O segredo das ISOs Linux: A história e o poder do SquashFS

Descubra como o SquashFS permite rodar sistemas inteiros a partir de imagens comprimidas no Kernel!

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
  • O SquashFS é um sistema de arquivos de leitura compactado essencial para reduzir o tamanho de ISOs e rodar sistemas Live.
  • Durante o boot, o Kernel monta o arquivo filesystem.squashfs na RAM para permitir a execução sem instalação prévia.
  • Algoritmos como Zstd e XZ definem o equilíbrio entre a máxima economia de espaço e a velocidade de inicialização do sistema.
  • Historicamente, a tecnologia evoluiu do cloop (usado no Knoppix) para se tornar o padrão nativo e eficiente do ecossistema Linux.
  • Com o pacote squashfs-tools, usuários podem extrair e customizar imagens do sistema usando os comandos unsquashfs e mksquashfs.

O SquashFS Linux é o motor invisível que permite que imagens de instalação modernas caibam em dispositivos pequenos enquanto entregam gigabytes de dados. Essa tecnologia de sistema de arquivos de leitura compactada é o que viabiliza o funcionamento de distribuições famosas, transformando arquivos pesados em pacotes extremamente eficientes para o Kernel logo no início do boot.

Seja em uma ISO minimalista de 200 MB ou em uma imagem completa de 5 GB, o SquashFS atua como um container de alta densidade. Ele organiza binários, bibliotecas e toda a estrutura de diretórios de forma estática, sendo o componente vital para o funcionamento de ambientes Live e sistemas que exigem alta performance em mídias de armazenamento limitado.

O contexto do cenário atual

A existência do SquashFS está ligada a uma necessidade histórica de superação física. No início dos anos 2000, o limite de 700 MB dos CDs era um gargalo para desenvolvedores. Uma curiosidade pouco conhecida é que o precursor dessa lógica foi o cloop, popularizado pelo lendário Knoppix. Foi a necessidade de colocar um sistema gráfico completo dentro de um disco óptico que impulsionou a criação de sistemas de arquivos comprimidos. O SquashFS eventualmente venceu essa corrida tecnológica por ser mais rápido e integrado nativamente ao Kernel.

O que isso significa na prática

  • Para o usuário comum: Viabiliza o uso de sistemas robustos em pendrives, garantindo que ferramentas pesadas sejam carregadas rapidamente sem a necessidade de expansão prévia no disco rígido.
  • Para profissionais/empresas: Reduz drasticamente o consumo de banda em servidores de download e facilita a criação de infraestruturas imutáveis em nuvem ou via PXE.

Funcionamento técnico no Live Boot

Durante a inicialização, o Kernel localiza o arquivo filesystem.squashfs na mídia. Para tornar o ambiente utilizável e gravável (mesmo sendo uma mídia de leitura), o sistema utiliza o Casper (padrão no Ubuntu) ou o Dracut para gerenciar uma camada de sobreposição chamada OverlayFS. O Kernel lê os dados comprimidos, descompacta-os na RAM sob demanda e apresenta ao usuário uma estrutura de diretórios funcional, protegendo o núcleo do sistema contra modificações permanentes.

Poder do Zstd e XZ

A versatilidade do SquashFS cresceu com o suporte a múltiplos algoritmos de compressão. O XZ ainda é amplamente utilizado quando o objetivo é a economia máxima de espaço, comum em ISOs de recuperação de desastres. Contudo, o Zstd, desenvolvido pela Meta, tornou-se o novo padrão de ouro. Ele oferece uma velocidade de descompressão significativamente maior, o que reduz o tempo de carregamento do sistema em hardware moderno sem sacrificar a densidade dos dados.

Para quem deseja explorar esses arquivos, o pacote squashfs-tools é a ferramenta essencial. Através do comando unsquashfs, um administrador pode abrir a ISO, injetar drivers ou scripts personalizados e, posteriormente, utilizar o comando mksquashfs para selar a nova imagem personalizada, mantendo a integridade e a compactação original.

Sistemas imutáveis e segurança

O futuro dessa tecnologia aponta para sistemas operacionais totalmente imutáveis. Com o aumento da preocupação com segurança, rodar o núcleo do sistema a partir de um volume SquashFS garante que arquivos vitais do SO não sejam alterados por malwares, já que o sistema de arquivos é inerentemente de “apenas leitura”. Essa abordagem, vinda das ISOs de instalação, está se tornando a arquitetura padrão para workstations modernas e servidores de alta disponibilidade.

Compartilhe este artigo
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre GNU/Linux, Software Livre e Código Aberto, dedica-se a descomplicar o universo tecnológico para entusiastas e profissionais. Seu foco é em notícias, tutoriais e análises aprofundadas, promovendo o conhecimento e a liberdade digital no Brasil.