Smartphones em 2026: usuários ignoram IA e celulares dobráveis

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

Enquanto empresas apostam em IA e dobráveis, consumidores continuam querendo apenas bateria melhor e preços mais baixos.

A indústria de smartphones entrou em 2026 apostando alto em inteligência artificial, telas dobráveis e designs ultrafinos. Enquanto gigantes como a Apple e a Samsung investem bilhões em marketing para convencer o público de que a próxima revolução mobile chegou, a realidade parece muito menos empolgada.

Uma pesquisa recente da CNET em parceria com a YouGov revelou um cenário desconfortável para as fabricantes: apenas 12% dos consumidores demonstram grande interesse em recursos de IA, enquanto somente 13% se dizem realmente atraídos por smartphones dobráveis. Os números contrastam diretamente com a estratégia atual do mercado, especialmente diante da expectativa para os novos iPhone 18 Pro e o suposto iPhone Ultra, modelo dobrável que pode ultrapassar os US$ 2.000.

O resultado expõe uma desconexão crescente entre aquilo que as empresas tentam vender e o que o consumidor médio realmente procura ao trocar de celular. Em vez de IA generativa integrada ou telas que dobram ao meio, o público continua priorizando fatores simples e pragmáticos: preço acessível, boa bateria e durabilidade.

No atual cenário dos smartphones em 2026, talvez o mercado esteja finalmente enfrentando uma pergunta incômoda: será que a inovação deixou de ser suficiente para justificar preços cada vez mais altos?

O que o usuário realmente quer: Preço e bateria no topo

Os dados da pesquisa mostram uma tendência extremamente clara. Entre os fatores mais importantes para comprar um novo aparelho, 55% dos entrevistados apontaram preço justo, enquanto 52% priorizam bateria de longa duração.

Isso muda completamente a narrativa vendida pelas fabricantes. Durante anos, o mercado de celulares focou em apresentar novidades “futuristas”, como IA embarcada, telas dobráveis, fotografia computacional extrema e designs conceituais. Porém, o consumidor comum parece continuar preso às necessidades básicas do dia a dia.

Na prática, pouca gente quer pagar mais de mil dólares para usar funções que raramente fazem diferença concreta na rotina. Recursos como resumos automáticos, geração de imagens por IA ou assistentes contextuais ainda são vistos como complementos, não como motivos reais para trocar de smartphone.

O mesmo vale para os dobráveis. Apesar da curiosidade inicial, muitos consumidores continuam enxergando esses aparelhos como caros, frágeis e pouco necessários.

Em outras palavras, o usuário médio quer autonomia de bateria para passar o dia longe da tomada, preço competitivo e um aparelho confiável que dure vários anos.

iPhone dobrável

A resistência contra o marketing da inteligência artificial

O caso da inteligência artificial talvez seja o mais simbólico dentro das tendências de tecnologia atuais.

Em 2024, o hype em torno da IA móvel parecia inevitável. Empresas apresentaram ferramentas capazes de resumir textos, editar fotos automaticamente, criar emojis personalizados e até reescrever mensagens em tempo real. O discurso da indústria sugeria que a IA seria o principal motivo para comprar novos iPhones e aparelhos Android.

Mas a empolgação parece ter diminuído rapidamente.

A pesquisa indica que o interesse do consumidor caiu significativamente entre 2024 e 2026. Isso acontece porque muitos usuários simplesmente não perceberam mudanças práticas no uso diário do celular.

Grande parte das funções de IA acaba sendo usada poucas vezes antes de cair no esquecimento. Além disso, existe uma crescente preocupação com privacidade, consumo de bateria e até dependência excessiva de automações.

Outro fator importante é que muitos recursos considerados “inteligentes” já podem ser executados na nuvem ou em aplicativos independentes, sem necessidade de comprar um novo smartphone premium.

Isso cria um problema para empresas como a Apple e a Google: como convencer consumidores a investir centenas ou milhares de dólares apenas para acessar funções que parecem incrementais?

