A corrida pela supremacia da inteligência artificial acaba de ganhar um novo capítulo nos bastidores da fabricação de chips. A Tesla Dojo 3, próxima geração do supercomputador da montadora, deixa de depender da TSMC, firmando um contrato bilionário com a Samsung e incorporando o suporte especializado da Intel. Esta mudança estratégica promete acelerar o desenvolvimento do Full Self-Driving (FSD), o sistema de direção autônoma da Tesla, e reposicionar a empresa no mapa global de semicondutores.
Samsung assume o protagonismo nos chips de 2nm
O maior destaque desta transição é a Samsung, que terá a missão de produzir os chips de 2nm para o supercomputador da Tesla. O contrato firmado gira em torno de US$ 16,5 bilhões, refletindo a confiança de Elon Musk na capacidade da fabricante sul-coreana de fornecer volumes elevados com tecnologia de ponta. A Samsung oferece não apenas processos avançados de litografia, mas também maior flexibilidade de produção, garantindo que a Tesla Dojo 3 não enfrente gargalos críticos na entrega de chips essenciais para o treinamento de suas redes neurais.
A mudança também reforça a posição da Samsung como fornecedora estratégica no mercado de IA, competindo diretamente com a TSMC, que tem enfrentado alta demanda de múltiplos clientes e limitações de capacidade para novos projetos como o Dojo 3.

O papel da Intel: além do processador tradicional
Enquanto a Samsung cuida da fabricação dos chips, a Intel assume uma função menos visível, mas igualmente crucial: o packaging, ou a embalagem avançada dos chips. Este processo envolve integrar múltiplos componentes em módulos otimizados, garantindo desempenho térmico e elétrico ideal para o supercomputador da Tesla. A expertise da Intel neste setor permite que a Tesla maximize a eficiência de seus chips, aumentando a velocidade de processamento e reduzindo falhas, fatores determinantes para a confiabilidade do FSD.
Além disso, a Intel contribui com suporte técnico próximo ao cliente, oferecendo ajustes de design e testes especializados, algo que a TSMC não conseguiria priorizar devido à sua agenda já saturada com outros clientes de alto perfil.
Por que a Tesla abandonou a TSMC para o Dojo 3?
A TSMC foi parceira da Tesla em gerações anteriores do Dojo, mas a crescente demanda global por chips avançados criou um cenário de prioridade limitada e atrasos. A escolha da Samsung e Intel para o Dojo 3 é estratégica: garante linha de produção dedicada, suporte técnico mais próximo e flexibilidade de design, sem comprometer prazos críticos de entrega.
Elon Musk, conhecido por buscar inovação acelerada, priorizou parceiros que pudessem oferecer capacidade garantida, algo que a TSMC não poderia assegurar no curto prazo. A mudança reflete também a intenção da Tesla de internalizar maior controle sobre sua cadeia de suprimentos, reduzindo riscos de interrupções e aumentando a resiliência frente a crises globais de semicondutores.
O impacto no supercomputador Dojo e na condução autônoma
O Dojo 3 é o coração da IA da Tesla, responsável por processar dados de milhões de carros na frota global da montadora. Cada chip de 2nm produzido pela Samsung e otimizado pela Intel contribui para o treinamento de redes neurais capazes de entender cenários complexos de trânsito e melhorar o Full Self-Driving.
Com mais poder de processamento, a Tesla poderá treinar modelos maiores e mais precisos, reduzir tempos de atualização e aumentar a segurança do sistema autônomo. A parceria estratégica também sinaliza que a Tesla planeja expandir o Dojo para suportar novos projetos de IA além do FSD, potencialmente incluindo assistentes inteligentes e otimização energética de veículos elétricos.
Conclusão: um novo equilíbrio no mercado de semicondutores
A decisão da Tesla de migrar a produção do Dojo 3 da TSMC para Samsung e Intel marca um movimento significativo no mercado de chips para IA. Além de acelerar o FSD, a mudança reforça a importância de ter parceiros confiáveis e dedicados em uma indústria altamente competitiva.
O contrato bilionário com a Samsung e a expertise da Intel no packaging criam um novo equilíbrio no fornecimento de semicondutores avançados, podendo até influenciar a dinâmica entre fabricantes globais. Para o setor automotivo e investidores, esta é uma clara demonstração de que a Tesla busca não apenas inovação em veículos elétricos, mas também domínio tecnológico em inteligência artificial.
O futuro do Dojo 3 será decisivo para a evolução da IA da Tesla e para a corrida global de supercomputadores automotivos. A pergunta que fica é: a Samsung conseguirá consolidar sua posição como fornecedora líder em chips de próxima geração, ou a TSMC conseguirá recuperar terreno em projetos futuros?
