Preço dos smartphones sobe com crise da memória e IA

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

Alta nos custos de memória impulsionada pela IA pode encerrar a era dos smartphones baratos

O debate sobre o preço dos smartphones ganhou um novo e preocupante capítulo após declarações recentes de Carl Pei, CEO da Nothing, que expôs publicamente uma pressão silenciosa que vem afetando toda a indústria móvel. Segundo ele, a explosão na demanda por componentes de memória, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, está alterando profundamente a estrutura de custos dos dispositivos.

O que antes era uma disputa por inovação e câmeras melhores agora se tornou uma corrida por chips de memória. A memória RAM e os módulos de armazenamento estão ficando drasticamente mais caros, com aumentos que já impactam diretamente o custo do celular final para o consumidor. Em alguns casos, a alta chega a multiplicar por quatro o valor desses componentes em poucos ciclos de produção.

Esse cenário não afeta apenas empresas emergentes como a Nothing. Gigantes como Samsung, Xiaomi e Apple também estão sendo pressionadas por essa nova realidade. O resultado é um mercado em transição, onde a era dos celulares mais baratos e cheios de especificações agressivas pode estar chegando ao fim.

Por que a memória RAM virou o componente mais caro do celular

A estrutura de custos dos smartphones mudou de forma significativa nos últimos anos. Hoje, a memória RAM e os chips de armazenamento representam mais de 50% do chamado hardware bill, ou seja, o custo direto de fabricação do dispositivo.

Esse aumento não é pontual, mas estrutural. A demanda global por memória de alta velocidade cresceu de forma acelerada com a expansão de serviços baseados em inteligência artificial, especialmente modelos de linguagem, assistentes generativos e processamento em nuvem. Isso fez com que fabricantes de semicondutores priorizassem contratos mais lucrativos com data centers.

O efeito colateral é simples, porém grave: menos capacidade de produção para o mercado de smartphones e preços mais altos para todos os fabricantes.

Carl Pei

O caso do Nothing Phone (4a)

Um dos exemplos mais citados por Carl Pei é o do Nothing Phone (4a). Segundo ele, o projeto enfrentou uma escalada inesperada de custos entre o desenvolvimento e a fase de produção em massa.

A memória utilizada no dispositivo chegou a custar até quatro vezes mais do que o previsto inicialmente. Isso obrigou a empresa a reajustar o preço final, quebrando uma das promessas mais fortes da marca: oferecer especificações competitivas com preços acessíveis.

Esse caso ilustra uma tendência mais ampla no mercado. O preço do celular não está mais sendo definido apenas por design ou câmeras, mas principalmente pela disponibilidade e custo da memória.

O verdadeiro culpado: o impacto da inteligência artificial nos chips

O principal fator por trás da alta no preço dos smartphones é a expansão acelerada da infraestrutura de inteligência artificial. Grandes empresas de tecnologia estão investindo bilhões na construção de data centers capazes de treinar e operar modelos cada vez mais avançados.

Esses sistemas exigem quantidades massivas de memória RAM e armazenamento de alta performance, o que gerou uma disputa direta por capacidade produtiva com a indústria de smartphones.

Na prática, as fábricas de semicondutores estão priorizando contratos com empresas de IA, que pagam mais e em volumes maiores. Isso reduz a oferta para o mercado de consumo, elevando o custo de hardware e pressionando toda a cadeia de produção de celulares.

O resultado é um efeito cascata: menos oferta, maior demanda e, consequentemente, celulares mais caros em praticamente todas as categorias.

Sem alívio até 2028

Especialistas do setor indicam que esse gargalo não será resolvido rapidamente. A construção de novas fábricas de semicondutores leva anos e exige investimentos bilionários.

Mesmo com planos de expansão em andamento, a expectativa é que o equilíbrio entre oferta e demanda só comece a se normalizar por volta de 2028. Até lá, o mercado deve continuar enfrentando pressão nos preços.

Isso significa que o consumidor precisará lidar com um período prolongado de aumento no custo dos smartphones, especialmente em modelos intermediários e premium.

O fim das grandes promoções de fim de ano

Outro impacto direto dessa crise é o desaparecimento gradual das tradicionais promoções agressivas de fim de ano. Segundo a lógica apresentada por Carl Pei, com custos subindo até 30% por trimestre em alguns componentes, reduzir preços deixou de ser uma estratégia viável.

Antes, fabricantes conseguiam equilibrar margens com descontos sazonais. Agora, esse modelo está cada vez mais difícil de sustentar sem comprometer a rentabilidade.

Isso muda completamente o comportamento do mercado. Em vez de grandes quedas de preço no fim do ano, o consumidor pode começar a ver estabilidade ou até pequenos reajustes mesmo em períodos promocionais.

O impacto no preço dos smartphones será sentido principalmente em mercados emergentes, onde o poder de compra já é mais sensível a variações de custo.

O que o consumidor deve fazer agora

O cenário atual indica uma mudança clara de ciclo. A era em que era possível trocar de celular a cada ano, pagando o mesmo valor por mais desempenho, está temporariamente interrompida.

Com o aumento do custo de hardware impulsionado pela demanda de inteligência artificial, o consumidor precisa repensar o momento ideal de upgrade. Em muitos casos, manter o dispositivo atual por mais tempo pode ser a decisão mais racional.

A tendência é que os próximos lançamentos tragam melhorias mais incrementais, com foco em eficiência e não em grandes saltos de especificação pelo mesmo preço.

Em resumo, o mercado de smartphones entra em uma fase de maturidade forçada, onde o preço dos smartphones passa a ser ditado menos pela inovação estética e mais pela escassez de componentes críticos como a memória RAM.

Se esse movimento já afetou sua decisão de compra, ou se você pretende adiar a troca do seu celular em 2026, sua experiência ajuda a entender como essa mudança está sendo percebida na prática.

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.