A Pwn2Own Automotive 2026 começou mostrando um cenário preocupante para quem confia cegamente na tecnologia embarcada de carros modernos e estações de carregamento. Em apenas dois dias de competição, pesquisadores de segurança conseguiram explorar 66 vulnerabilidades zero-day, muitas delas em sistemas usados diariamente por motoristas de veículos elétricos ao redor do mundo.
O evento, realizado em Tóquio, reuniu alguns dos melhores especialistas em cibersegurança automotiva, que demonstraram, de forma controlada, como falhas críticas ainda estão presentes em carros conectados, carregadores de veículos elétricos e sistemas de infoentretenimento. Ao todo, centenas de milhares de dólares em prêmios foram distribuídos aos participantes que conseguiram executar ataques bem-sucedidos.
Mais do que um espetáculo técnico, a Pwn2Own Automotive cumpre um papel essencial para a indústria, revelar vulnerabilidades antes que criminosos reais possam explorá-las. Ao expor essas falhas publicamente, os fabricantes ganham a chance de corrigi-las, protegendo consumidores, infraestruturas e dados sensíveis.
O domínio dos pesquisadores: 66 falhas em 48 horas
Os números alcançados no segundo dia da Pwn2Own Automotive 2026 impressionam até mesmo quem acompanha o evento há anos. Em apenas 48 horas, foram identificadas 66 falhas zero-day, todas inéditas, afetando desde componentes embarcados até infraestruturas externas de recarga.
Grande parte dessas explorações envolveu cadeias complexas de ataque, combinando múltiplas falhas para alcançar níveis elevados de acesso. Em vários casos, os pesquisadores conseguiram executar código remoto ou obter privilégios de root, algo extremamente crítico em ambientes automotivos.
Além do impacto técnico, o volume de prêmios distribuídos reforça a seriedade do evento. Cada vulnerabilidade válida rende recompensas financeiras significativas, incentivando a pesquisa responsável e afastando talentos do mercado clandestino de exploits.

Carregadores de veículos elétricos sob ataque
Um dos pontos mais sensíveis do segundo dia foi o ataque bem-sucedido contra carregadores de veículos elétricos amplamente utilizados. Estações de marcas como ChargePoint e Phoenix Contact foram comprometidas diante do público, evidenciando riscos que vão além do próprio carro.
Os pesquisadores demonstraram como falhas no software desses carregadores podem permitir acesso não autorizado ao sistema, abrindo caminho para manipulação de sessões de carga, interrupções de serviço e até movimentos laterais dentro da rede à qual o equipamento está conectado.
Esse tipo de vulnerabilidade é especialmente preocupante, pois estações de carregamento costumam estar ligadas a redes corporativas ou públicas. Uma exploração bem-sucedida pode transformar um simples ponto de recarga em uma porta de entrada para ataques maiores, afetando empresas e infraestruturas urbanas.
Infoentretenimento e sistemas de som
Outro destaque do evento foi a exploração de falhas em sistemas de infoentretenimento automotivo e aparelhos de som. Dispositivos de marcas conhecidas como Alpine, Sony e Kenwood foram alvos de ataques que permitiram execução de código não autorizado.
Embora esses sistemas pareçam menos críticos à primeira vista, eles costumam estar integrados a outros módulos do veículo. A partir de uma falha no sistema de som, por exemplo, um atacante pode tentar escalar privilégios e alcançar componentes mais sensíveis.
Os pesquisadores mostraram que, em alguns cenários, uma simples conexão, seja via USB ou interface sem fio, foi suficiente para explorar zero-days e comprometer o sistema. Isso reforça a necessidade de atualizações frequentes e de uma arquitetura de segurança mais robusta nesses dispositivos.
O desafio do Automotive Grade Linux e da Tesla
A Pwn2Own Automotive 2026 também colocou os holofotes sobre o Automotive Grade Linux, plataforma amplamente utilizada como base para sistemas automotivos modernos. Diversas cadeias de exploração foram demonstradas, mostrando como falhas em componentes específicos do AGL podem ser combinadas para alcançar controle total do sistema.
Em um dos ataques mais comentados do evento, pesquisadores conseguiram obter acesso root em um veículo Tesla por meio de uma exploração via USB. A demonstração evidenciou como interfaces físicas, muitas vezes subestimadas, continuam sendo vetores relevantes de ataque.
Apesar do impacto, é importante destacar que esses testes ocorrem em ambiente controlado e com a colaboração dos fabricantes. A Tesla, assim como outras empresas participantes, recebe relatórios detalhados das falhas para trabalhar em correções antes que qualquer informação seja divulgada publicamente.
O que são vulnerabilidades zero-day e por que elas importam
As chamadas vulnerabilidades zero-day são falhas desconhecidas pelo fabricante no momento em que são exploradas. Isso significa que não existe correção disponível, tornando o risco significativamente maior para usuários finais.
No contexto automotivo, um zero-day pode afetar desde a privacidade do motorista até a segurança física do veículo. Sistemas conectados, atualizações remotas e integração com serviços externos ampliam a superfície de ataque, exigindo uma abordagem de segurança cada vez mais madura.
Eventos como a Pwn2Own Automotive são fundamentais justamente por anteciparem esse ciclo, permitindo que as falhas sejam corrigidas antes de chegarem ao conhecimento de agentes mal-intencionados.
O que acontece agora? O impacto para o consumidor
Após a identificação das falhas, os fabricantes têm um prazo padrão de 90 dias para desenvolver e distribuir correções. Durante esse período, os detalhes técnicos permanecem restritos, reduzindo o risco de exploração em larga escala.
Para o consumidor, o principal impacto é indireto, mas relevante. A existência de eventos como a Pwn2Own Automotive 2026 pressiona a indústria a investir mais em segurança, testes contínuos e atualizações regulares, algo essencial em veículos cada vez mais definidos por software.
Diante desse cenário, fica a reflexão, você se sente realmente seguro com a tecnologia presente nos carros modernos e nas estações de carregamento que utiliza no dia a dia? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe dessa discussão cada vez mais necessária.
