O trabalho de upstream para o OpenWrt One deu um passo importante no ciclo de revisões do kernel Linux, com sinais claros de convergência para o mainline. Em uma resposta pública na lista do kernel, o maintainer AngeloGioacchino Del Regno afirmou que já pegou os patches de DTS da série voltada ao dispositivo e que o conjunto está pronto para merge.
O ponto que ainda depende de outro subsistema é o patch de dt-bindings para PCI, que adiciona o compatible string mediatek,mt7981-pcie. Angelo solicita explicitamente que os maintainers de PCI peguem esse item, um detalhe que ilustra bem como o upstreaming de hardware moderno costuma cruzar várias árvores de manutenção.
O que a série muda, na prática
A série [PATCH v5 0/8] arm64: dts: mediatek: Add Openwrt One AP functionality descreve, em blocos, a habilitação do hardware via Device Tree. Pelos próprios assuntos dos patches, o pacote cobre:
- PCIe e USB, incluindo patch para “add” e outro para “enable” em DTS
- Ethernet e WiFi offload, também com etapa de habilitação no DTS do board
- Ajustes de WiFi em três momentos, desabilitar por padrão, reservar região de memória e habilitar no board
No lado de bindings, o patch dt-bindings: PCI: mediatek-gen3: Add MT7981 PCIe compatible altera o arquivo Documentation/devicetree/bindings/pci/mediatek-pcie-gen3.yaml. Ele adiciona mediatek,mt7981-pcie e declara que o controlador PCIe do MT7981 é compatível com o do MT8192, simplificando o encaixe no binding já existente.
Por que isso importa para administradores de rede e para hardware aberto
Quando um board e seu SoC passam a ser descritos corretamente em DTS e dt-bindings upstream, o ganho é menos glamour e mais previsibilidade operacional. Isso costuma significar menos “delta” de patches para manter, e mais facilidade para acompanhar atualizações do kernel com menor risco de regressões específicas do vendor.
Para o ecossistema OpenWrt, esse tipo de trabalho tende a reduzir fricção em integrações e a aproximar o dispositivo de um cenário em que kernels mais genéricos conseguem inicializar o hardware com base na descrição padronizada. Em termos práticos, é um passo na direção de rodar com mais naturalidade em um kernel upstream, em vez de depender de árvores paralelas.
O que falta para virar mainline de fato
Pelo que a própria mensagem indica, o gargalo imediato está no lado de PCI: o patch de binding precisa ser pego pelos maintainers do subsistema. Na prática, esse tipo de dependência é comum, a descrição do hardware no DTS pode estar pronta, mas a “linguagem” oficial do hardware, o binding, precisa estar aceita para manter consistência e validação.
O sinal positivo é que o maintainer do lado MediaTek afirma que os DTS já foram “picked” e que a série está pronta para merge. Com o mediatek,mt7981-pcie aceito no fluxo de PCI, o caminho para consolidar esse suporte no kernel upstream fica substancialmente mais curto.
