Suporte às GPUs NVIDIA Blackwell e Hopper é proposto para o Kernel Linux 7.0 via driver Nova

Segurança em Rust e o poder da Blackwell: O Kernel Linux 7.0 redefine o suporte às GPUs NVIDIA de próxima geração.

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
  • A Próxima Geração: O Kernel Linux 7.0 recebe proposta avançada para habilitar as GPUs NVIDIA Blackwell e Hopper, garantindo compatibilidade com o hardware mais potente do mercado.
  • Segurança com Rust: A implementação utiliza o driver Nova, escrito em Rust, eliminando vulnerabilidades clássicas de memória e aumentando a estabilidade do sistema.
  • Fim do SEC2: A mudança introduz o suporte ao FSP (Firmware System Processor), simplificando o processo de boot e validação de firmware através de uma "Cadeia de Confiança".
  • Performance Massiva: O patch habilita DMA de 52 bits, permitindo que o Kernel Linux 7.0 gerencie vastas quantidades de RAM para tarefas de IA e renderização pesada em GPUs Blackwell.
  • Hardware Real: Os patches (v4) já foram testados em placas RTX Blackwell (GB202) e Hopper (GH100), indicando um suporte sólido para o lançamento oficial em 2026.

O desenvolvedor John Hubbard, da NVIDIA, enviou para a lista de discussão oficial a quarta revisão (v4) de um conjunto de 33 patches que preparam o terreno para as arquiteturas mais modernas da empresa no ecossistema de código aberto. O foco principal é habilitar o suporte às GPUs Hopper e Blackwell dentro do driver Nova, um projeto desenvolvido em Rust que prioriza a segurança de memória e a performance em subsistemas críticos.

A mudança impacta diretamente como o sistema lida com o hardware de última geração, introduzindo a infraestrutura para o FSP (Firmware System Processor). Esta implementação é essencial para que o Kernel Linux 7.0 consiga inicializar corretamente placas de vídeo de alto desempenho, como as futuras RTX 50 e aceleradores de IA, sem depender exclusivamente de componentes legados ou drivers proprietários fechados.

O que isso significa na prática:

Imagine que, anteriormente, o driver precisava passar por várias camadas complexas e manuais (como o motor SEC2) para “dar a partida” na GPU. Com este novo patch, o Linux aprende a usar um sistema mais moderno e direto chamado FSP. Para o usuário, isso se traduz em um suporte inicial mais robusto para placas novas (Blackwell), garantindo que o hardware funcione de forma segura e estável usando o driver Nova, que é menos propenso a falhas de sistema graças à linguagem Rust.

Detalhes da implementação: A transição para FSP e DMA 52-bit

A proposta técnica altera significativamente o subsistema DRM/Nova (drivers/gpu/nova-core). O desenvolvedor propôs a substituição do fluxo de inicialização baseado em SEC2 por um caminho de Cadeia de Confiança (Chain of Trust) gerenciado pelo FSP.

Além da mudança no boot, o driver agora detecta automaticamente imagens de firmware ELF de 32 e 64 bits e expande a largura da máscara de DMA para 52 bits. Isso permite que as GPUs Blackwell acessem um espaço de memória muito maior, eliminando gargalos de endereçamento em sistemas com grandes quantidades de RAM.

Comparativo técnico: Evolução do driver Nova

CaracterísticaArquiteturas Turing/AdaArquiteturas Hopper/Blackwell
Motor de BootSEC2 (Security Engine 2)FSP (Firmware System Processor)
Endereçamento DMA47-bit52-bit
Tipo de FirmwareELF64 FixoAuto-detecção (ELF32/ELF64)
Reserva de Memória1 MiB (Heap padrão)Até 170 MiB (Heap reservado)

Quando isso chega no meu PC?

O patch está atualmente na fase de Review (v4) e já foi integrado à árvore linux-next para testes de compatibilidade. Por se tratar de uma mudança estrutural pesada, o cronograma segue o rigoroso ciclo de desenvolvimento da comunidade.

  • Janela de Mesclagem: O conjunto de patches deve ser submetido formalmente para o Kernel Linux 7.0 na próxima abertura de janela (Merge Window).
  • Lançamento Estável: Se aprovado por Linus Torvalds, a versão final deve ser lançada entre abril e maio de 2026.
  • Nas Distros: Usuários de sistemas como Arch Linux e Fedora 44 devem receber a novidade logo após o lançamento estável. Já para o usuário de Ubuntu (26.04/26.10), o suporte deve chegar via atualizações de HWE (Hardware Enablement) no segundo semestre de 2026.
Compartilhe este artigo