Finalmente: instalador oficial do Adobe Creative Cloud volta a rodar no Linux via Wine

Wine recebe patches históricos para rodar instalador da Adobe.

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...

Se você usa Linux no dia a dia e ainda mantém um Windows “só por causa do Photoshop”, esta notícia mexe com um ponto sensível: a barreira mais irritante não era nem abrir o app, era instalar. Por anos, rodar versões mais novas do Photoshop no Linux virou sinônimo de gambiarra: instalava no Windows (muitas vezes numa VM) e depois copiava os arquivos para dentro do prefix do Wine.

Agora apareceu uma mudança que pode encurtar esse caminho de vez.

Um conjunto de patches recém-enviado ao Wine promete fazer o que a comunidade pede há tempo: permitir que o instalador oficial do Adobe Creative Cloud rode no Linux e conclua a instalação do Photoshop, incluindo o Photoshop 2021 e o Photoshop 2025. Para muita gente, isso não é detalhe técnico, é liberdade prática: menos dependência do Windows, menos dual-boot, menos “ambiente paralelo” só para um aplicativo.

O bloqueio tinha uma origem bem específica. Desde 2018, a Adobe mudou o instalador e passou a depender de um Internet Explorer embutido, algo que o Wine não suporta. Resultado: o instalador travava, e o Linux continuava preso ao roteiro da VM e do copia e cola.

Os patches, feitos por um desenvolvedor conhecido como PhialsBasement, atacam justamente esse gargalo. A explicação completa é mais profunda, mas o resumo é simples: ajustes envolvendo JavaScript e XML para lidar melhor com dados XML mais permissivos e “amigáveis ao IE”, que batem de frente com parsers mais estritos no Linux, como o libxml2. Na prática, é o tipo de correção que não aparece na interface, mas que derruba a porta que estava trancada.

O que muda na prática

  • O instalador oficial passa a rodar no Linux, o que elimina o passo mais chato do processo (instalar no Windows e copiar arquivos para o Wine).
  • Photoshop 2021 aparece como o cenário mais promissor: o próprio autor do patch descreve a experiência como “muito lisa” no uso.
  • Photoshop 2025 ainda é uma montanha-russa: há relatos de resultados mistos, com mais fricção e menos previsibilidade.
  • Ainda não é “clicar e instalar”: os patches foram enviados recentemente e não estão no Wine estável. Para testar agora, você precisa compilar o Wine a partir do código-fonte com os patches aplicados.

E tem um ponto importante para alinhar expectativa: conseguir instalar é só a primeira metade do caminho. Instalar o Photoshop e rodar bem sob carga real de trabalho são duas histórias diferentes. Mesmo assim, tirar o instalador da lista de bloqueios já muda o jogo, porque remove o requisito de “ter um Windows por perto” só para preparar a instalação.

O timing também é simbólico: com o fim do suporte do Windows 10 deixando muito hardware “encostado”, iniciativas assim empurram o ecossistema para um cenário em que migrar para Linux fica menos traumático, especialmente para quem vive de criação e depende de ferramentas específicas.

Isso vai agradar todo mundo? Não. Tem quem prefira alternativas livres e leves, como GIMP, Krita e Pinta, e até opções web como Photopea. Ainda assim, para uma parcela de profissionais, o “Photoshop do trabalho” continua sendo uma exigência, não uma preferência.

Se você quer acompanhar e testar, a recomendação é cautela: isso ainda está no terreno de experimentação, com recompilação e riscos de instabilidade. Para acessar o código-fonte e tentar por sua conta e risco, procure o repositório do autor no GitHub (PhialsBasement), onde ele disponibiliza o Wine com os patches aplicados.

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