A distro Linux “mágica” entrou na fase Alpha: veja o que mudou no Mageia 10

Primeira ISO Alpha 1 validada, com Kernel 6.6, Plasma 6.1 e DNF 4.18.1 ao lado do urpmi

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...

A primeira ISO Alpha 1 do Mageia 10 foi validada oficialmente pelo Mageia Council, liberando o caminho para a publicação das imagens e para um ciclo intenso de testes comunitários. O projeto segue construindo a versão 10 no Cauldron, a ramificação de desenvolvimento onde as mudanças de base e de infraestrutura entram primeiro.

Mageia 10 Alpha é o primeiro “instantâneo público” da próxima versão do Mageia. Trata-se de uma prévia voltada a testes, que antecipa o que deve chegar na versão final, permitindo validar instalação, compatibilidade de hardware e comportamento do sistema antes dos marcos Beta e Release Candidate.

Metadados de validade

  • Ambiente: Alpha 1 (build validado pelo Council)
  • Linha de desenvolvimento: Cauldron
  • Objetivo do ciclo Alpha: testes amplos, correção de bugs, validação de hardware e instalador
  • Previsão de versão final: abril de 2026

⚠️ Alerta: esta é uma versão Alpha. Serve para testar e reportar problemas. Não use em produção e não trate como base estável para trabalho diário.

Resumo técnico

  • Kernel: 6.6 (com suporte a múltiplos “flavors”, incluindo kernel-linus)
  • Mesa 3D: 24.1
  • RPM: 4.20
  • Gerenciador de pacotes: DNF 4.18.1 em paralelo ao urpmi
  • Plasma: 6.1.2 (Qt 6.7, KDE Frameworks 6.3, KDE Applications 24.05)
  • GNOME: 46 (Wayland como padrão)
  • Xfce: 4.20
  • X.Org / XWayland: 21.1.13 / 24.1.0

O coração do sistema: kernel e hardware

O Mageia 10 passa a trabalhar com o Kernel 6.6, uma base LTS que amplia compatibilidade e consolida suporte a hardware moderno. Na prática, isso se reflete em melhor desempenho gráfico e em um stack mais atual, com Mesa 3D 24.1 habilitando recursos e correções relevantes para GPUs AMD e Intel, e melhorando o caminho para workloads gráficos e jogos.

A equipe mantém “sabores” alternativos do kernel, incluindo o kernel-linus, voltado a quem prefere um kernel mais próximo do “vanilla” (sem patchset extra). Isso dá flexibilidade para testes comparativos, diagnósticos e cenários específicos de compatibilidade.

O ponto que mais muda a vida de quem ainda usa máquinas antigas está na arquitetura 32-bit.

32-bit com requisitos mais altos: SSE2 vira linha de corte

O Mageia 10 aumenta os requisitos de hardware em 32-bit. Para usar as mídias i686, o processador precisa oferecer SSE2. O próprio projeto sinaliza a transição do identificador i586 para i686 nas imagens ISO e pacotes.

Se a CPU não tem SSE2, o Mageia 10 não é suportado. Esse recorte acompanha um movimento mais amplo do ecossistema, em que diversos projetos upstream vêm reduzindo ou encerrando suporte 32-bit, o que tende a limitar cobertura e paridade de recursos em i686 quando comparado ao x86_64.

Ambientes de desktop renovados

O Mageia 10 Alpha chega com um conjunto de desktops que espelha o objetivo do ciclo: atualizar a base do sistema e, ao mesmo tempo, disponibilizar ambientes modernos para testes de usabilidade e compatibilidade gráfica.

KDE Plasma 6.1.2

O Plasma 6.1.2 vem construído sobre Qt 6.7, KDE Frameworks 6.3 e KDE Applications 24.05. O stack é o que a comunidade KDE vem tratando como a linha moderna do Plasma, com foco em Wayland e em uma base de bibliotecas atual.

