S Pen Bluetooth é removida nos Galaxy S26 Ultra

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

A S Pen perdeu sua inteligência ou a Samsung perdeu o foco no usuário avançado?

A chegada dos novos Galaxy S25 Ultra e Galaxy S26 Ultra trouxe avanços previsíveis em desempenho e inteligência artificial, mas também revelou uma mudança silenciosa que pegou muitos usuários de surpresa: o fim da S Pen Bluetooth. Em meio ao foco crescente em recursos de IA, a retirada da conectividade da caneta passou quase despercebida no lançamento, mas rapidamente gerou debates intensos entre entusiastas e usuários avançados. Afinal, estamos diante de uma simples otimização ou do abandono de um dos diferenciais mais icônicos da linha?

Para quem acompanha a evolução da linha Galaxy Note, incorporada à série Ultra, essa decisão levanta um alerta importante sobre o futuro da experiência premium da Samsung.

O que mudou na S Pen?

A principal mudança está na remoção completa do Bluetooth Low Energy (BLE) da S Pen. Na prática, isso significa que a caneta perdeu sua capacidade de comunicação ativa com o smartphone.

Sem o BLE, a S Pen do Galaxy S26 Ultra passa a funcionar apenas como um acessório passivo, focado exclusivamente em escrita, desenho e navegação básica na interface. Recursos que dependiam de conectividade sem fio simplesmente deixaram de existir.

Essa mudança altera profundamente o papel da caneta dentro do ecossistema Galaxy, reduzindo sua versatilidade e afastando-a do conceito de ferramenta multifuncional que marcou gerações anteriores.

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Imagem: Android Police

O que perdemos na prática?

A ausência da S Pen Bluetooth elimina funcionalidades que, embora não usadas por todos diariamente, eram extremamente valiosas em momentos específicos.

Entre os principais recursos removidos, destacam-se:

  • Controle remoto da câmera, ideal para fotos em grupo ou capturas à distância
  • Controle de apresentações, permitindo avançar slides sem tocar no aparelho
  • Comandos por gestos no ar (Air Actions)
  • Controle de mídia, como pausar vídeos ou mudar músicas

Essas funções transformavam a S Pen em um verdadeiro controle remoto inteligente. Sem elas, a experiência se torna mais limitada e, para muitos usuários avançados, menos justificável.

A justificativa da Samsung vs. a realidade do usuário

A Samsung defende a decisão com base em dados de uso, afirmando que menos de 1% dos usuários utilizavam os recursos de S Pen Bluetooth. Do ponto de vista estatístico, pode parecer uma escolha lógica.

Mas essa justificativa ignora um ponto crucial: o valor percebido não está apenas na frequência de uso, mas na utilidade em momentos-chave.

Uma analogia simples ajuda a entender: é como um extintor de incêndio. Você não usa todos os dias, mas quando precisa, ele é indispensável.

Para muitos profissionais, criadores de conteúdo e usuários de produtividade, a conectividade da S Pen oferecia justamente esse tipo de funcionalidade crítica. Sua remoção transmite a sensação de perda, mesmo que o uso não fosse constante.

Além disso, decisões baseadas apenas em métricas podem desconsiderar nichos altamente engajados, justamente o público que historicamente sustentou a reputação da linha Note.

A tendência de “menos é menos”

A remoção da S Pen Bluetooth não é um caso isolado. Ela se encaixa em uma tendência mais ampla da indústria, onde recursos tradicionais vêm sendo eliminados em nome de design, economia de espaço interno ou redução de custos.

Nos últimos anos, vimos desaparecer:

  • Entrada para fones de ouvido
  • Slot para cartão microSD
  • Carregadores incluídos na caixa

Agora, a conectividade da S Pen entra nessa lista.

O discurso costuma ser o mesmo: simplificação, foco no essencial ou incentivo a novas tecnologias. No entanto, para o usuário final, a percepção muitas vezes é diferente.

Em vez de evolução, o que se sente é uma perda gradual de funcionalidades que antes agregavam valor real ao produto.

No contexto dos modelos Ultra, que representam o topo de linha da marca, essa estratégia se torna ainda mais questionável. Afinal, espera-se que um dispositivo premium ofereça mais, não menos.

Conclusão: O Galaxy S24 Ultra tornou-se o último “verdadeiro” Note?

A retirada da S Pen Bluetooth levanta uma questão inevitável: será que o Galaxy S24 Ultra foi o último modelo a preservar plenamente o espírito da linha Note?

Historicamente, o diferencial desses dispositivos sempre foi a combinação de hardware poderoso com ferramentas de produtividade únicas. A S Pen, com sua conectividade avançada, era o símbolo máximo dessa proposta.

Ao remover o BLE, a Samsung parece redefinir o papel da caneta, transformando-a em um acessório mais básico e menos estratégico.

Isso não significa que os novos modelos sejam ruins, longe disso. Mas indica uma mudança de prioridade clara, com foco maior em inteligência artificial e menos em recursos tradicionais de produtividade.

Para o usuário comum, essa mudança pode passar despercebida. Já para o público mais exigente, especialmente aqueles que viam na S Pen do Galaxy S26 Ultra uma ferramenta completa, o impacto é real.

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.

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