O Snapdragon 8 Elite Gen 6 pode representar uma mudança importante na estratégia de fabricação da Qualcomm. Depois de anos concentrando seus chips móveis mais avançados na TSMC, a empresa estaria novamente negociando com a Samsung Foundry para utilizar seu processo de fabricação de 2 nm. A possibilidade ganhou força justamente quando a fabricante sul-coreana começou a apresentar melhora significativa na taxa de rendimento de seu novo processo.
A disputa envolve não apenas desempenho e eficiência, mas também preço, capacidade de produção e segurança de fornecimento. Enquanto a TSMC apresenta uma vantagem de rendimento no processo de 2 nm, sua capacidade para os próximos anos está sendo disputada por grandes clientes. Para a Qualcomm, dividir a produção entre as duas fundições poderia reduzir a dependência de um único fornecedor e aumentar sua margem de negociação.
O cenário também interessa diretamente à Samsung. Caso a parceria avance, o movimento poderá ter reflexos na futura geração Galaxy S27, além de representar uma importante demonstração de confiança na evolução tecnológica da Samsung Foundry.
Samsung volta à disputa pelo Snapdragon 8 Elite Gen 6
A relação entre Qualcomm e Samsung Foundry já foi muito mais próxima no segmento de chips topo de linha. Entretanto, problemas envolvendo rendimento, eficiência energética e comportamento térmico ajudaram a levar a Qualcomm a concentrar sua produção de processadores premium na TSMC.
A estratégia mudou progressivamente depois das experiências com gerações anteriores. Desde então, a TSMC passou a fabricar os principais Snapdragon de alto desempenho, enquanto a Samsung continuou buscando recuperar competitividade nos processos mais avançados.
Agora, o cenário começa a mudar novamente.
Relatos recentes indicam que Qualcomm e Samsung reabriram discussões sobre a fabricação em 2 nm, em um momento no qual a diferença de rendimento entre as duas empresas diminuiu. A própria indústria passou a considerar novamente a Samsung como uma alternativa viável para encomendas de chips avançados.
Isso não significa que a Qualcomm tenha abandonado a TSMC. Pelo contrário, as informações disponíveis apontam para uma possível estratégia de fornecimento duplo, na qual parte dos chips continuaria sendo produzida pela empresa taiwanesa enquanto outra parcela seria direcionada à Samsung.

O avanço da taxa de rendimento no nó avançado
Um dos principais obstáculos para a Samsung Foundry sempre foi o yield, ou taxa de rendimento. O indicador representa, de forma simplificada, a proporção de chips funcionais obtidos durante a fabricação de uma mesma lâmina de silício.
Quanto maior o rendimento, menor tende a ser o custo por chip funcional. Isso é especialmente importante em processos avançados, nos quais cada wafer custa caro e qualquer aumento no número de unidades defeituosas afeta diretamente a economia da produção.
Dados divulgados por fontes da indústria colocaram o rendimento do processo de 2 nm da Samsung em aproximadamente 55%, enquanto estimativas para a TSMC estavam na faixa de 60% a 70%. A diferença ainda existe, mas representa uma melhora considerável em relação aos problemas enfrentados pela Samsung anteriormente.
O número de 55% também precisa ser interpretado com cautela. Trata-se de uma estimativa de mercado, e não de um dado oficialmente divulgado pela Samsung. Além disso, o rendimento efetivo pode ser menor quando são considerados processos posteriores à fabricação inicial do wafer.
Ainda assim, a evolução é relevante. Relatos anteriores indicavam rendimentos próximos de 20% no processo de 2 nm da Samsung, o que mostra uma recuperação significativa em um período relativamente curto.
Para a Qualcomm, porém, não basta a Samsung conseguir produzir chips funcionais. A fundição precisa demonstrar estabilidade, escala e previsibilidade, especialmente para um componente que será utilizado em smartphones premium vendidos globalmente.
Snapdragon 8 Elite Gen 6 e Gen 6 Pro no radar
A possível parceria ocorre justamente na preparação da próxima geração de processadores móveis da Qualcomm.
O Snapdragon 8 Elite Gen 6 e o esperado Snapdragon 8 Elite Gen 6 Pro devem ser apresentados durante o Snapdragon Summit 2026, marcado oficialmente para os dias 22 a 24 de setembro, em Maui, no Havaí. A Qualcomm ainda não confirmou publicamente todos os detalhes dos chips, mas já começou a promover a próxima geração de plataformas Snapdragon.
Rumores apontam para dois modelos diferentes, destinados a segmentos distintos dentro do mercado premium. O modelo Pro deverá ocupar a posição mais alta da família e pode ser direcionado a smartphones da categoria Ultra.