Para quem quer testar Plasma no Wayland, a orientação é instalar o pacote apropriado e selecionar a sessão no gerenciador de login:

  • Instale plasma-workspace-wayland para habilitar a sessão Wayland na lista do display manager.
  • O Mageia mantém o SDDM como display manager padrão para Plasma.
  • Ksysguard foi substituído por plasma-systemmonitor.

O texto também menciona um caminho de teste específico para Wayland com driver proprietário NVIDIA (como technology preview), com ajustes na linha de comando do kernel e parâmetros relacionados a KMS. Isso indica que o Mageia está tentando facilitar validações de Wayland em cenários historicamente sensíveis, mas o público-alvo aqui é claramente o de testadores.

GNOME 46

O GNOME 46 é disponibilizado com Wayland como padrão, com opção de sessão “GNOME on Xorg”. O comportamento com drivers proprietários NVIDIA permanece pragmático: com drivers não livres, o GNOME tende a iniciar em X11 por padrão, mantendo previsibilidade em configurações onde Wayland ainda pode variar conforme GPU, driver e parâmetros.

O GNOME também oferece opções como “Gnome Classic” e “GNOME Flashback” para perfis que preferem uma experiência mais próxima do GNOME 2, com diferenças de base técnica (GTK+ 3 no caso do Flashback).

Xfce 4.20

O Xfce 4.20 segue como opção leve e consistente, com Live ISOs dedicadas em 32-bit e 64-bit, o que é valioso para testar hardware mais antigo ou cenários onde simplicidade e previsibilidade importam mais que recursos gráficos de ponta.

Gerenciamento de pacotes: a era DNF?

O Mageia está reforçando um caminho que já existe há anos, mas ganha relevância no Mageia 10: DNF como alternativa ao urpmi. O projeto posiciona o DNF como um gerenciador com resolução moderna de dependências, melhor relatório de problemas e um ecossistema mais alinhado ao que Fedora e openSUSE consolidaram nos últimos ciclos.

No Mageia 10, o sistema vem com DNF 4.18.1. Em instalações novas pelas mídias clássicas e live, o DNF coexiste com o urpmi. Em upgrades, pode ser necessário instalar o pacote do DNF para tê-lo disponível, dependendo do método usado.

💡 Dica: no Mageia 10, DNF e urpmi convivem em paralelo. Isso permite testar o DNF gradualmente sem quebrar hábitos e fluxos antigos, enquanto o ecossistema de ferramentas ainda depende do urpmi em partes do stack.

AppStream e lojas de aplicativos

Os repositórios RPM-MD fornecem metadados AppStream, usados por ferramentas como GNOME Software e Plasma Discover para oferecer uma experiência mais “centrada em aplicativos” na busca e instalação. Para quem acompanha a evolução do desktop Linux, esse detalhe importa: AppStream é um componente-chave para melhorar descoberta de software, descrição, screenshots e categorização.

Modernização prática: instalador, live tools e utilitários

Mesmo sendo um Alpha, a lista de mudanças já aponta modernizações concretas:

  • RPM 4.20 como base de empacotamento, com implicações diretas para ferramentas, compatibilidade e recursos mais novos do ecossistema RPM.
  • Instalador DrakX e estágios de instalação com correções, além de melhorias no sistema de resgate.
  • Isodumper com interface retrabalhada para permitir operações sucessivas em uma única sequência, facilitando o fluxo de criação de mídias.
  • MageiaWelcome refeito com abordagem linear, pensado para orientar o pós-instalação (com execução automática opcional).
  • remove-old-kernels como ferramenta para limpar kernels antigos automaticamente e evitar lotar a partição raiz, mantendo por padrão os três kernels mais recentes.
  • Memtest86+ como utilitário padrão de teste de memória nas ISOs, substituindo o fork anterior.
  • Atualizações de stack de contêiner e desenvolvimento (Docker, buildkit, containerd, runC), coerentes com a proposta de manter o Mageia competitivo para perfis técnicos.

