A privacidade no Google está passando por uma das mudanças mais significativas dos últimos anos. Sem grande alarde, a empresa começou a reorganizar os controles de atividade da conta Google, separando configurações que antes ficavam concentradas em um único painel. Embora a mudança traga mais transparência e controle para os usuários, ela também introduz uma novidade que merece atenção: o recurso Salvar mídia, que pode armazenar fotos, capturas de tela e áudios para contribuir com o desenvolvimento de sistemas de Inteligência Artificial.
A atualização começou a ser distribuída em junho de 2026 e afeta diversos serviços do ecossistema Google, incluindo Busca, Google Maps, Google Lens, Google Play e outros produtos conectados à conta do usuário. Na prática, isso significa que milhões de pessoas precisarão revisar suas configurações para entender exatamente quais dados estão sendo armazenados e como eles poderão ser utilizados.
Neste artigo, explicamos o que mudou, quais são os impactos para a privacidade no Google e como verificar se seus conteúdos pessoais estão sendo usados para alimentar modelos de IA.
O fim da atividade na web e em apps unificada
Durante anos, o painel Atividade na Web e em apps funcionou como um centro único para controlar o histórico de uso dos serviços Google. Era nesse local que o usuário decidia se pesquisas, navegação em aplicativos, interações com serviços e outras atividades seriam armazenadas.
Agora, o Google está dividindo esse controle em categorias independentes.
A justificativa da empresa é oferecer mais clareza sobre quais dados estão sendo coletados e para quais finalidades. Em teoria, isso permite que o usuário faça escolhas mais específicas, em vez de aceitar ou rejeitar um pacote único de coleta de dados.
Essa reorganização cria novos menus e torna mais evidente a diferença entre armazenamento de atividade e personalização de conteúdo.

Imagem: BleepingComputer
Histórico dos serviços de pesquisa vs. recomendações personalizadas
Uma das principais novidades é a separação entre o histórico dos serviços de pesquisa e as configurações de recomendações personalizadas.
O primeiro controle está relacionado ao armazenamento de atividades realizadas em produtos como Google Search, Google Maps, Google Lens e ferramentas semelhantes. Ele define quais informações ficam registradas na conta.
Já o segundo controle determina se esses dados poderão influenciar recomendações de conteúdo, sugestões de aplicativos, resultados personalizados e experiências adaptadas ao comportamento do usuário.
Na prática, agora é possível manter um histórico armazenado sem necessariamente permitir que ele seja utilizado para personalização. Da mesma forma, o usuário pode restringir recomendações sem apagar completamente seus registros.
Sob o ponto de vista da transparência, essa separação representa um avanço nas configurações de privacidade do Google, pois torna mais fácil compreender o papel de cada configuração.
O perigo oculto: mídias ativadas por padrão para treinar inteligência artificial
Apesar das melhorias na organização dos controles, existe um detalhe que vem chamando atenção de especialistas em privacidade digital.
O novo recurso chamado Salvar mídia está sendo habilitado automaticamente para muitos usuários que já possuíam o histórico de atividades ativado.
Isso significa que conteúdos multimídia poderão passar a ser armazenados de forma mais ampla dentro da conta Google.
Embora a funcionalidade seja apresentada como uma ferramenta para melhorar experiências futuras, ela também amplia a quantidade de dados que podem ser analisados pelos sistemas da empresa.
O que entra na nova categoria de mídias?
A categoria Salvar mídia engloba diferentes tipos de conteúdo utilizados durante a interação com serviços Google.
Entre eles estão:
- Fotos enviadas para pesquisas visuais no Google Lens;
- Capturas de tela utilizadas em buscas;
- Arquivos enviados para análise;
- Interações por voz;
- Gravações de áudio usadas em pesquisas e comandos;
- Outros conteúdos multimídia associados à atividade do usuário.
Muitas pessoas utilizam esses recursos diariamente sem perceber que os arquivos enviados podem ficar vinculados ao histórico da conta.
Com a mudança, a gestão desses dados passa a ocorrer em um painel específico, separado das demais configurações do histórico do Google.
Alimentando a inteligência artificial do Google
O ponto mais sensível da atualização é a confirmação de que os conteúdos armazenados poderão ser utilizados para aprimorar sistemas de Inteligência Artificial, recursos de segurança e tecnologias de reconhecimento.
Na prática, fotos enviadas para o Google Lens e determinados áudios podem ajudar a melhorar algoritmos capazes de interpretar imagens, compreender comandos de voz e identificar padrões.
Embora o Google afirme que esses dados são tratados dentro de suas políticas de privacidade, a principal preocupação está no fato de que muitos usuários podem não perceber que a nova opção foi ativada automaticamente.
Quem já possuía o armazenamento de atividades habilitado poderá encontrar o recurso Salvar mídia funcionando sem qualquer ação manual.
Por isso, revisar as configurações tornou-se essencial para quem deseja manter maior controle sobre seus dados no Google.
Mudanças também no Google Play
As alterações não se limitam aos serviços de busca e produtividade.
O Google Play também recebeu novos controles independentes relacionados ao histórico de uso e às recomendações personalizadas.
Agora, atividades ligadas a aplicativos, jogos, instalações e preferências de conteúdo podem ser gerenciadas separadamente.
Essa divisão segue a mesma lógica adotada no restante do ecossistema: oferecer controles mais granulares para que o usuário decida exatamente quais informações deseja compartilhar e como elas poderão ser utilizadas.
Para quem acompanha o crescimento das recomendações automatizadas dentro das lojas de aplicativos, essa mudança representa uma tentativa de tornar o processo mais transparente.
Como se proteger e revisar suas configurações
Independentemente de concordar ou não com as mudanças, o mais importante neste momento é verificar as configurações da sua conta.
O procedimento é simples:
- Acesse a página Minha Atividade do Google;
- Entre com sua conta Google;
- Procure as configurações de atividade recentemente atualizadas;
- Verifique se a opção Salvar mídia está ativada;
- Avalie se deseja manter o armazenamento de fotos, capturas e áudios;
- Desative o recurso caso não queira que esses conteúdos sejam utilizados para aprimoramento de sistemas.
Também vale a pena revisar periodicamente outras configurações relacionadas ao histórico do Google, personalização de anúncios e recomendações.
A nova estrutura traz benefícios ao oferecer controles mais específicos e compreensíveis. No entanto, ela também introduz novas formas de coleta de dados que podem passar despercebidas para muitos usuários.
No fim das contas, a atualização representa um equilíbrio delicado entre conveniência e privacidade. De um lado, há mais opções para personalizar a experiência. Do outro, existe uma ampliação do volume de informações que podem ser utilizadas para desenvolver tecnologias de Inteligência Artificial.
Para quem valoriza a privacidade no Google, o melhor caminho é dedicar alguns minutos para revisar as configurações da conta e entender exatamente quais dados estão sendo compartilhados.
