Samsung e Apple reprovadas em reparabilidade de smartphones

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

Samsung e Apple ficam abaixo do esperado em novo ranking global de reparabilidade.

A reparabilidade de smartphones voltou ao centro do debate global, e desta vez com um alerta direto para consumidores e fabricantes. Imagine investir em um celular caro e, ao primeiro problema, descobrir que o conserto é difícil, caro ou praticamente inviável. Esse cenário, cada vez mais comum, é justamente o foco do mais recente relatório US PIRG.

O estudo da US PIRG (Public Interest Research Group) trouxe resultados que chamam atenção: Samsung recebeu nota D, enquanto a Apple ficou ainda pior, com D-. O motivo não está apenas nos dispositivos em si, mas também na mudança de critérios adotados, baseada no sistema europeu EPREL, que elevou o nível de exigência para avaliar o índice de reparabilidade.

Essa transição marca um ponto de virada importante. Mais do que avaliar facilidade de conserto, o novo modelo considera aspectos estruturais que impactam diretamente o Direito ao Reparo e a sustentabilidade tecnológica.

Por que as notas da Samsung e Apple despencaram?

A principal razão para a queda nas avaliações está na adoção do sistema europeu EPREL (Registro Europeu de Produtos para Etiquetagem Energética), que introduziu critérios mais rigorosos e padronizados para medir a reparabilidade de smartphones.

Diferente dos métodos anteriores, que eram mais flexíveis, o EPREL exige dados concretos sobre desmontagem, disponibilidade de peças e suporte técnico ao longo do tempo. Isso expôs fragilidades em práticas comuns de grandes fabricantes como Samsung e Apple.

Galaxy S26 Ultra
Imagem: Android Police

O peso da desmontagem e das ferramentas

Um dos pontos mais críticos é a dificuldade de abrir e desmontar os aparelhos. Muitos modelos atuais utilizam colas fortes, parafusos proprietários e estruturas internas complexas.

No caso da Samsung e da Apple, o uso de ferramentas específicas e processos pouco acessíveis reduz drasticamente a pontuação. Isso significa que até reparos simples, como troca de bateria, podem exigir assistência especializada.

Esse fator impacta diretamente o Direito ao Reparo, pois limita a autonomia do usuário e encarece o ciclo de vida do dispositivo.

Disponibilidade de peças de reposição

Outro critério essencial do índice de reparabilidade é a facilidade de encontrar peças originais. O relatório destaca que tanto a Samsung quanto a Apple ainda apresentam restrições nesse aspecto.

Embora ambas tenham avançado com programas de auto-reparo em alguns mercados, a disponibilidade global ainda é limitada. Além disso, os preços das peças muitas vezes tornam o conserto pouco viável.

Isso afeta diretamente quem busca alternativas ao descarte precoce, reforçando preocupações ambientais e econômicas.

Motorola e Google: os “bons alunos” da vez?

Enquanto gigantes como Samsung e Apple enfrentam críticas, outras marcas tiveram desempenho melhor no relatório da US PIRG.

A Motorola se destacou com nota B+, demonstrando maior alinhamento com práticas de reparabilidade de smartphones. Já o Google recebeu C-, um resultado intermediário, mas ainda superior aos líderes de mercado.

Essas empresas têm investido em design mais acessível, documentação técnica e maior transparência na oferta de peças. Embora não sejam perfeitas, mostram que é possível equilibrar inovação com facilidade de manutenção.

O lobby contra o Direito ao Reparo

Um fator que vai além do design técnico é o posicionamento político das empresas. O relatório da US PIRG também considera o histórico de apoio ou resistência ao Direito ao Reparo.

Tanto a Samsung quanto a Apple já foram associadas a esforços de lobby que dificultam a aprovação de leis favoráveis ao conserto independente. Esse tipo de atuação influencia diretamente a nota final.

Por outro lado, empresas que demonstram apoio a políticas de transparência e acesso a peças tendem a ser melhor avaliadas. Isso reforça que a reparabilidade de smartphones não é apenas uma questão técnica, mas também estratégica.

O que isso significa para o consumidor final?

Para o consumidor, os resultados do relatório US PIRG trazem um alerta claro: nem sempre os smartphones mais caros são os mais sustentáveis ou duráveis.

A baixa reparabilidade de smartphones implica custos maiores a longo prazo, menor vida útil e maior impacto ambiental. Em um cenário onde o descarte eletrônico cresce rapidamente, a facilidade de conserto se torna um diferencial importante.

Além disso, a adoção de padrões como o EPREL pode pressionar fabricantes a melhorar suas práticas, aumentando a transparência e beneficiando o consumidor.

No fim, a decisão de compra vai além de desempenho e design. A facilidade de manutenção começa a ganhar espaço como critério essencial.

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.