Oficial: Ubuntu 26.04 “Resolute Raccoon” e o fim do Software e atualizações

Adeus à interface gráfica de drivers: o Ubuntu 26.04 força a mão no terminal.

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
  • Mudança na ISO: o Ubuntu 26.04 removeu nativamente o app "Software e Atualizações", obrigando usuários a gerenciar repositórios via linha de comando ou loja nova.
  • Impacto em hardware legado: no Brasil, onde o uso de dongles Wi-Fi antigos (Realtek/Broadcom) é comum, a falta da aba "Drivers Adicionais" pode dificultar a instalação offline.
  • Segurança vs. usabilidade: a Canonical substituiu a ferramenta antiga pelo Security Center (em Flutter), centralizando criptografia e Livepatch, mas escondendo a gestão de PPAs.
  • Solução via terminal: a ferramenta não foi "morta", apenas ocultada; o comando sudo apt install software-properties-gtk restaura a funcionalidade clássica imediatamente.
  • Veredito técnico: a atualização foca em limpeza de código Python antigo, mas gera fricção para quem depende de repositórios de terceiros (Launchpad/PPAs).

O burburinho é real e a data de hoje (11 de fevereiro de 2026) marca a confirmação oficial nas “Daily Builds“. A ferramenta clássica “Software e Atualizações” (o pacote software-properties-gtk) foi removida da instalação padrão do Ubuntu 26.04 LTS.

Abaixo investigamos o que a Comunidade Ubuntu comentou sobre a mudança e na análise técnica das novas ISOs.

O clima geral: “limpeza” ou “sabotagem”?

O sentimento predominante é de ceticismo defensivo.

Enquanto desenvolvedores da Canonical celebram a remoção de um código legado (baseado em Python/GTK antigo) em favor do novo Security Center (feito em Flutter/Dart), a comunidade de “power users” vê isso como mais uma barreira para dificultar o uso de PPAs e .deb tradicionais, empurrando usuários novatos para o ecossistema Snap.

Não é um bug; é uma decisão de design. O gerenciamento de repositórios agora é fragmentado entre o App Center e o Terminal.

O que a Comunidade Linux anda comentando em fóruns “hoje”:

CritérioAvaliaçãoO que dizem (fatos)
Gerenciamento de PPAs🔻 PiorouSem GUI nativa imediata. Usuários dependem do terminal (add-apt-repository) ou reinstalação manual.
Drivers (NVIDIA/Wi-Fi)⚠️ ConfusoMigrado parcialmente para o App Center e Security Center. Relatos de confusão ao buscar drivers proprietários bcmwl-kernel-source.
Performance da UI🟢 MelhorouMenos apps legados carregando no boot. O novo Security Center abre instantaneamente (Flutter).
Estabilidade🟢 EstávelA remoção de código antigo eliminou bugs recorrentes de travamento do aptd em atualizações de fundo.

O lado bom (elogios frequentes)

A decisão não foi arbitrária. Existem benefícios técnicos claros apontados por mantenedores do GNOME e Ubuntu:

  • Fim do legado Python: O software-properties-gtk era uma colcha de retalhos de código antigo. Sua remoção reduz a superfície de ataque e dependências obsoletas na ISO amd64.
  • Centralização no “Security Center”: funcionalidades críticas, como o Livepatch e a criptografia de disco (agora com suporte a TPM-backed FDE), foram migradas para o novo Security Center. Isso cria uma experiência mais coesa para administradores de sistemas.
  • Suporte a hardware moderno: O foco da engenharia mudou para garantir que o kernel (série 6.x recente) e o Mutter (Wayland) lidem melhor com GPUs NVIDIA modernas, reduzindo o “blocked frame time” sem depender da ferramenta antiga de drivers.

O lado ruim (bugs e queixas)

Aqui reside a maior fonte de reclamações. A ausência da ferramenta afeta fluxos de trabalho específicos:

  • A “muralha” dos PPAs: Para adicionar um repositório como o ppa:obs-project/obs-studio ou drivers de mesa gráfica (ex: ppa:doctormo/wacom-plus), o usuário agora precisa usar o terminal. Não existe mais a aba “Outros Softwares” clicável por padrão.
  • Opacidade dos drivers: usuários com placas de Wi-Fi problemáticas (ex: Realtek RTL8821CE) relatam que o novo App Center nem sempre notifica corretamente sobre a disponibilidade de drivers proprietários, algo que a ferramenta antiga fazia com uma aba dedicada (“Drivers Adicionais”).
  • Sensação de “vendor lock-in”: comentários frequentes acusam a Canonical de esconder a gestão de .deb para priorizar a instalação de Snaps via App Center, já que gerenciar fontes externas ficou visualmente inacessível.

A polêmica da vez

A discussão técnica migrou para uma filosófica. A Canonical argumenta que usuários domésticos quebravam seus sistemas ao marcar caixas aleatórias em “Proposto” (noble-proposed ou resolute-proposed) ou ao misturar repositórios instáveis.

A comunidade responde que remover a GUI não educa o usuário, apenas tira o controle. O termo “Windowsification” está sendo usado pejorativamente para descrever essa ocultação de configurações avançadas.

Veredito: vale a pena atualizar?

Depende do seu perfil.

  • Atualize SE: Você usa hardware padrão (Intel/AMD, Wi-Fi Intel AX200/210) e se satisfaz com os apps da loja oficial (Snap/Deb padrão). A experiência “out of the box” do Ubuntu 26.04 está mais polida e segura.
  • Prepare-se SE: Você depende de PPAs, drivers de áudio específicos ou kernels customizados (XanMod/Liquorix). Você precisará se acostumar com o terminal.

A solução rápida (o “pulo do gato”):

Se você migrar e sentir falta da ferramenta, ela não foi excluída dos repositórios, apenas da instalação padrão. Você pode trazê-la de volta em segundos:

Bash
sudo apt update && sudo apt install software-properties-gtk

Após isso, o ícone “Software e Atualizações” voltará ao menu como se nada tivesse acontecido.

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