A CES 2026 marcou um ponto de virada silencioso, porém decisivo, para o futuro dos smartphones dobráveis. A Samsung Display apresentou uma nova geração de telas dobráveis sem vinco, resolvendo um dos problemas mais antigos e visíveis desse formato. O vinco central, que sempre denunciou a dobra do painel e gerou desconfiança em consumidores mais exigentes, deixou de ser um compromisso inevitável e passou a ser um problema de engenharia superado. O anúncio não foi apenas estético, ele revelou um avanço profundo na forma como a tensão mecânica é tratada dentro do display, abrindo caminho para dispositivos mais duráveis, eficientes e visualmente próximos de telas tradicionais.
O segredo técnico: Microperfurações a laser e distribuição de tensão
O coração da inovação apresentada pela Samsung está na aplicação de microperfurações a laser em uma placa metálica ultrafina posicionada logo abaixo do painel OLED. Essa placa, desenvolvida pela fornecedora sul-coreana Fine M-Tec, substitui os suportes rígidos convencionais usados nas gerações anteriores de dobráveis. Em vez de forçar a tela a dobrar sempre no mesmo eixo, concentrando estresse em uma única linha, a nova estrutura redistribui a tensão de dobra por uma área muito maior.
As microperfurações não são simples furos aleatórios. Elas seguem um padrão geométrico extremamente preciso, calculado para permitir flexão progressiva do material. Quando a tela é dobrada, cada microabertura absorve uma fração mínima do estresse mecânico, evitando a formação daquele sulco permanente que se tornava visível com o tempo. O resultado prático é uma dobra mais suave, quase imperceptível ao toque e invisível sob a maioria dos ângulos de iluminação.
Outro ponto crucial é que essa abordagem reduz a fadiga do material ao longo de milhares de ciclos de abertura e fechamento. Em gerações anteriores, o vinco não era apenas um problema visual, mas também um indicativo de desgaste estrutural. Com a distribuição inteligente da tensão, as telas dobráveis sem vinco ganham não apenas em estética, mas também em longevidade, algo essencial para convencer consumidores mais conservadores e ambientes corporativos.

MONT FLEX e a nova geração de displays
A nova estrutura mecânica não trabalha sozinha. Ela faz parte de um conjunto mais amplo chamado MONT FLEX, que combina engenharia de materiais, novos processos de fabricação e otimizações elétricas. Dentro desse pacote, a Samsung também destacou avanços em eficiência energética por meio da chamada LEAD technology, um refinamento na arquitetura dos pixels OLED que reduz perdas elétricas durante a exibição de imagens estáticas e dinâmicas.
Na prática, isso significa que a eliminação do vinco não veio acompanhada de concessões na qualidade visual. Pelo contrário, os protótipos exibidos na CES mostraram painéis com brilho mais uniforme, melhor controle de cores e menor consumo de energia, especialmente em conteúdos HDR. A ausência do vinco também contribui para uma experiência visual mais consistente, já que não há mais distorções sutis na refração da luz no centro da tela.
Outro benefício indireto do MONT FLEX é a redução da espessura total do conjunto do display. Como a placa perfurada consegue flexionar sem exigir camadas extras de compensação, o painel final fica mais fino e leve. Esse detalhe é fundamental para o design de futuros dobráveis, que sempre enfrentaram críticas por serem mais pesados e espessos do que smartphones convencionais.
O impacto no mercado: Galaxy Z Fold 8 e o primeiro iPhone dobrável
Embora a Samsung Display não tenha citado produtos específicos durante a apresentação, o mercado rapidamente conectou os pontos. Tudo indica que essa tecnologia chegará ao consumidor final com o Galaxy Z Fold 8, esperado como o maior salto evolutivo da linha desde o primeiro modelo. Um dobrável sem vinco visível resolve uma das principais objeções históricas ao formato e posiciona o dispositivo em um patamar mais próximo de um tablet premium quando aberto.
Mais interessante ainda é o impacto dessa inovação fora do ecossistema Samsung. Rumores consistentes indicam que a Apple estaria avaliando o uso dessa mesma abordagem de microperfurações a laser para o seu aguardado primeiro iPhone dobrável. Para a Apple, eliminar o vinco não é apenas desejável, é praticamente obrigatório para manter seu padrão de qualidade e percepção de produto refinado. A existência de uma solução industrialmente viável pode ser o fator que faltava para a empresa finalmente entrar nesse segmento.
Se confirmada, essa adoção cruzada tende a acelerar a padronização das telas dobráveis sem vinco em toda a indústria. Fabricantes chineses, que já avançaram bastante em designs de dobráveis, provavelmente seguirão o mesmo caminho para não ficarem em desvantagem competitiva. O resultado é um mercado mais maduro, com menos compromissos visuais e maior aceitação por parte do público geral.
Conclusão: Um passo decisivo para popularizar os dobráveis
A tecnologia apresentada pela Samsung na CES 2026 representa mais do que um refinamento incremental. Ao resolver o problema do vinco com microperfurações a laser e uma abordagem inteligente de distribuição de tensão, a empresa remove uma das últimas grandes barreiras psicológicas e técnicas para a adoção em massa dos dobráveis. Combinada ao MONT FLEX, à LEAD technology e à experiência acumulada ao longo de anos, essa solução coloca as telas dobráveis sem vinco como uma realidade concreta e escalável.
Para o consumidor, isso significa dispositivos mais bonitos, duráveis e eficientes. Para o mercado, significa que o formato dobrável deixa de ser uma curiosidade premium e se aproxima de um novo padrão de design. Agora fica a pergunta para você, leitor, o vinco era o principal motivo que o impedia de comprar um smartphone dobrável? Compartilhe sua opinião nos comentários e ajude a entender como essa evolução pode mudar o futuro dos celulares.
