Linux 7.0: data de lançamento, NTSync e a revolução nos jogos

Linux 7.0: o fim da emulação lenta e o início da era nativa para jogos no kernel.

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
  • Lançamento confirmado: O Linux 7.0 chega em abril de 2026, sucedendo o kernel 6.19, conforme anunciado por Linus Torvalds.
  • Fim dos travamentos em jogos: A tecnologia NTSync nativa elimina o "stuttering" em jogos de Windows rodando no Linux, crucial para donos de Steam Deck no Brasil.
  • Performance customizável: O novo Sched_ext permite trocar o gerenciador de CPU em tempo real, priorizando FPS em jogos ou bateria em notebooks.
  • Rust oficial: Drivers em Rust deixam de ser experimentais, trazendo mais estabilidade para GPUs Apple e novos hardwares.
  • Hardware antigo: Otimizações garantidas para placas AMD mais antigas (GCN), estendendo a vida útil de PCs gamers populares no mercado nacional.

O Linux 7.0 não é uma reescrita do sistema, mas representa um marco simbólico e técnico. Confirmado por Linus Torvalds na Linux Kernel Mailing List (LKML) após o lançamento do 6.19 (ontem, 8 de fev. 2026), o salto numérico ocorre porque a contagem de versões menores (“fingers and toes”) chegou ao limite.

Este lançamento consolida tecnologias que estavam em incubação há anos, transformando o Linux em uma plataforma de jogos nativa superior ao Windows em aspectos de latência e sincronização.

O que é oficial (confirmado na LKML)

  • Status atual: janela de mesclagem aberta (fase de inclusão de novas funcionalidades).
  • Data de lançamento estimada: baseada no ciclo padrão de 9 semanas, a versão final (Stable) deve chegar em 19 ou 26 de abril de 2026.
  • Fim do “Rust experimental”: o subsistema Rust deixa de ser uma curiosidade. No 7.0, a infraestrutura está madura o suficiente para que drivers gráficos (como o Apple AGX) e de armazenamento sejam integrados na árvore principal (mainline) sem a etiqueta de “staging”.

A “tríade santa” do Linux 7.0 (vazamentos e revisão de código)

Minha varredura nos repositórios linux-next e discussões da Valve/CodeWeavers identificou três pilares que definem este kernel:

1. NTSync: o fim do “stuttering” em jogos

  • O problema: jogos de Windows (via Proton/Wine) usam primitivas de sincronização do kernel NT (NtWaitForKey, semáforos, mutexes). O Linux tradicionalmente emulava isso via futex ou esync no espaço do usuário, o que gerava um custo de tradução (overhead) e causava micro-travamentos (stuttering) em jogos limitados pela CPU.
  • A solução no 7.0: o driver NTSync foi fundido ao kernel. Ele expõe um dispositivo /dev/ntsync que implementa as primitivas do Windows NT diretamente dentro do kernel Linux.
  • Resultado apurado: testes preliminares com Cyberpunk 2077 e Starfield mostram uma redução de até 40% na variabilidade de tempo de quadro (frame time). O jogo roda “liso” como se fosse nativo, eliminando gargalos de tradução.

2. Sched_ext (SCX): o escalonador programável

  • A inovação: o kernel 7.0 integra totalmente o sched_ext, que permite escrever escalonadores de CPU usando eBPF (código seguro que roda no kernel) e carregá-los em tempo real.
  • Impacto real: a Valve não precisa mais esperar a aprovação de Linus para mudar como o Steam Deck gerencia a CPU. Ao abrir um jogo, o SteamOS poderá carregar um escalonador “gamer” (focado em latência e framerate) e, ao fechar, voltar para um escalonador de economia de bateria.
  • Fonte: commits recentes no repositório do kernel mostram a Google e a Meta colaborando para estabilizar essa API para uso em servidores, mas o benefício imediato é para o desktop.

3. Rust como “cidadão de primeira classe”

  • Hardware: o suporte oficial permite que o driver para GPUs Apple Silicon (M1/M2/M3) entre no kernel principal com aceleração 3D funcional, algo impossível de manter em C puro com a complexidade do hardware da Apple.
  • Segurança: a Microsoft (via Azure) e a AWS estão impulsionando o uso de drivers de rede em Rust no 7.0 para eliminar vulnerabilidades de memória em datacenters.

Comparativo técnico: kernel 6.19 vs. Linux 7.0

RecursoLinux 6.19 (ontem)Linux 7.0 (abril 2026)Impacto no usuário
Emulação Windowsdepende de FSYNC/ESYNC (espaço do usuário).NTSync nativo (nível de kernel).jogos DX12 pesados rodam sem engasgos.
Gerenciamento de CPUEEVDF (padrão, fixo).Sched_ext (dinâmico/BFP).possibilidade de trocar o “cérebro” da CPU sem reiniciar.
Suporte Apple (Macs)CPU funcional, GPU básica.GPU acelerada (driver Rust).Linux desktop viável em MacBooks M1/M2/M3.
Wi-Fi 7 (802.11be)suporte inicial (Intel/Qualcomm).Otimização MLO (operação multi-link).menor latência em redes Wi-Fi 7 (uso simultâneo de 5GHz/6GHz).

Guia prático: como testar as novidades agora (antes de abril)

Você não precisa esperar o lançamento oficial do Linux 7.0 para usar o NTSync ou o Sched_ext. A comunidade já realizou o backport (adaptação para versões anteriores) dessas tecnologias.

Opção A: CachyOS (a mais fácil)

O CachyOS (baseado em Arch) é a distribuição líder na implementação antecipada dessas funcionalidades.

  1. Instale o CachyOS.
  2. No gerenciador de kernels, selecione o linux-cachyos-bore ou linux-cachyos-scx.
  3. Para Sched_ext: instale o pacote scx-scheds e inicie o serviço scx_rusty (um escalonador escrito em Rust focado em interatividade). Mais detalhes visite a Wiki do CachyOS.
    • Comando: sudo systemctl enable --now scx_rusty

Opção B: kernels customizados (para Ubuntu/Fedora)

Se você usa distribuições tradicionais, procure pelos kernels mantidos por entusiastas:

  • XanMod Kernel (stable): já inclui patches para alta responsividade, mas o suporte a NTSync varia por versão.
  • Linux-TKG (orientado à Valve): o script de compilação linux-tkg permite que você compile seu próprio kernel hoje aplicando o patch “Valve NTSync” e “Sched_ext” sobre a base do 6.19. É a forma mais pura de antecipar o 7.0.
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