✅ Novidades e ❌ concessões desta fase

Pontos fortes

  • Kernel 6.6 LTS e Mesa 24.1 como base moderna para hardware e gráficos.
  • Plasma 6.1.2, GNOME 46 e Xfce 4.20 alinhados com gerações recentes dos principais desktops.
  • RPM 4.20 e reforço do caminho do DNF 4.18.1.
  • Melhoria do ecossistema de instalação e testes: Isodumper revisado, MageiaWelcome refeito, remove-old-kernels, Memtest86+.
  • AppStream habilitando melhor integração com GNOME Software e Discover.

Trade-offs e limitações

  • 32-bit ficou mais exigente: CPU sem SSE2 está fora.
  • O próprio projeto admite que a cobertura 32-bit pode ser menos completa que em x86_64 por decisões upstream.
  • Driver proprietário AMDGPU-PRO não funciona no Mageia 10 nas condições descritas (dependência de versões específicas do X.Org), o que limita esse caminho para quem depende dele.
  • A série NVIDIA 390.x foi abandonada por incompatibilidade com kernels e X Server atuais; placas antigas precisam recorrer a nouveau ou modesetting.
  • Chromium foi removido por custo de manutenção e passa a ser recomendado via Flatpak (ou alternativas), mudando o fluxo para parte dos usuários.

Como testar e ajudar

A validação do Council abriu a publicação das Mageia-10-alpha1 para download e testes. A fase Alpha funciona melhor quando o máximo de gente possível testa cenários variados e reporta o que encontrou. Aproveite e veja também os log de mudanças desta versão até o momento.

  1. Baixe as imagens Mageia-10-alpha1 (escolha entre mídias clássicas, netinstall e live).
  2. Grave a ISO em um pendrive com IsoDumper no Mageia ou Rufus no Windows.
  3. Inicie em live session ou instale em uma máquina dedicada. Em alternativa, teste em uma VM para validar instalador e desktops rapidamente.
  4. Reporte bugs com o máximo de detalhes possível (logs, hardware, passos para reproduzir).
  5. Contribua com traduções e documentação, incluindo notas de lançamento e manuais.

Se você pretende validar integridade do download antes de gravar:

Bash
# Verifica o hash do arquivo baixado (compare com o valor publicado no espelho/página de download)
sha256sum Mageia-10-alpha1.iso

Qual mídia escolher

  • Classic install ISOs (32/64-bit): instalador DrakX, muitos pacotes e locais suportados, opção de desativar non-free. Há uma decisão explícita aqui: o instalador clássico não usa drivers não livres durante a instalação, então pode ser necessário Ethernet cabeada se você depender de drivers proprietários para rede e quiser usar repositórios online durante o processo.
  • Network install ISOs: imagem mínima que baixa os pacotes na hora. Há variantes free e non-free; a non-free pode ser necessária para certos drivers proprietários, como Wi-Fi. O texto também alerta que o netinstall não é adaptado para boot em EFI 32-bit.
  • Live ISOs: entrada mais rápida para testar Plasma, GNOME e Xfce, com suporte a persistência (inclusive criptografada), útil para testes repetidos.

FAQ

Mageia 10 Alpha é estável?

É um Alpha, então a expectativa é instabilidade e mudanças frequentes. O objetivo é testar, encontrar falhas e corrigir cedo. Para uso diário, a recomendação é aguardar Beta, RC e a versão final.

Quais os requisitos mínimos, especialmente em 32-bit?

Para 32-bit, o Mageia 10 exige CPU com SSE2 e a arquitetura passa a ser tratada como i686. CPUs sem SSE2 ficam sem suporte. Em 64-bit, o foco é x86_64 com suporte de hardware habilitado pelo kernel 6.6.

Mageia 10 suporta Wayland?

Sim. O GNOME 46 roda em Wayland por padrão. No Plasma, há suporte via instalação do pacote de sessão Wayland. Em NVIDIA com driver proprietário, o texto trata Wayland como prévia para testadores em condições específicas.

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