Nvidia Tegra410: novo patch traz telemetria avançada para o kernel Linux

Telemetria total: Nvidia traz sensores de precisão para o Tegra410 no kernel Linux!

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
  • Visão de raio-x: novos drivers permitem monitorar o Unified Coherence Fabric (UCF), revelando como o cache de último nível se comporta sob carga.
  • Foco em latência: suporte específico para medir o tempo de resposta entre o chip e a memória DRAM, essencial para otimizar aplicações de IA.
  • Conectividade de ponta: inclusão de monitores para NVLink-C2C e barramentos CXL, garantindo telemetria em interconexões chip-to-chip.
  • Correção e padronização: a série v2 resolve conflitos de nomes de gerações anteriores (Tegra241 vs Tegra410) e corrige dependências de ACPI.
  • Integração nativa: os patches já preparam o defconfig do ARM64, facilitando a adoção imediata por distribuições linux.

O desenvolvedor Besar Wicaksono, da NVIDIA, enviou hoje (18 de fevereiro de 2026) a segunda versão de uma série de patches que expande significativamente a capacidade de monitoramento de performance para o SoC Tegra410. O foco aqui são as chamadas Uncore PMUs (Performance Monitoring Units), que são sensores de hardware localizados fora dos núcleos de processamento, responsáveis por medir o “trânsito” de dados entre a memória, o cache e os barramentos de alta velocidade.

O que são Uncore PMUs e por que elas importam?

Se os núcleos da CPU são os motores de um carro, as unidades “Uncore” são as rodovias e postos de gasolina. Não adianta ter um motor potente se o combustível (dados) demora a chegar ou se as estradas estão engarrafadas.

As novas PMUs incluídas para o Tegra410 permitem que engenheiros e administradores de sistemas utilizem a ferramenta perf do Linux para enxergar exatamente onde estão os gargalos em servidores de alto desempenho e sistemas de IA.

Os novos componentes monitorados

A série de patches adiciona suporte para uma vasta gama de interfaces, incluindo:

ComponenteFunção de monitoramento
Unified Coherence Fabric (UCF)Mede o tráfego no cache de último nível (LLC) e a interconexão coerente.
PCIe e PCIE-TGTMonitora largura de banda e latência de dispositivos PCIe e memórias CXL.
CMEM LatencyMede o tempo que um pedido leva para ir do cache até a memória DRAM local.
NVLink-C2CFocado na interconexão entre chips (SoC para GPU ou SoC para SoC).
NV-DLinkEspecializado em monitorar leituras de memória CXL via interface DLink.

Fórmulas de performance no kernel

O patch também documenta como os usuários devem calcular as métricas. Por exemplo, para medir a latência média no subsistema de memória, a fórmula sugerida utiliza os novos contadores:

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Nvidia Tegra410: novo patch traz telemetria avançada para o kernel Linux 3

Curiosidades e bastidores da discussão

Durante a troca de e-mails na LKML, Besar Wicaksono revelou alguns detalhes interessantes sobre o processo de desenvolvimento:

  • Limpeza de casa: O desenvolvedor renomeou documentos antigos que eram genéricos como “nvidia-pmu” para “nvidia-tegra241-pmu”. O motivo? Evitar confusão, já que o Tegra410 é uma fera diferente e precisava de sua própria documentação dedicada para não misturar as métricas de hardware de gerações distintas.
  • A ajuda dos robôs: Besar agradeceu ao “kernel test robot” por detectar um erro de compilação na versão anterior (v1). O erro acontecia porque o monitor de latência de memória (CMEM) tentava ser compilado em sistemas sem suporte a ACPI, uma dependência vital para esse hardware específico da Nvidia em arquitetura ARM64.
  • Refinamento de pares: Houve um foco especial na formatação do código após sugestões de outro dev, Ilkka Koskinen. Isso mostra que, mesmo em drivers de hardware proprietário, a comunidade preza pela legibilidade e padronização que o Linux exige.

Status de lançamento

Os patches estão na v2 e já incluem o selo de “revisado” por membros da comunidade. Como Besar também incluiu a ativação desses drivers no defconfig da arquitetura ARM64, a expectativa é que, assim que aprovados, eles se tornem o padrão para qualquer distribuição rodando em hardware Nvidia de última geração em 2026.

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Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre GNU/Linux, Software Livre e Código Aberto, dedica-se a descomplicar o universo tecnológico para entusiastas e profissionais. Seu foco é em notícias, tutoriais e análises aprofundadas, promovendo o conhecimento e a liberdade digital no Brasil.