No início de fevereiro de 2026, a luta histórica entre o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) e o Google ganhou um novo capítulo. Depois de anos de disputa judicial sobre o monopólio do Google no mercado de buscas, o governo federal e vários estados entraram com um recurso cruzado contra a decisão do juiz Amit Mehta, que em setembro de 2025 havia definido os termos de como a gigante de tecnologia deveria ajustar sua conduta após ser considerada monopolista. Essa nova fase promete redefinir o futuro do buscador mais usado do mundo e pode mexer com relações bilionárias como o acordo Apple e Google nos dispositivos da marca da maçã.
O que estava decidido: a vitória parcial do Google em 2025
Em 2024, o julgamento antitruste movido pelo Departamento de Justiça EUA Google terminou com uma sentença marcante: o juiz Amit Mehta concluiu que o Google havia mantido ilegalmente um monopólio no mercado de buscas e de publicidade de pesquisa, violando a lei antitruste americana. Essa sentença foi um momento histórico, pois reconheceu em termos legais aquilo que muitos críticos da Big Tech já apontavam há anos.
Entrou então uma fase de remédios, ou seja, a parte do processo em que se decide como o Google deveria ser penalizado ou obrigado a mudar sua forma de operar. Durante essa fase, foram discutidas propostas severas do governo, como a divisão de unidades de negócios e a proibição de acordos que impedissem concorrentes de crescerem.
Quando a decisão dos remédios saiu em setembro de 2025, porém, muitos ficaram surpresos com o resultado. O juiz Mehta permitiu que o Google continuasse pagando para ser o mecanismo de busca padrão em navegadores como o Safari da Apple, embora tivesse que acabar com exclusividades e fornecer acesso a seus dados de busca e interação para concorrentes em potencial.
Esse acordo permitiu que o Google mantivesse grande parte das suas relações comerciais e fluxos de receita, inclusive com a Apple, que recebe bilhões por manter o buscador como padrão em milhões de iPhones.

Por que o governo dos EUA não está satisfeito
Apesar de ter vencido a fase de mérito do processo e ter obtido o reconhecimento de que o Google atuou como um monopolista, o DOJ e vários estados consideraram a decisão sobre os remédios branda demais. Eles queriam medidas mais duras que efetivamente diminuíssem o poder dominante do Google no mercado de buscas e publicidade, como a venda de partes estratégicas do negócio e uma proibição mais severa de acordos que favoreçam o gigante de Mountain View em relação a seus concorrentes.
O recurso cruzado apresentado agora em 2026 busca justamente isso: contestar a decisão do juiz sobre os remédios e empurrar a corte de apelações para adotar uma postura mais rígida. O DOJ argumenta que simplesmente exigir compartilhamento de dados e encerrar exclusividades com parceiros ainda deixa o Google com ferramentas poderosas para sufocar concorrentes.
Esse pedido de revisão é um movimento estratégico, pois reflete a frustração do governo americano com a atual estrutura de soluções, que não garante, na visão dos procuradores, um ambiente verdadeiramente competitivo. A expectativa é que, mesmo que a decisão de apelação não venha rapidamente, isso adie a implementação de qualquer mudança significativa e mantenha a discussão em foco nos tribunais e na opinião pública.
O papel da inteligência artificial na disputa
Um dos elementos que tornou o caso ainda mais complexo nos últimos anos foi o surgimento acelerado de IA generativa. Produtos como o Gemini, da Alphabet, e iniciativas próprias da Apple, como o Apple Intelligence, começaram a difuminar as fronteiras entre mecanismos de busca tradicionais e experiências de inteligência artificial que respondem diretamente às consultas dos usuários.
O juiz Mehta levou isso em conta quando permitiu que o Google continuasse a integrar suas tecnologias de IA em seus produtos, desde que não firmasse acordos exclusivos que impedissem terceiros de distribuir suas próprias soluções de IA. Essa nuance foi importante para justificar a decisão sobre os remédios, mas também uma das razões pelas quais o governo quer uma revisão mais robusta.
O argumento do DOJ é que, se grandes empresas conseguem combinar sua posição dominante em busca tradicional com poderosos sistemas de IA generativa, o mercado pode se tornar ainda mais inacessível para concorrentes menores ou novos entrantes. Isso poderia consolidar o controle do Google sobre grande parte do tráfego de pesquisa e a monetização de dados, perpetuando o monopólio do Google de forma ainda mais profunda.
O que muda para o usuário final
Para quem usa iPhone ou Android, as consequências desse recurso ainda estão longe de se materializar, pois esse tipo de apelação pode levar meses ou até anos até ser decidido por uma corte superior nos Estados Unidos.
Se o recurso do DOJ for bem-sucedido em partes substanciais, poderemos ver mudanças concretas, como a possibilidade de telas de escolha obrigatórias, onde usuários escolhem seu mecanismo de busca preferido ao configurar o dispositivo. Isso já aconteceu em mercados como a União Europeia, mas ainda não foi imposto de forma ampla nos EUA.
Outro ponto seria a possibilidade de novos acordos anuais de concorrência, que forcem empresas como a Apple a licenciar múltiplos motores de busca como padrão, abrindo espaço para alternativas como Bing, DuckDuckGo ou mecanismos baseados em IA que competem diretamente com o Google.
A concorrência ficaria mais presente, pois empresas que hoje dependem do tráfego do Google teriam mais chances de crescer e inovar, sobretudo no campo da IA generativa, que promete redefinir como as pessoas buscam e consomem informação online.
Conclusão impacto
O novo recurso apresentado pelo Departamento de Justiça dos EUA contra a decisão do juiz Amit Mehta representa um momento crítico na longa batalha antitruste contra o Google. Essa disputa, que começou há mais de cinco anos, ainda não tem um fim à vista e mostra o quão difícil é regular empresas poderosas em um mundo digital em rápida evolução.
Para usuários, profissionais de tecnologia e defensores da privacidade digital, essa fase pode significar uma chance real de ver mais diversidade no mercado de buscas e inovações que não dependam do ecossistema de uma única empresa dominante.
E você, leitor, acha que o atual sistema de justiça dos EUA deve impor regras mais rígidas para empresas como o Google ou a simples abertura de mercado já seria suficiente para trazer mais concorrência? Deixe sua opinião nos comentários!
