Pesquisa aponta que a maioria das empresas não escuta os colaboradores sobre novos modelos de trabalho

De acordo com a nova edição da TRS da Mercer, além das questões relacionadas à flexibilidade, decisões pessoais, esgotamento e exaustão estão entre os motivos para aumento do turnover

Emanuel Negromonte
5 minutos de leitura

De acordo com a nova Pesquisa de Remuneraçao Total (TRS) da Mercer, 59% das empresas não realizaram pesquisa para saber a preferência dos colaboradores sobre o modelo de retomada de trabalho. As decisões relativas ao retorno pós-pandemia foram tomadas apenas pela liderança, ainda que 71% das empresas tenham afirmado o quanto percebem que o trabalho remoto acelerou a transformação digital interna.

Para Antonio Salvador, Líder de Carreira da Mercer Brasil, esses números acendem um alerta importante.

Se as empresas não escutarem o que os colaboradores têm a dizer, a insatisfação e o turnover continuarão crescendo.

afirma o executivo

Para haver uma forma de escuta estruturada, os RHs precisam desenhar jornadas e construir indicadores não apenas uma vez ao ano, para que as respostas aos anseios dos talentos sejam mais ágeis e adequadas.

complementa.

O estudo mostra que à medida que o foco das empresas passa a ser o engajamento dos profissionais em contratos feitos a partir do estilo de vida almejado, flexibilidade se torna um aspecto decisivo. Prova disso é que 83% das empresas consideram implementar o trabalho flexível em maior escala do que antes da pandemia e 94% dizem que a produtividade permaneceu a mesma ou melhorou desde que os funcionários passaram a trabalhar remotamente.

A pesquisa aponta que o turnover voltou a crescer e atingiu 10%, mesmo percentual de 2019, e diferente nos dois anos de pandemia, que registrou 7%. O nível executivo tem sido o que mais recebe notificação de demissões das empresas, chegando a 10% em 2022, ainda mais se comparado aos últimos três anos, quando a taxa era entre 4% e 5%. Os especialistas, como analista Sr., Pl e Jr. foram os níveis que mais pediram desligamento.

Os principais motivadores para o turnover foram relacionados ao salário atual ou a buscar aumento em outra empresa, com 77%. Em seguida, com 55%, aparecem motivos pessoais, depois 40% por conseguir novas oportunidades em função diferente no mesmo setor; 36% esgotamento e e/ou exaustão; e 31% pelo descontentamento das políticas de trabalho remoto e híbrido da empresa. Assim como em 2021, o gênero feminino tem saído menos da empresa e principalmente quando forma é de forma involuntária, 58% da rotatividade foi do gênero masculino

Em relação aos cargos na área de tecnologia, 70% são do gênero masculino, e a remuneração fixa cresceu 3,1pp mais que outras carreiras, considerando todos os níveis. A geração Y continua ocupando a maior parte dos cargos na área, com 59%, geração X com 28%, geração Z com 9%, e geração BB, com apenas 3%. Se comparada a 2021, a amostra de pessoas nesses cargos aumentou quase 50%.

O Brasil tem muito espaço para contratação e investimento, mesmo com a perspectiva de baixo crescimento do PIB. O mercado de tecnologia é um dos melhores exemplos, principalmente porque ainda temos um gap muito grande entre oferta e procura de profissionais da área.

afirma Rafael Ricarte, líder da área de produtos de carreira da Mercer Brasil.

Além disso, a pesquisa demonstrou que houve um aumento de especialização nos níveis executivos e gerenciais para carreiras de tecnologia, que até o ano passado acabaram ficando mais nos cargos generalistas de TI/Digital.

Complementa o executivo

Segmentos

Realizada anualmente, a Pesquisa de Remuneração Total (TRS, na sigla em inglês) 2022, da Mercer, tem o objetivo de ajudar as empresas a definir a melhor estratégia de remuneração e de Recursos Humanos e, assim, se adaptar com agilidade e embasamento confiável às novas realidades, abrangendo indústrias com significativa representatividade global, como Manufatura, Bens de Consumo, Alta Tecnologia, Life Sciences, Varejo e Atacado.

A pesquisa contou com a participação de mais de 40 mil empresas, de mais de 140 países. No total, 862 empresas brasileiras participaram.

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Fundador do SempreUPdate. Acredita no poder do trabalho colaborativo, no GNU/Linux, Software livre e código aberto. É possível tornar tudo mais simples quando trabalhamos juntos, e tudo mais difícil quando nos separamos.