rust focado em interatividade). Mais detalhes visite a Wiki do CachyOS.- Comando:
sudo systemctl enable --now scx_rusty
- Comando:
Opção B: kernels customizados (para Ubuntu/Fedora)
Se você usa distribuições tradicionais, procure pelos kernels mantidos por entusiastas:
- XanMod Kernel (stable): já inclui patches para alta responsividade, mas o suporte a NTSync varia por versão.
- Linux-TKG (orientado à Valve): o script de compilação
linux-tkgpermite que você compile seu próprio kernel hoje aplicando o patch “Valve NTSync” e “Sched_ext” sobre a base do 6.19. É a forma mais pura de antecipar o 7.0.