O desafio dos US$ 2.000 para o iPhone dobrável

Os rumores sobre um possível iPhone Ultra dobrável mostram exatamente esse conflito entre ambição tecnológica e realidade econômica.

Segundo vazamentos e análises do setor, o aparelho pode chegar ao mercado custando cerca de US$ 2.000, posicionando-se como o iPhone mais caro da história. O objetivo seria competir diretamente com a linha Galaxy Z Fold da Samsung.

O problema é que o mercado já demonstrou resistência até mesmo com smartphones tradicionais acima de US$ 1.200.

Para boa parte dos consumidores, um dobrável ainda representa mais riscos do que benefícios. Questões como durabilidade da tela, reparos caros, espessura elevada e autonomia inferior continuam presentes mesmo após várias gerações da tecnologia.

Além disso, existe uma percepção crescente de que os dobráveis ainda são produtos de nicho. Eles chamam atenção visualmente, mas poucos usuários realmente precisam transformar o celular em um mini tablet.

No contexto atual dos smartphones em 2026, pagar o equivalente ao preço de um notebook premium em um telefone dobrável parece um exagero para o consumidor médio.

A estratégia da Apple vs. a realidade do mercado

A estratégia da Apple para os próximos anos parece apostar justamente em diferenciação visual e experiências premium.

Além do possível dobrável, rumores indicam que a empresa trabalha em um iPhone Air ultrafino, novas opções de acabamento e mudanças sutis de design. A ideia é criar sensação de novidade mesmo em um mercado que já atingiu enorme maturidade tecnológica.

Só que existe um detalhe importante: o consumidor parece cada vez menos impressionado com mudanças cosméticas.

Ter um aparelho alguns milímetros mais fino ou uma nova cor exclusiva dificilmente supera fatores práticos como duração da bateria, custo-benefício e suporte de longo prazo.

Isso ajuda a explicar por que muitos usuários permanecem mais tempo com o mesmo smartphone. Os ciclos de troca estão aumentando porque os aparelhos atuais já são “bons o suficiente” para a maioria das tarefas.

O resultado é um mercado de celulares mais lento, onde convencer alguém a trocar de aparelho exige muito mais do que slogans sobre IA revolucionária.

A própria Apple enfrenta um dilema delicado. A empresa precisa continuar aumentando receita, mas encontra um consumidor menos disposto a pagar valores premium apenas por melhorias incrementais.

O fim da era da inovação por impulso?

Talvez estejamos entrando em uma nova fase da indústria mobile.

Durante mais de uma década, o smartphone evoluiu rapidamente. A cada geração surgiam câmeras muito melhores, telas significativamente superiores e ganhos claros de desempenho. O consumidor sentia que havia motivos concretos para trocar de aparelho.

Agora, porém, o mercado parece ter alcançado um certo “pico do smartphone”.

Os dispositivos atuais já executam praticamente tudo com velocidade suficiente. As câmeras já entregam qualidade excelente para redes sociais. As telas atingiram níveis altíssimos de brilho e definição. Até mesmo modelos intermediários conseguem oferecer experiências muito satisfatórias.

Nesse cenário, as fabricantes tentam criar novos desejos através de IA, dobráveis e designs experimentais. Mas os dados mostram que o público está mais racional.

O consumidor quer saber se aquela novidade realmente melhora sua vida ou apenas aumenta o preço final do aparelho.

Isso não significa o fim da inovação. A inteligência artificial ainda pode amadurecer e encontrar aplicações realmente indispensáveis. Os dobráveis também podem se tornar mais baratos, resistentes e úteis nos próximos anos.

Mas, por enquanto, o mercado deixa claro que inovação sem utilidade prática não basta.

No fim das contas, talvez a pergunta mais importante para os fabricantes seja muito simples: o que realmente faria alguém trocar de celular hoje?

Compartilhe este artigo
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.