Privacidade no Google muda e IA passa a usar mídias

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

A privacidade no Google está passando por uma das mudanças mais significativas dos últimos anos. Sem grande alarde, a empresa começou a reorganizar os controles de atividade da conta Google, separando configurações que antes ficavam concentradas em um único painel. Embora a mudança traga mais transparência e controle para os usuários, ela também introduz uma novidade que merece atenção: o recurso Salvar mídia, que pode armazenar fotos, capturas de tela e áudios para contribuir com o desenvolvimento de sistemas de Inteligência Artificial.

A atualização começou a ser distribuída em junho de 2026 e afeta diversos serviços do ecossistema Google, incluindo Busca, Google Maps, Google Lens, Google Play e outros produtos conectados à conta do usuário. Na prática, isso significa que milhões de pessoas precisarão revisar suas configurações para entender exatamente quais dados estão sendo armazenados e como eles poderão ser utilizados.

Neste artigo, explicamos o que mudou, quais são os impactos para a privacidade no Google e como verificar se seus conteúdos pessoais estão sendo usados para alimentar modelos de IA.

O fim da atividade na web e em apps unificada

Durante anos, o painel Atividade na Web e em apps funcionou como um centro único para controlar o histórico de uso dos serviços Google. Era nesse local que o usuário decidia se pesquisas, navegação em aplicativos, interações com serviços e outras atividades seriam armazenadas.

Agora, o Google está dividindo esse controle em categorias independentes.

A justificativa da empresa é oferecer mais clareza sobre quais dados estão sendo coletados e para quais finalidades. Em teoria, isso permite que o usuário faça escolhas mais específicas, em vez de aceitar ou rejeitar um pacote único de coleta de dados.

Essa reorganização cria novos menus e torna mais evidente a diferença entre armazenamento de atividade e personalização de conteúdo.

O e-mail do Google explica as novas configurações de histórico e personalização.
O e-mail do Google explica as novas configurações de histórico e personalização.
Imagem: BleepingComputer

Histórico dos serviços de pesquisa vs. recomendações personalizadas

Uma das principais novidades é a separação entre o histórico dos serviços de pesquisa e as configurações de recomendações personalizadas.

O primeiro controle está relacionado ao armazenamento de atividades realizadas em produtos como Google Search, Google Maps, Google Lens e ferramentas semelhantes. Ele define quais informações ficam registradas na conta.

Já o segundo controle determina se esses dados poderão influenciar recomendações de conteúdo, sugestões de aplicativos, resultados personalizados e experiências adaptadas ao comportamento do usuário.

Na prática, agora é possível manter um histórico armazenado sem necessariamente permitir que ele seja utilizado para personalização. Da mesma forma, o usuário pode restringir recomendações sem apagar completamente seus registros.

Sob o ponto de vista da transparência, essa separação representa um avanço nas configurações de privacidade do Google, pois torna mais fácil compreender o papel de cada configuração.

O perigo oculto: mídias ativadas por padrão para treinar inteligência artificial

Apesar das melhorias na organização dos controles, existe um detalhe que vem chamando atenção de especialistas em privacidade digital.

O novo recurso chamado Salvar mídia está sendo habilitado automaticamente para muitos usuários que já possuíam o histórico de atividades ativado.

Isso significa que conteúdos multimídia poderão passar a ser armazenados de forma mais ampla dentro da conta Google.

Embora a funcionalidade seja apresentada como uma ferramenta para melhorar experiências futuras, ela também amplia a quantidade de dados que podem ser analisados pelos sistemas da empresa.

O que entra na nova categoria de mídias?

A categoria Salvar mídia engloba diferentes tipos de conteúdo utilizados durante a interação com serviços Google.

Entre eles estão:

  • Fotos enviadas para pesquisas visuais no Google Lens;
  • Capturas de tela utilizadas em buscas;
  • Arquivos enviados para análise;
  • Interações por voz;
  • Gravações de áudio usadas em pesquisas e comandos;
  • Outros conteúdos multimídia associados à atividade do usuário.

Muitas pessoas utilizam esses recursos diariamente sem perceber que os arquivos enviados podem ficar vinculados ao histórico da conta.

Com a mudança, a gestão desses dados passa a ocorrer em um painel específico, separado das demais configurações do histórico do Google.

Alimentando a inteligência artificial do Google

O ponto mais sensível da atualização é a confirmação de que os conteúdos armazenados poderão ser utilizados para aprimorar sistemas de Inteligência Artificial, recursos de segurança e tecnologias de reconhecimento.

Na prática, fotos enviadas para o Google Lens e determinados áudios podem ajudar a melhorar algoritmos capazes de interpretar imagens, compreender comandos de voz e identificar padrões.

Embora o Google afirme que esses dados são tratados dentro de suas políticas de privacidade, a principal preocupação está no fato de que muitos usuários podem não perceber que a nova opção foi ativada automaticamente.

Quem já possuía o armazenamento de atividades habilitado poderá encontrar o recurso Salvar mídia funcionando sem qualquer ação manual.

Por isso, revisar as configurações tornou-se essencial para quem deseja manter maior controle sobre seus dados no Google.

Mudanças também no Google Play

As alterações não se limitam aos serviços de busca e produtividade.

O Google Play também recebeu novos controles independentes relacionados ao histórico de uso e às recomendações personalizadas.

Agora, atividades ligadas a aplicativos, jogos, instalações e preferências de conteúdo podem ser gerenciadas separadamente.

Essa divisão segue a mesma lógica adotada no restante do ecossistema: oferecer controles mais granulares para que o usuário decida exatamente quais informações deseja compartilhar e como elas poderão ser utilizadas.

Para quem acompanha o crescimento das recomendações automatizadas dentro das lojas de aplicativos, essa mudança representa uma tentativa de tornar o processo mais transparente.

Como se proteger e revisar suas configurações

Independentemente de concordar ou não com as mudanças, o mais importante neste momento é verificar as configurações da sua conta.

O procedimento é simples:

  1. Acesse a página Minha Atividade do Google;
  2. Entre com sua conta Google;
  3. Procure as configurações de atividade recentemente atualizadas;
  4. Verifique se a opção Salvar mídia está ativada;
  5. Avalie se deseja manter o armazenamento de fotos, capturas e áudios;
  6. Desative o recurso caso não queira que esses conteúdos sejam utilizados para aprimoramento de sistemas.

Também vale a pena revisar periodicamente outras configurações relacionadas ao histórico do Google, personalização de anúncios e recomendações.

A nova estrutura traz benefícios ao oferecer controles mais específicos e compreensíveis. No entanto, ela também introduz novas formas de coleta de dados que podem passar despercebidas para muitos usuários.

No fim das contas, a atualização representa um equilíbrio delicado entre conveniência e privacidade. De um lado, há mais opções para personalizar a experiência. Do outro, existe uma ampliação do volume de informações que podem ser utilizadas para desenvolver tecnologias de Inteligência Artificial.

Para quem valoriza a privacidade no Google, o melhor caminho é dedicar alguns minutos para revisar as configurações da conta e entender exatamente quais dados estão sendo compartilhados.

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.