A primeira ISO Alpha 1 do Mageia 10 foi validada oficialmente pelo Mageia Council, liberando o caminho para a publicação das imagens e para um ciclo intenso de testes comunitários. O projeto segue construindo a versão 10 no Cauldron, a ramificação de desenvolvimento onde as mudanças de base e de infraestrutura entram primeiro.
Mageia 10 Alpha é o primeiro “instantâneo público” da próxima versão do Mageia. Trata-se de uma prévia voltada a testes, que antecipa o que deve chegar na versão final, permitindo validar instalação, compatibilidade de hardware e comportamento do sistema antes dos marcos Beta e Release Candidate.
Metadados de validade
- Ambiente: Alpha 1 (build validado pelo Council)
- Linha de desenvolvimento: Cauldron
- Objetivo do ciclo Alpha: testes amplos, correção de bugs, validação de hardware e instalador
- Previsão de versão final: abril de 2026
⚠️ Alerta: esta é uma versão Alpha. Serve para testar e reportar problemas. Não use em produção e não trate como base estável para trabalho diário.
Resumo técnico
- Kernel: 6.6 (com suporte a múltiplos “flavors”, incluindo kernel-linus)
- Mesa 3D: 24.1
- RPM: 4.20
- Gerenciador de pacotes: DNF 4.18.1 em paralelo ao urpmi
- Plasma: 6.1.2 (Qt 6.7, KDE Frameworks 6.3, KDE Applications 24.05)
- GNOME: 46 (Wayland como padrão)
- Xfce: 4.20
- X.Org / XWayland: 21.1.13 / 24.1.0
O coração do sistema: kernel e hardware
O Mageia 10 passa a trabalhar com o Kernel 6.6, uma base LTS que amplia compatibilidade e consolida suporte a hardware moderno. Na prática, isso se reflete em melhor desempenho gráfico e em um stack mais atual, com Mesa 3D 24.1 habilitando recursos e correções relevantes para GPUs AMD e Intel, e melhorando o caminho para workloads gráficos e jogos.
A equipe mantém “sabores” alternativos do kernel, incluindo o kernel-linus, voltado a quem prefere um kernel mais próximo do “vanilla” (sem patchset extra). Isso dá flexibilidade para testes comparativos, diagnósticos e cenários específicos de compatibilidade.
O ponto que mais muda a vida de quem ainda usa máquinas antigas está na arquitetura 32-bit.
32-bit com requisitos mais altos: SSE2 vira linha de corte
O Mageia 10 aumenta os requisitos de hardware em 32-bit. Para usar as mídias i686, o processador precisa oferecer SSE2. O próprio projeto sinaliza a transição do identificador i586 para i686 nas imagens ISO e pacotes.
Se a CPU não tem SSE2, o Mageia 10 não é suportado. Esse recorte acompanha um movimento mais amplo do ecossistema, em que diversos projetos upstream vêm reduzindo ou encerrando suporte 32-bit, o que tende a limitar cobertura e paridade de recursos em i686 quando comparado ao x86_64.
Ambientes de desktop renovados
O Mageia 10 Alpha chega com um conjunto de desktops que espelha o objetivo do ciclo: atualizar a base do sistema e, ao mesmo tempo, disponibilizar ambientes modernos para testes de usabilidade e compatibilidade gráfica.
KDE Plasma 6.1.2
O Plasma 6.1.2 vem construído sobre Qt 6.7, KDE Frameworks 6.3 e KDE Applications 24.05. O stack é o que a comunidade KDE vem tratando como a linha moderna do Plasma, com foco em Wayland e em uma base de bibliotecas atual.
Para quem quer testar Plasma no Wayland, a orientação é instalar o pacote apropriado e selecionar a sessão no gerenciador de login:
- Instale plasma-workspace-wayland para habilitar a sessão Wayland na lista do display manager.
- O Mageia mantém o SDDM como display manager padrão para Plasma.
- Ksysguard foi substituído por plasma-systemmonitor.
O texto também menciona um caminho de teste específico para Wayland com driver proprietário NVIDIA (como technology preview), com ajustes na linha de comando do kernel e parâmetros relacionados a KMS. Isso indica que o Mageia está tentando facilitar validações de Wayland em cenários historicamente sensíveis, mas o público-alvo aqui é claramente o de testadores.
GNOME 46
O GNOME 46 é disponibilizado com Wayland como padrão, com opção de sessão “GNOME on Xorg”. O comportamento com drivers proprietários NVIDIA permanece pragmático: com drivers não livres, o GNOME tende a iniciar em X11 por padrão, mantendo previsibilidade em configurações onde Wayland ainda pode variar conforme GPU, driver e parâmetros.
O GNOME também oferece opções como “Gnome Classic” e “GNOME Flashback” para perfis que preferem uma experiência mais próxima do GNOME 2, com diferenças de base técnica (GTK+ 3 no caso do Flashback).
Xfce 4.20
O Xfce 4.20 segue como opção leve e consistente, com Live ISOs dedicadas em 32-bit e 64-bit, o que é valioso para testar hardware mais antigo ou cenários onde simplicidade e previsibilidade importam mais que recursos gráficos de ponta.
Gerenciamento de pacotes: a era DNF?
O Mageia está reforçando um caminho que já existe há anos, mas ganha relevância no Mageia 10: DNF como alternativa ao urpmi. O projeto posiciona o DNF como um gerenciador com resolução moderna de dependências, melhor relatório de problemas e um ecossistema mais alinhado ao que Fedora e openSUSE consolidaram nos últimos ciclos.
No Mageia 10, o sistema vem com DNF 4.18.1. Em instalações novas pelas mídias clássicas e live, o DNF coexiste com o urpmi. Em upgrades, pode ser necessário instalar o pacote do DNF para tê-lo disponível, dependendo do método usado.