A fabricação, entretanto, ainda é uma questão em aberto. Informações recentes chegaram a indicar que os dois modelos poderiam permanecer com a TSMC, utilizando sua tecnologia de 2 nm. A reabertura das conversas com a Samsung mostra que a estratégia ainda pode sofrer alterações antes da definição final da produção em grande escala.
Disputa de preços e a estratégia de fornecimento duplo
O rendimento não é o único fator envolvido nessa negociação. Preço por wafer e disponibilidade de capacidade também pesam na decisão.
A TSMC possui uma posição extremamente forte no mercado de processos avançados, mas essa liderança também significa que sua capacidade de produção é disputada por gigantes como Apple, Nvidia e AMD. No caso do 2 nm, a pressão por capacidade deve aumentar justamente no período em que a Qualcomm estará preparando seus novos chips.
Nesse contexto, a Samsung ganha uma oportunidade estratégica.
A empresa pode oferecer uma segunda fonte de produção para a Qualcomm, mas não necessariamente está disposta a entrar em uma guerra de preços. Relatos recentes indicam que a alta demanda por capacidade de 2 nm reduz o espaço para grandes descontos, especialmente enquanto a Samsung trabalha para melhorar seus próprios rendimentos.
Para a Qualcomm, entretanto, ter duas opções pode ser mais importante do que simplesmente conseguir o menor preço.
Uma estratégia de dual-sourcing permite distribuir pedidos entre diferentes fabricantes, reduzindo o risco de interrupções e aumentando a capacidade de negociação. Se a TSMC tiver restrições de capacidade, a Samsung poderá absorver parte da demanda. Se os rendimentos sul-coreanos não forem suficientes, a Qualcomm poderá manter uma parcela maior da produção com a TSMC.
Esse equilíbrio também pode pressionar as duas fundições a melhorar suas condições comerciais e técnicas.
Para a Samsung, conquistar novamente um cliente de alto perfil como a Qualcomm seria mais do que uma vitória comercial. Seria uma demonstração de que seu processo GAA de 2 nm conseguiu superar parte dos problemas que prejudicaram sua reputação entre clientes de chips avançados.
O que isso pode mudar no Galaxy S27
O possível retorno da Qualcomm à Samsung Foundry também coloca o Galaxy S27 no centro das especulações.
A Samsung possui uma relação particularmente próxima com a Qualcomm e, em julho de 2026, as duas empresas anunciaram a expansão da colaboração envolvendo produtos Galaxy equipados com plataformas Snapdragon. A linha atual inclui versões específicas do Snapdragon para dispositivos Galaxy.
Se a Samsung conseguir demonstrar rendimento suficiente e estabilidade na produção de 2 nm, uma futura versão do Snapdragon poderá ser fabricada internamente pela Samsung Foundry e destinada a determinados modelos Galaxy.
Isso poderia gerar uma situação interessante: a mesma fabricante que produz smartphones Galaxy também estaria envolvida na fabricação do processador utilizado por parte desses aparelhos.
Para o usuário, contudo, o benefício mais importante não seria simplesmente o local onde o chip foi produzido. Um processo de 2 nm mais maduro pode permitir maior eficiência energética, maior densidade de transistores e potencial para elevar o desempenho sem aumentar proporcionalmente o consumo de energia.
Na prática, isso pode significar mais desempenho por watt, algo especialmente importante em smartphones que dependem de bateria pequena, refrigeração limitada e cargas de trabalho cada vez mais pesadas de inteligência artificial.
Também existe uma consequência maior para todo o mercado.
Se a Qualcomm realmente adotar duas fundições para sua principal plataforma móvel, a TSMC perderá parte da exclusividade que conquistou no segmento de chips Snapdragon topo de linha. Ao mesmo tempo, a Samsung terá uma oportunidade concreta de provar que sua tecnologia de 2 nm pode competir em aplicações de grande volume.
O resultado pode ser uma disputa mais equilibrada entre as duas maiores fundições de semicondutores avançados.
Por enquanto, é importante tratar a participação da Samsung como uma possibilidade em negociação, e não como uma decisão definitiva. A definição final dependerá de fatores como rendimento, capacidade disponível, custos e validação dos chips antes da produção em grande escala.
O Snapdragon 8 Elite Gen 6 será apresentado em breve, mas a história mais interessante pode estar acontecendo nos bastidores: a decisão sobre quem fabricará o chip poderá ser tão estratégica quanto as especificações que a Qualcomm anunciar no palco.
