A internet está repleta de armadilhas cada vez mais sofisticadas, e uma das mais perigosas envolve domínios que parecem oficiais, mas não são. Um exemplo recente é o uso do endereço 7zip[.]com, que tem sido explorado em uma campanha maliciosa para distribuir o chamado malware 7-zip, colocando milhares de usuários em risco sem que percebam.
O golpe é particularmente eficaz porque atua de forma silenciosa. Após o download do suposto instalador, o sistema pode ser comprometido e transformado em um proxy residencial, permitindo que terceiros utilizem a conexão da vítima para atividades potencialmente ilegais.
O contexto torna o ataque ainda mais preocupante. O 7-Zip é um dos compactadores mais populares do mundo, amplamente utilizado por usuários de Windows, Linux e administradores de sistemas. Para ampliar o alcance da fraude, criminosos estão usando tutoriais no YouTube como isca, direcionando vítimas para o site falso em vez do endereço legítimo, 7-zip.org.
O golpe do domínio 7zip.com: Como a fraude acontece
A campanha do malware 7-zip começa com um detalhe fácil de ignorar: a diferença entre o site oficial 7-zip.org e o falso 7zip[.]com. À primeira vista, ambos parecem confiáveis. O design do site fraudulento é praticamente uma cópia fiel do original, com layout simples, links de download e aparência técnica que passa credibilidade.
Esse tipo de ataque é conhecido como typosquatting ou imitação de domínio. O objetivo é capturar usuários que digitam o endereço errado ou clicam em links presentes na descrição de vídeos e fóruns.
Depois que o visitante baixa o instalador adulterado, o arquivo executável inicia uma cadeia de infecção. Em vez de apenas instalar o compactador, ele introduz componentes maliciosos no sistema. Como o processo não exibe alertas evidentes, muitos usuários só descobrem o problema quando o computador apresenta comportamento estranho ou quando sua rede começa a sofrer lentidão incomum.

O que é o malware de proxy residencial e por que ele é perigoso
O malware 7-zip identificado nessa campanha transforma o computador da vítima em um proxy residencial. Na prática, isso significa que o dispositivo passa a funcionar como um intermediário para o tráfego de internet de terceiros.
Criminosos valorizam esse tipo de infraestrutura porque conexões residenciais são vistas como mais legítimas por serviços online. Isso permite mascarar atividades como criação de contas falsas, fraudes, envio de spam ou até ataques coordenados.
O maior risco é que todo esse tráfego fica associado ao endereço IP da vítima. Em situações mais graves, investigações podem inicialmente apontar para o proprietário da conexão.
Além disso, o consumo constante de banda pode degradar o desempenho da rede doméstica ou corporativa, afetando downloads, videoconferências e serviços críticos.
Arquivos maliciosos instalados (Uphero.exe, hero.exe, hero.dll)
Entre os sinais técnicos da infecção estão arquivos suspeitos como Uphero.exe, hero.exe e hero.dll. Esses componentes trabalham em conjunto para manter o proxy ativo e garantir persistência no sistema.
Normalmente, eles são configurados para iniciar automaticamente com o Windows, dificultando a remoção manual por usuários menos experientes.
Evasão de detecção e modificação de firewall
Outro aspecto preocupante do malware 7-zip é sua capacidade de evitar detecção. Algumas variantes podem alterar regras do firewall para liberar comunicação com servidores remotos.
Esse comportamento cria um canal permanente entre o computador comprometido e a infraestrutura dos atacantes. Em ambientes corporativos, isso pode representar uma porta de entrada para ameaças ainda mais graves.
Além do 7-Zip: Outras marcas sendo imitadas
Embora o foco atual seja o malware 7-zip, pesquisadores de segurança apontam que a campanha não se limita a um único software.
Instaladores falsos de aplicativos populares como WhatsApp, TikTok, HolaVPN e WireVPN também estariam sendo usados para distribuir ameaças semelhantes. A estratégia é clara: explorar marcas conhecidas para reduzir a desconfiança do usuário.
Esse padrão reforça uma lição importante em segurança digital: popularidade atrai ataques. Quanto mais utilizado um programa, maior a probabilidade de surgirem versões adulteradas.
Como se proteger e identificar a infecção
Evitar o malware 7-zip exige atenção a alguns hábitos simples, mas extremamente eficazes.
O primeiro passo é sempre verificar a URL antes de baixar qualquer software. O endereço oficial do 7-Zip continua sendo 7-zip.org. Pequenas variações podem indicar fraude.
Também é fundamental não confiar cegamente em links presentes na descrição de vídeos do YouTube ou em comentários de fóruns. Sempre que possível, digite o endereço manualmente no navegador.
Outra medida prática é verificar se existe o diretório C:\Windows\SysWOW64\hero\ no sistema. A presença dessa pasta pode indicar comprometimento.
Manter o sistema operacional atualizado e utilizar uma solução de segurança confiável também ajuda a bloquear ameaças antes que causem danos.
Para administradores de sistemas, vale monitorar tráfego incomum na rede e investigar qualquer aumento inesperado no consumo de banda.
Conclusão/impacto
O avanço do malware 7-zip mostra como ataques modernos dependem mais de engenharia social do que de falhas técnicas complexas. Um simples erro ao acessar um domínio pode ser suficiente para comprometer um computador.
A melhor defesa continua sendo a higiene digital: baixar programas apenas de fontes oficiais, conferir URLs com atenção e desconfiar de atalhos aparentemente convenientes.
Se este alerta foi útil para você, considere compartilhá-lo com amigos, colegas e familiares que costumam baixar softwares utilitários. Uma única informação pode evitar grandes prejuízos.