💡 Dica: no Mageia 10, DNF e urpmi convivem em paralelo. Isso permite testar o DNF gradualmente sem quebrar hábitos e fluxos antigos, enquanto o ecossistema de ferramentas ainda depende do urpmi em partes do stack.
AppStream e lojas de aplicativos
Os repositórios RPM-MD fornecem metadados AppStream, usados por ferramentas como GNOME Software e Plasma Discover para oferecer uma experiência mais “centrada em aplicativos” na busca e instalação. Para quem acompanha a evolução do desktop Linux, esse detalhe importa: AppStream é um componente-chave para melhorar descoberta de software, descrição, screenshots e categorização.
Modernização prática: instalador, live tools e utilitários
Mesmo sendo um Alpha, a lista de mudanças já aponta modernizações concretas:
- RPM 4.20 como base de empacotamento, com implicações diretas para ferramentas, compatibilidade e recursos mais novos do ecossistema RPM.
- Instalador DrakX e estágios de instalação com correções, além de melhorias no sistema de resgate.
- Isodumper com interface retrabalhada para permitir operações sucessivas em uma única sequência, facilitando o fluxo de criação de mídias.
- MageiaWelcome refeito com abordagem linear, pensado para orientar o pós-instalação (com execução automática opcional).
- remove-old-kernels como ferramenta para limpar kernels antigos automaticamente e evitar lotar a partição raiz, mantendo por padrão os três kernels mais recentes.
- Memtest86+ como utilitário padrão de teste de memória nas ISOs, substituindo o fork anterior.
- Atualizações de stack de contêiner e desenvolvimento (Docker, buildkit, containerd, runC), coerentes com a proposta de manter o Mageia competitivo para perfis técnicos.
✅ Novidades e ❌ concessões desta fase
✅ Pontos fortes
- Kernel 6.6 LTS e Mesa 24.1 como base moderna para hardware e gráficos.
- Plasma 6.1.2, GNOME 46 e Xfce 4.20 alinhados com gerações recentes dos principais desktops.
- RPM 4.20 e reforço do caminho do DNF 4.18.1.
- Melhoria do ecossistema de instalação e testes: Isodumper revisado, MageiaWelcome refeito, remove-old-kernels, Memtest86+.
- AppStream habilitando melhor integração com GNOME Software e Discover.
❌ Trade-offs e limitações
- 32-bit ficou mais exigente: CPU sem SSE2 está fora.
- O próprio projeto admite que a cobertura 32-bit pode ser menos completa que em x86_64 por decisões upstream.
- Driver proprietário AMDGPU-PRO não funciona no Mageia 10 nas condições descritas (dependência de versões específicas do X.Org), o que limita esse caminho para quem depende dele.
- A série NVIDIA 390.x foi abandonada por incompatibilidade com kernels e X Server atuais; placas antigas precisam recorrer a nouveau ou modesetting.
- Chromium foi removido por custo de manutenção e passa a ser recomendado via Flatpak (ou alternativas), mudando o fluxo para parte dos usuários.
Como testar e ajudar
A validação do Council abriu a publicação das Mageia-10-alpha1 para download e testes. A fase Alpha funciona melhor quando o máximo de gente possível testa cenários variados e reporta o que encontrou. Aproveite e veja também os log de mudanças desta versão até o momento.
- Baixe as imagens Mageia-10-alpha1 (escolha entre mídias clássicas, netinstall e live).
- Grave a ISO em um pendrive com IsoDumper no Mageia ou Rufus no Windows.
- Inicie em live session ou instale em uma máquina dedicada. Em alternativa, teste em uma VM para validar instalador e desktops rapidamente.
- Reporte bugs com o máximo de detalhes possível (logs, hardware, passos para reproduzir).
- Contribua com traduções e documentação, incluindo notas de lançamento e manuais.
Se você pretende validar integridade do download antes de gravar:
# Verifica o hash do arquivo baixado (compare com o valor publicado no espelho/página de download)
sha256sum Mageia-10-alpha1.isoQual mídia escolher
- Classic install ISOs (32/64-bit): instalador DrakX, muitos pacotes e locais suportados, opção de desativar non-free. Há uma decisão explícita aqui: o instalador clássico não usa drivers não livres durante a instalação, então pode ser necessário Ethernet cabeada se você depender de drivers proprietários para rede e quiser usar repositórios online durante o processo.
- Network install ISOs: imagem mínima que baixa os pacotes na hora. Há variantes free e non-free; a non-free pode ser necessária para certos drivers proprietários, como Wi-Fi. O texto também alerta que o netinstall não é adaptado para boot em EFI 32-bit.
- Live ISOs: entrada mais rápida para testar Plasma, GNOME e Xfce, com suporte a persistência (inclusive criptografada), útil para testes repetidos.
FAQ
Mageia 10 Alpha é estável?
É um Alpha, então a expectativa é instabilidade e mudanças frequentes. O objetivo é testar, encontrar falhas e corrigir cedo. Para uso diário, a recomendação é aguardar Beta, RC e a versão final.
Quais os requisitos mínimos, especialmente em 32-bit?
Para 32-bit, o Mageia 10 exige CPU com SSE2 e a arquitetura passa a ser tratada como i686. CPUs sem SSE2 ficam sem suporte. Em 64-bit, o foco é x86_64 com suporte de hardware habilitado pelo kernel 6.6.
Mageia 10 suporta Wayland?
Sim. O GNOME 46 roda em Wayland por padrão. No Plasma, há suporte via instalação do pacote de sessão Wayland. Em NVIDIA com driver proprietário, o texto trata Wayland como prévia para testadores em condições específicas.
