Um usuário enviou seu notebook gamer Lenovo Legion 5 equipado com 64 GB de memória RAM para um reparo em garantia devido a falhas no sistema e recebeu a máquina de volta com apenas 32 GB instalados. O caso, relatado no Reddit e confirmado por documentos da assistência técnica, ilustra um problema comum, mas pouco discutido: o conflito entre atualizações de hardware feitas por lojas de terceiros e as especificações oficiais mantidas pelas fabricantes originais.
O usuário, identificado como GRINZ_DOCTOR, comprou o equipamento por meio do marketplace da Best Buy.O notebook funcionou perfeitamente por oito meses até começar a apresentar telas azuis (BSOD) recorrentes. Ao acionar a garantia da loja, o reparo foi concluído com a remoção de um dos módulos de 32 GB, sob a justificativa de que o modelo possui um limite de fábrica para essa capacidade.O módulo removido não foi retido pela empresa;ele foi devolvido ao cliente em uma embalagem separada.
O que isso muda na prática
Para consumidores que compram notebooks em marketplaces de grandes varejistas, é fundamental verificar se o equipamento está sendo vendido pela fabricante oficial ou por uma loja terceira. Muitos vendedores independentes compram notebooks novos, abrem as máquinas, instalam mais memória RAM ou armazenamento, e os revendem como versões mais potentes.
O risco dessa prática surge no momento de acionar a garantia. Centros de reparo autorizados seguem estritamente as fichas técnicas oficiais da fabricante. Se a documentação da marca indicar que o notebook suporta no máximo 32 GB, qualquer peça que exceda esse limite pode ser tratada como não suportada e removida durante a bateria de testes de estabilidade.
O conflito entre o upgrade de terceiros e a fabricante
O equipamento em questão é um Lenovo Legion 5 (modelo 15IRX10) configurado com um processador Intel Core i9-14900HX e uma placa de vídeo RTX 5070 para notebooks. O usuário o adquiriu de um vendedor chamado PC Heaven através do site da Best Buy.

Tecnicamente, processadores de última geração da Intel suportam capacidades de memória muito superiores a 32 GB, frequentemente chegando a 192 GB em DDR5, dependendo da placa-mãe. O notebook também conta com dois slots físicos SO-DIMM.No entanto, a documentação oficial da Lenovo para o modelo específico lista o máximo suportado como 32 GB.
Isso ocorre porque a fabricante certifica e testa o dispositivo apenas até aquela capacidade específica, garantindo a estabilidade térmica e elétrica do sistema. Ao realizar o upgrade para 64 GB, o vendedor terceirizado entregou uma máquina mais robusta, mas que operava fora do escopo validado pela Lenovo.
Por que a memória foi removida?

O sintoma original relatado pelo cliente eram falhas de tela azul. Nas notas de reparo da Best Buy, os técnicos registraram que a máquina passou em todos os testes de diagnóstico apenas depois que o segundo módulo de memória foi retirado.
Essa ação sugere duas hipóteses técnicas:
- O módulo de memória adicional apresentava defeito físico e causava as falhas no sistema.
- Havia uma instabilidade no canal de memória da placa-mãe ao lidar com os 64 GB sob certas condições de temperatura ou tensão, o que fez os técnicos reverterem o notebook para a especificação original máxima aprovada (32 GB) para estabilizar o sistema.
Como os técnicos operam com base nas planilhas de especificações oficiais da fabricante, a remoção da peça não certificada foi o procedimento padrão adotado para “consertar” o travamento.
