Mercado de SoCs: Qualcomm cai e chips de IA crescem em 2026

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

Qualcomm e MediaTek perdem espaço enquanto Google e Samsung crescem com chips próprios e IA.

O mercado de SoCs para smartphones entrou em uma nova fase durante o primeiro semestre de 2026. Depois de anos em que Qualcomm e MediaTek dominaram praticamente todos os segmentos do ecossistema Android, um novo relatório da Counterpoint Research mostra uma mudança importante na dinâmica da indústria. A retração nas remessas globais de processadores para smartphones, combinada com o avanço dos chips desenvolvidos pelas próprias fabricantes, indica que o setor vive uma transformação estratégica.

Ao mesmo tempo, a indústria enfrenta outro desafio significativo: o forte aumento no custo das memórias DRAM e NAND, impulsionado pela crescente demanda por aplicações de Inteligência Artificial Generativa. Esse cenário elevou os custos de produção dos smartphones e obrigou fabricantes a reverem projetos, margens de lucro e estratégias de fornecimento.

Neste artigo, analisamos como a queda de aproximadamente 15% nas remessas globais de SoCs no primeiro semestre de 2026 reflete mudanças profundas no mercado, por que Google e Samsung vêm ganhando espaço com seus processadores proprietários e de que forma a corrida pela IA embarcada está redefinindo o futuro dos smartphones Android.

O mercado de SoCs passa por uma mudança estrutural

Durante anos, o mercado foi sustentado principalmente por fabricantes que dependiam de plataformas fornecidas por empresas como Qualcomm e MediaTek. Entretanto, o primeiro semestre de 2026 mostrou que esse modelo começa a perder força.

Segundo o levantamento da Counterpoint Research, as remessas globais de SoCs para smartphones registraram retração de aproximadamente 15% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A desaceleração do mercado, somada ao aumento dos custos dos componentes e à maior cautela dos fabricantes em relação aos estoques, contribuiu diretamente para esse resultado.

Outro fator importante é que diversas fabricantes passaram a investir em maior verticalização, reduzindo a dependência de fornecedores externos. Desenvolver um processador próprio deixou de ser apenas uma questão de diferenciação tecnológica e passou a representar uma vantagem competitiva em custos, integração de software e recursos exclusivos de IA.

Como consequência, o mercado de SoCs tornou-se mais diversificado, diminuindo a concentração que durante muitos anos favoreceu poucas empresas.

Imagem de fachada da Qualcomm

Queda de remessas e o avanço dos chips proprietários no mercado de SoCs

Embora Qualcomm e MediaTek continuem sendo líderes do setor, ambas perderam participação relativa durante o primeiro semestre de 2026.

No segmento premium, muitos fabricantes reduziram os volumes produzidos devido ao aumento expressivo do custo dos componentes. Em paralelo, empresas que antes dependiam quase exclusivamente de chips de terceiros passaram a investir fortemente em soluções próprias.

Esse movimento altera a dinâmica competitiva do setor porque reduz o mercado potencial para fornecedores tradicionais e fortalece ecossistemas totalmente integrados entre hardware, software e inteligência artificial.

Além disso, os novos processadores deixam de competir apenas em desempenho bruto. Hoje, recursos como NPU dedicada, eficiência energética, processamento local de IA e integração com assistentes inteligentes tornaram-se critérios decisivos.

O avanço do Google Tensor e Samsung Exynos

Entre os maiores beneficiados dessa mudança estão os chips Google Tensor e Samsung Exynos.

O Google continua expandindo sua estratégia de desenvolver processadores específicos para a linha Pixel, priorizando recursos de IA generativa executada localmente, fotografia computacional e integração profunda com o Android.

Essa abordagem permite otimizar funções como:

  • Resumo inteligente de conteúdo
  • Assistentes de voz mais rápidos
  • Tradução em tempo real
  • Processamento de imagem baseado em IA
  • Recursos avançados de segurança

Já a Samsung ampliou a utilização dos Exynos em diferentes mercados, reduzindo gradualmente sua dependência de fornecedores externos e buscando maior controle sobre custos e cronogramas de produção.

Essa estratégia também fortalece a capacidade de integrar funcionalidades exclusivas da Galaxy AI, tornando hardware e software cada vez mais interdependentes.

