A evolução dos dobráveis sempre esteve ligada a concessões de design, e a Samsung parece pronta para questionar uma das mais evidentes. Uma nova patente registrada na WIPO descreve um Samsung Flip 360, um conceito de celular dobrável da Samsung capaz de se dobrar totalmente para dentro e para fora, eliminando a necessidade de uma tela externa dedicada. A proposta indica um salto ousado em ergonomia e uso do painel principal, com implicações diretas para custo, durabilidade e experiência do usuário.
O objetivo desta análise é explicar como funciona a patente, detalhar a mecânica da dobradiça de 360 graus, discutir a eliminação da tela secundária e avaliar o impacto dessa abordagem no futuro da linha Galaxy Z Flip e no mercado de smartphones dobráveis.
O fim da tela externa? Como funciona o design 360
A patente do Samsung Flip 360 descreve um aparelho no qual a tela principal envolve o corpo do dispositivo quando dobrada para fora. Em vez de contar com um painel externo separado para notificações rápidas, o próprio display flexível assume esse papel, contornando a traseira do aparelho em um modo de uso específico.
Na prática, o celular dobrável da Samsung teria dois estados principais. No modo tradicional, o dispositivo se fecha para dentro, protegendo a tela, de forma semelhante aos dobráveis atuais. No modo alternativo, a dobradiça permite a dobra para fora, mantendo parte do painel visível externamente. Essa área externa da tela seria usada para notificações, controles rápidos e visualização de informações, reduzindo a necessidade de um segundo display.
Essa abordagem muda um dos pilares do design dos Flip atuais. A tela externa sempre existiu para resolver limitações de acesso rápido, mas também adiciona custo, consumo de energia e complexidade estrutural. Ao eliminá-la, a nova patente de smartphone aposta em um único painel multifuncional, capaz de adaptar-se ao contexto de uso.
Do ponto de vista de design industrial, o conceito também sugere uma simetria funcional inédita, em que o usuário escolhe como dobrar o aparelho conforme a situação. Isso abre espaço para novos padrões de interação e até para mudanças no software, que precisaria reconhecer automaticamente a posição da tela e ajustar a interface.

Tecnologia de dobradiça e durabilidade
O coração do Samsung Flip 360 está na dobradiça de 360 graus, descrita como um mecanismo mais complexo do que os utilizados atualmente. A patente aponta para múltiplos eixos de rotação e componentes internos capazes de distribuir a tensão de forma uniforme, independentemente do sentido da dobra.
Para que isso seja viável, a Samsung aposta em materiais já conhecidos da linha Galaxy, como o UTG (Ultra Thin Glass) combinado a polímeros flexíveis de alta resistência. O UTG oferece uma sensação mais próxima do vidro tradicional, enquanto os polímeros absorvem parte do estresse mecânico causado pelas dobras repetidas.
Um ponto relevante da patente é o design assimétrico do conjunto. Mesmo quando dobrado para fora, parte da tela permanece levemente exposta em uma área controlada, pensada especificamente para exibir informações essenciais. Essa exposição parcial levanta questionamentos sobre resistência a riscos e impactos, mas a documentação sugere camadas adicionais de proteção e revestimentos mais duráveis.
Em termos de durabilidade, a proposta indica que a Samsung está ciente das críticas históricas aos dobráveis. A ideia de permitir dobras em dois sentidos não significa duplicar o desgaste, mas redistribuí-lo. Ao evitar pontos fixos de tensão, a dobradiça de 360 graus pode, teoricamente, aumentar a vida útil do painel. Ainda assim, trata-se de um conceito que exigiria testes extensivos antes de chegar ao mercado.
Outro aspecto importante é a poeira e partículas. A patente descreve soluções internas para minimizar a entrada de detritos, um dos principais desafios de dobráveis complexos. Isso reforça o foco da empresa em tornar o conceito comercialmente viável, e não apenas experimental.
O futuro da linha Galaxy Z Flip
A patente do Samsung Flip 360 não surge do nada. Ela se conecta diretamente a protótipos já apresentados pela empresa, como o Flex In & Out, que demonstrou um painel capaz de dobrar para dentro e para fora. O que muda agora é o nível de detalhamento técnico, indicando um avanço rumo à aplicação real em produtos comerciais.
Para a linha Galaxy Z Flip, essa abordagem pode representar uma ruptura importante. A eliminação da tela externa reduziria componentes, mas exigiria um painel principal ainda mais resistente e versátil. Em termos de mercado, isso poderia diferenciar a Samsung de concorrentes que seguem apostando em telas secundárias cada vez maiores.
Do ponto de vista do usuário, o ganho estaria na simplicidade de design e na continuidade da experiência visual, sempre no mesmo display. Por outro lado, há desafios claros, como consumo de bateria quando parte da tela fica exposta e a adaptação do software para múltiplos modos de dobra.
É importante destacar que uma patente não garante lançamento. A nova patente de smartphone registrada na WIPO funciona como proteção intelectual e laboratório de ideias. Ainda assim, o histórico da Samsung mostra que muitos conceitos patenteados acabam influenciando produtos reais alguns anos depois, especialmente quando alinhados a protótipos públicos.
Conclusão
O Samsung Flip 360 revela uma visão ambiciosa para o futuro dos dobráveis. Ao propor uma dobradiça de 360 graus e a eliminação da tela externa, a Samsung sinaliza que ainda há espaço para reinventar o formato Flip. Se levado ao mercado, esse conceito pode reduzir custos estruturais, simplificar o design e oferecer uma nova forma de interação com o smartphone.
Ao mesmo tempo, os desafios de durabilidade, eficiência energética e usabilidade não podem ser ignorados. O impacto dessa inovação dependerá de como a empresa conseguirá equilibrar ousadia técnica com confiabilidade no uso diário.
E você, prefere o design atual com tela externa dedicada ou acredita que a abordagem de tela única flexível é o próximo passo lógico para os dobráveis?
