- Mudança na ISO: o Ubuntu 26.04 removeu nativamente o app "Software e Atualizações", obrigando usuários a gerenciar repositórios via linha de comando ou loja nova.
- Impacto em hardware legado: no Brasil, onde o uso de dongles Wi-Fi antigos (Realtek/Broadcom) é comum, a falta da aba "Drivers Adicionais" pode dificultar a instalação offline.
- Segurança vs. usabilidade: a Canonical substituiu a ferramenta antiga pelo Security Center (em Flutter), centralizando criptografia e Livepatch, mas escondendo a gestão de PPAs.
- Solução via terminal: a ferramenta não foi "morta", apenas ocultada; o comando sudo apt install software-properties-gtk restaura a funcionalidade clássica imediatamente.
- Veredito técnico: a atualização foca em limpeza de código Python antigo, mas gera fricção para quem depende de repositórios de terceiros (Launchpad/PPAs).
O burburinho é real e a data de hoje (11 de fevereiro de 2026) marca a confirmação oficial nas “Daily Builds“. A ferramenta clássica “Software e Atualizações” (o pacote software-properties-gtk) foi removida da instalação padrão do Ubuntu 26.04 LTS.
Abaixo investigamos o que a Comunidade Ubuntu comentou sobre a mudança e na análise técnica das novas ISOs.
O clima geral: “limpeza” ou “sabotagem”?
O sentimento predominante é de ceticismo defensivo.
Enquanto desenvolvedores da Canonical celebram a remoção de um código legado (baseado em Python/GTK antigo) em favor do novo Security Center (feito em Flutter/Dart), a comunidade de “power users” vê isso como mais uma barreira para dificultar o uso de PPAs e .deb tradicionais, empurrando usuários novatos para o ecossistema Snap.
Não é um bug; é uma decisão de design. O gerenciamento de repositórios agora é fragmentado entre o App Center e o Terminal.
O que a Comunidade Linux anda comentando em fóruns “hoje”:
| Critério | Avaliação | O que dizem (fatos) |
| Gerenciamento de PPAs | 🔻 Piorou | Sem GUI nativa imediata. Usuários dependem do terminal (add-apt-repository) ou reinstalação manual. |
| Drivers (NVIDIA/Wi-Fi) | ⚠️ Confuso | Migrado parcialmente para o App Center e Security Center. Relatos de confusão ao buscar drivers proprietários bcmwl-kernel-source. |
| Performance da UI | 🟢 Melhorou | Menos apps legados carregando no boot. O novo Security Center abre instantaneamente (Flutter). |
| Estabilidade | 🟢 Estável | A remoção de código antigo eliminou bugs recorrentes de travamento do aptd em atualizações de fundo. |
O lado bom (elogios frequentes)
A decisão não foi arbitrária. Existem benefícios técnicos claros apontados por mantenedores do GNOME e Ubuntu:
- Fim do legado Python: O
software-properties-gtkera uma colcha de retalhos de código antigo. Sua remoção reduz a superfície de ataque e dependências obsoletas na ISOamd64. - Centralização no “Security Center”: funcionalidades críticas, como o Livepatch e a criptografia de disco (agora com suporte a TPM-backed FDE), foram migradas para o novo Security Center. Isso cria uma experiência mais coesa para administradores de sistemas.
- Suporte a hardware moderno: O foco da engenharia mudou para garantir que o kernel (série 6.x recente) e o Mutter (Wayland) lidem melhor com GPUs NVIDIA modernas, reduzindo o “blocked frame time” sem depender da ferramenta antiga de drivers.
O lado ruim (bugs e queixas)
Aqui reside a maior fonte de reclamações. A ausência da ferramenta afeta fluxos de trabalho específicos:
- A “muralha” dos PPAs: Para adicionar um repositório como o
ppa:obs-project/obs-studioou drivers de mesa gráfica (ex:ppa:doctormo/wacom-plus), o usuário agora precisa usar o terminal. Não existe mais a aba “Outros Softwares” clicável por padrão. - Opacidade dos drivers: usuários com placas de Wi-Fi problemáticas (ex: Realtek RTL8821CE) relatam que o novo App Center nem sempre notifica corretamente sobre a disponibilidade de drivers proprietários, algo que a ferramenta antiga fazia com uma aba dedicada (“Drivers Adicionais”).
- Sensação de “vendor lock-in”: comentários frequentes acusam a Canonical de esconder a gestão de
.debpara priorizar a instalação de Snaps via App Center, já que gerenciar fontes externas ficou visualmente inacessível.
A polêmica da vez
A discussão técnica migrou para uma filosófica. A Canonical argumenta que usuários domésticos quebravam seus sistemas ao marcar caixas aleatórias em “Proposto” (noble-proposed ou resolute-proposed) ou ao misturar repositórios instáveis.
A comunidade responde que remover a GUI não educa o usuário, apenas tira o controle. O termo “Windowsification” está sendo usado pejorativamente para descrever essa ocultação de configurações avançadas.
Veredito: vale a pena atualizar?
Depende do seu perfil.
- Atualize SE: Você usa hardware padrão (Intel/AMD, Wi-Fi Intel AX200/210) e se satisfaz com os apps da loja oficial (Snap/Deb padrão). A experiência “out of the box” do Ubuntu 26.04 está mais polida e segura.
- Prepare-se SE: Você depende de PPAs, drivers de áudio específicos ou kernels customizados (XanMod/Liquorix). Você precisará se acostumar com o terminal.
A solução rápida (o “pulo do gato”):
Se você migrar e sentir falta da ferramenta, ela não foi excluída dos repositórios, apenas da instalação padrão. Você pode trazê-la de volta em segundos:
sudo apt update && sudo apt install software-properties-gtkApós isso, o ícone “Software e Atualizações” voltará ao menu como se nada tivesse acontecido.