O resultado é um crescimento consistente dos processadores proprietários justamente em um momento em que o restante do mercado enfrenta retração.

A surpresa da UNISOC e a busca por eficiência em custos

Enquanto os segmentos premium enfrentam desaceleração, a UNISOC aparece como uma das empresas que mais se beneficiaram da busca por soluções de menor custo.

A fabricante ampliou sua presença principalmente em smartphones de entrada e intermediários básicos, oferecendo plataformas suficientemente competitivas para mercados emergentes.

Com fabricantes buscando preservar margens diante da inflação dos componentes, os chipsets da UNISOC passaram a representar uma alternativa interessante para aparelhos voltados ao consumidor que prioriza preço.

Esse movimento mostra que o mercado não está apenas migrando para chips mais sofisticados, mas também se reorganizando em torno da eficiência econômica.

A crise das memórias muda o mercado de SoCs

Um dos fatores mais relevantes de 2026 foi a explosão nos preços das memórias utilizadas nos smartphones.

Em alguns contratos industriais, os custos de determinados módulos de DRAM registraram aumentos que chegaram a aproximadamente 300% em relação aos níveis anteriores, pressionando toda a cadeia de produção.

Esse aumento foi impulsionado por diversos fatores, entre eles:

  • Maior demanda da indústria de IA
  • Capacidade limitada de fabricação
  • Expansão dos data centers
  • Maior consumo de memória pelos modelos generativos
  • Reorganização da cadeia global de semicondutores

Na prática, a memória passou a representar uma parcela significativamente maior do custo total de fabricação dos smartphones.

Como consequência, fabricantes precisaram rever especificações técnicas, reduzir margens ou elevar preços para manter a rentabilidade.

Mesmo empresas que utilizam processadores próprios não ficaram totalmente imunes, já que a memória continua sendo um dos componentes mais caros de qualquer smartphone moderno.

O crescimento dos SoCs focados em IA generativa

Enquanto o mercado total apresentou retração, uma categoria específica continuou crescendo: os SoCs desenvolvidos para Inteligência Artificial Generativa.

Segundo o relatório, as remessas de processadores com aceleração dedicada para IA cresceram cerca de 24% no primeiro semestre de 2026.

Essa evolução demonstra que o foco da indústria mudou.

Hoje, fabricantes disputam não apenas benchmarks tradicionais, mas também capacidades relacionadas a:

  • Execução local de modelos de IA
  • NPUs mais potentes
  • Processamento multimodal
  • Inferência em tempo real
  • Eficiência energética durante tarefas inteligentes

Esse cenário também prepara o terreno para futuros lançamentos, incluindo a próxima geração da linha Pixel, que deve ampliar ainda mais o uso de recursos de IA executados diretamente no dispositivo, reduzindo a dependência da nuvem.

Para consumidores, isso significa experiências mais rápidas, maior privacidade e menor latência em funções inteligentes.

O que isso significa para o futuro do ecossistema Android

A transformação observada em 2026 vai muito além de uma simples redução nas remessas de processadores.

Ela representa uma mudança estrutural na forma como os fabricantes enxergam seus smartphones.

Cada vez mais, empresas como Google e Samsung procuram controlar toda a experiência do usuário, desde o desenvolvimento do chipset até os recursos de inteligência artificial presentes no sistema operacional.

Para Qualcomm e MediaTek, o desafio passa a ser oferecer plataformas que continuem atraentes diante da crescente verticalização do mercado.

Ao mesmo tempo, consumidores podem enfrentar aparelhos mais caros devido ao aumento dos custos de memória e à incorporação de hardware especializado para IA. Em contrapartida, os novos dispositivos prometem experiências mais inteligentes, maior eficiência energética e funcionalidades que antes dependiam exclusivamente da computação em nuvem.

O mercado de SoCs está entrando em uma nova fase, marcada por maior integração entre hardware e software, investimentos pesados em IA generativa e uma disputa cada vez mais intensa pelo controle da experiência completa do usuário.

A pergunta que permanece é: os chips proprietários conseguirão reduzir de forma definitiva a hegemonia dos tradicionais Snapdragon, ou ainda haverá espaço para os grandes fornecedores independentes liderarem a próxima geração de smartphones Android?

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.