- O patch corrige a falha de detecção de VRR em monitores que utilizam sinalização GTF em vez de limites de frequência tradicionais.
- O suporte ao ALLM ativa automaticamente o "Modo Jogo" de baixa latência em TVs modernas ao detectar tarefas de alto desempenho.
- A série de 27 patches foi enviada por Tomasz Pakuła e foca na reintrodução de metadados HDMI 2.1 como VTEM e HF-VSIF.
- A implementação do "VRR Passivo" elimina as telas pretas (blanking) ao transitar entre a área de trabalho e aplicações em tela cheia.
- As melhorias já estão integradas ao ciclo de desenvolvimento do Kernel Linux 7.0-rc1 e devem chegar à versão estável em abril de 2026.
O desenvolvedor Tomasz Pakuła enviou uma robusta série de 27 patches para o subsistema gráfico da AMD que promete transformar a experiência de jogo em televisores e monitores modernos. A atualização para o Kernel Linux 7.0-rc1 foca em habilitar recursos nativos do HDMI 2.1, como o Modo de Baixa Latência Automática (ALLM) e correções críticas na detecção de Taxa de Atualização Variável (VRR), resolvendo falhas de longa data em hardware AMD.
O patch corrige problemas de detecção de VRR em diversos monitores que utilizam sinalização GTF em vez de limites de intervalo tradicionais. A mudança impacta diretamente proprietários de GPUs Radeon que utilizam adaptadores DP para HDMI 2.1, garantindo que o recurso seja ativado corretamente mesmo em telas que não suportam o padrão FreeSync proprietário, mas que possuem o VRR padrão do fórum HDMI.
O que isso significa na prática?
Para o usuário final, a novidade mais visível é a ativação automática do “Modo Jogo” em TVs da Samsung, LG e Sony. Com o suporte ao ALLM, o Kernel Linux 7.0-rc1 sinaliza para o televisor que o PC está executando uma tarefa sensível à latência, desativando processamentos de imagem desnecessários que causam atraso nos comandos (input lag).
O patch resolve a redução de “piscadas” na tela (blanking). A mudança implementa o chamado VRR passivo, que mantém o sinal de sincronia ativo mesmo na área de trabalho. A estratégia evita que a TV precise renegociar o sinal toda vez que um jogo é aberto ou fechado, um processo que frequentemente resultava em telas pretas momentâneas ou falhas de brilho em painéis OLED e QLED.
Essa atualização chega em um momento crucial para a estabilidade dos desktops modernos. Como acompanhamos anteriormente no SempreUpdate, o GNOME 50 (Mutter) recentemente oficializou o VRR como recurso estável, mas o sistema ainda sofria com imprecisões nos limites de frequência dos monitores. O patch de Pakuła resolve justamente essa deficiência técnica diretamente no Kernel Linux 7.0-rc1.
Detalhes da implementação
A implementação técnica envolve a reintrodução dos pacotes de metadados VTEM (Video Timing Extended Metadata) e HF-VSIF no driver amdgpu. Esses pacotes são essenciais para a comunicação HDMI 2.1. O código agora é capaz de analisar o bloco de dados de vendedor da AMD (VSDB) de forma mais agressiva para encontrar faixas de VRR expandidas que, por vezes, são omitidas nos metadados padrão do monitor.
A mudança introduz novas propriedades no DRM (Direct Rendering Manager), como passive_vrr_disabled e allm_mode. O suporte para conversores de protocolo (PCON) foi expandido, incluindo IDs específicos para chips como o Chrontel CH7218, muito comum em adaptadores USB-C/DP para HDMI 2.1 de marcas como Ugreen.
| Recurso | Status Anterior | Novo Status (7.0-rc1) |
| Detecção de VRR | Falhava em telas com flags GTF | Corrigido via AMD VSDB |
| Modo Jogo (ALLM) | Inexistente/Manual | Automático via hf-vsif |
| VRR via Adaptadores | Limitado ao FreeSync | HDMI VRR nativo via PCON |
| Transição Desktop/Jogo | Causava tela preta (blanking) | Suave via VRR Passivo |
Curiosidades e bastidores da discussão
A discussão na lista de e-mails do kernel (LKML) revelou tensões sobre a arquitetura do código. Jani Nikula, mantenedor veterano do subsistema gráfico da Intel, criticou a forma como o driver da AMD lida com a leitura de metadados (EDID), alertando que drivers individuais não deveriam modificar estruturas globais como a drm_display_info.
A disputa técnica focou no risco de poluir o parser genérico do Linux com correções específicas para hardware da AMD. O impacto prático dos patches — que fecham pelo menos cinco bugs críticos no rastreador de problemas do amdgpu — deu força à proposta de Pakuła, que validou as mudanças em hardware real como as TVs Samsung S95B e LG C4.
Quando isso chega no meu PC?
Como as mudanças já integram o ciclo do Kernel Linux 7.0-rc1, a expectativa é que o código seja consolidado na versão estável do Kernel 7.0 em meados de abril de 2026. Usuários de distribuições rolling release, como Arch Linux e Fedora, devem receber a novidade logo após o lançamento oficial. Para usuários de Ubuntu ou Debian, a funcionalidade deve chegar em atualizações de HWE (Hardware Enablement) ou na próxima grande versão do sistema prevista para o segundo semestre.
