Telemóvel de três dobras da OPPO é adiado, protótipos existem, mas mercado ainda não está pronto

OPPO revela que tem protótipos tri-fold prontos, mas decide esperar o momento certo para entrar na corrida dos smartphones de três dobras.

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

A indústria dos smartphones dobráveis vive uma nova fase de experimentação intensa, e o conceito de telemóvel de três dobras da OPPO surge como o próximo grande salto dessa categoria. Após a consolidação dos modelos dobráveis tradicionais, o mercado passou a olhar com entusiasmo para dispositivos tri-fold, capazes de transformar um telefone num ecrã de dimensões próximas às de um tablet. A expectativa cresceu quando surgiram indícios de que a Oppo já teria tecnologia suficiente para avançar nessa direção.

No entanto, apesar do avanço técnico, a empresa chinesa decidiu não lançar o seu aparelho de três dobras neste momento. A decisão foi confirmada publicamente e envolve uma análise estratégica que combina maturidade tecnológica, custos de produção e viabilidade comercial num mercado ainda restrito. Para quem acompanha a corrida entre fabricantes como Huawei e Samsung, o posicionamento da OPPO chama atenção pela cautela.

A revelação de que existem protótipos funcionais prontos, mas guardados na gaveta, mostra que o obstáculo não é inovação, e sim o equilíbrio entre engenharia avançada e um modelo de negócio sustentável. Em um cenário onde o Huawei Mate XT já chegou ao mercado e a Samsung testa os limites da sua linha Galaxy dobrável, a OPPO opta por observar, aprender e esperar o momento certo.

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Imagem: Android Authority

Os protótipos secretos na gaveta da OPPO

A confirmação veio por meio de uma declaração de Zhou Yibao, executivo da OPPO, publicada na rede social chinesa Weibo. Segundo ele, a empresa já desenvolveu protótipos de telemóvel de três dobras plenamente funcionais, demonstrando que a engenharia necessária para esse formato não é mais um obstáculo interno.

Ter a tecnologia pronta, mas não lançá-la, é um sinal claro de maturidade estratégica. Desenvolver um tri-fold envolve desafios complexos como múltiplas dobradiças, maior área de ecrã flexível e um sistema interno capaz de lidar com diferentes modos de uso. A OPPO conseguiu superar esses desafios em laboratório, o que reforça sua capacidade técnica no segmento de dobráveis.

No entanto, a empresa reconhece que transformar um protótipo em produto comercial exige mais do que inovação. É preciso garantir durabilidade, experiência de uso consistente e, sobretudo, um preço que não afaste completamente o consumidor. Nesse ponto, a OPPO entende que o mercado ainda não está pronto para absorver esse tipo de produto em larga escala.

Por que o mercado de três dobras ainda é um risco

O principal fator que pesa contra o lançamento imediato de um telemóvel de três dobras da OPPO é o custo de produção. Dispositivos desse tipo exigem painéis flexíveis maiores, dobradiças mais complexas e processos de fabricação com menor taxa de aproveitamento, o que encarece drasticamente o produto final. O exemplo mais claro é o Huawei Mate XT, que chegou ao mercado com um preço extremamente elevado, posicionando-se como um produto de nicho para poucos consumidores.

Além disso, há relatos de que até mesmo gigantes como a Samsung enfrentam dificuldades financeiras com os dobráveis mais avançados. Apesar da força da marca e da escala global, os modelos experimentais geram margens reduzidas e, em alguns casos, prejuízos diretos. Isso levanta dúvidas sobre a sustentabilidade desse formato no curto prazo.

Outro ponto crítico é a fragilidade inerente ao hardware. Quanto mais dobras, maior a probabilidade de desgaste mecânico e falhas ao longo do tempo. Para o utilizador comum, a utilidade prática de um tri-fold ainda não justifica o investimento elevado. Muitos consumidores questionam se o ganho de ecrã realmente compensa o aumento de peso, espessura e risco de danos, especialmente quando os dobráveis tradicionais já atendem bem a maioria dos cenários de uso.

O futuro dos dobráveis e a posição da OPPO

Ao optar por adiar o lançamento, a Oppo sinaliza que prefere consolidar sua presença em formatos já conhecidos, como a linha Find N, antes de apostar em algo tão disruptivo quanto um telemóvel de três dobras. Essa estratégia permite à marca aprimorar dobradiças, softwares adaptativos e otimização de apps, preparando o terreno para um salto maior no futuro.

No ecossistema Android, essa postura tem impacto relevante. A OPPO é vista como uma das fabricantes mais inovadoras da China, e sua decisão de esperar pode influenciar outras marcas a repensarem lançamentos apressados. Ao mesmo tempo, a pressão competitiva continua, especialmente com a Huawei avançando em mercados onde ainda mantém forte presença e a Samsung explorando novos conceitos como o hipotético Galaxy Z TriFold.

No longo prazo, é provável que os tri-fold se tornem mais acessíveis e robustos, à medida que a cadeia de produção amadureça e os custos caiam. Quando isso acontecer, a OPPO estará bem posicionada para entrar no jogo com um produto mais equilibrado, evitando os erros iniciais dos pioneiros e oferecendo uma experiência mais refinada ao consumidor.

A decisão da OPPO não representa um recuo tecnológico, mas sim uma leitura realista do mercado atual. Para os entusiastas de Android e inovação, fica a expectativa de que, quando o telemóvel de três dobras da OPPO finalmente chegar, ele venha como um produto verdadeiramente pronto para o uso diário, e não apenas como uma vitrine de engenharia. E você, pagaria um preço premium por um smartphone com três dobras ou prefere esperar a tecnologia amadurecer?

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