A Canonical deu um passo importante para facilitar os testes de desempenho no ecossistema Linux. As compilações diárias (daily builds) do Ubuntu 26.10, de codinome “Stonking Stingray”, passaram a incluir imagens ISO baseadas nativamente na microarquitetura x86_64-v3 (amd64v3). A mudança permite que os usuários instalem um sistema totalmente otimizado para processadores modernos logo no primeiro boot, sem a necessidade de configurações manuais pós-instalação.
As novas ISOs começaram a ser distribuídas no início de setembro de 2026 nos servidores da Canonical, juntando-se às imagens padrão amd64 (v1), arm64 e riscv64.
O que isso muda na prática
A base amd64 tradicional do Ubuntu é compilada para garantir máxima compatibilidade, funcionando em praticamente qualquer processador de 64 bits lançado nas últimas duas décadas. No entanto, essa abordagem conservadora impede que o sistema operacional e os aplicativos extraiam o máximo de recursos inseridos em chips mais recentes.
O padrão x86_64-v3 eleva a linha de base. Ele pressupõe que o processador possui suporte a instruções avançadas, como AVX, AVX2, FMA e BMI2. Na prática, isso beneficia cálculos complexos, compilação de código e processamento gráfico. Estão aptos a rodar esse conjunto de instruções os chips fabricados a partir de 2013, o que inclui a arquitetura Haswell da Intel e a linha Excavator da AMD, além de todos os modelos superiores.
Para o usuário comum com hardware legado, nada muda: a Canonical continuará fornecendo a versão amd64 padrão. A versão v3 segue como uma alternativa de alto desempenho para quem possui máquinas compatíveis.
Fim da conversão manual
A Canonical já vinha experimentando pacotes amd64v3 nos repositórios do Ubuntu há algum tempo. Contudo, o processo de adoção era burocrático. O usuário precisava instalar o Ubuntu através da ISO genérica, alterar as configurações do gerenciador de pacotes APT e forçar uma atualização completa (upgrade) para substituir os binários antigos pelos otimizados.
Com as novas ISOs diárias do Ubuntu 26.10, esse atrito desaparece. O instalador já aplica a base de pacotes otimizada desde o início, entregando um ambiente pronto para benchmarks e testes de estabilidade.
Contexto do mercado Linux

A movimentação da Canonical reflete uma tendência mais ampla no mundo corporativo e de servidores. A Red Hat, por exemplo, já definiu o x86_64-v3 como requisito obrigatório para o Red Hat Enterprise Linux 10 (RHEL 10). Outras distribuições focadas em desempenho também adotaram o padrão de forma nativa.
O Ubuntu, por sua natureza de atender tanto data centers modernos quanto laptops antigos de usuários domésticos, adota uma transição mais cautelosa. A oferta de ISOs dedicadas indica que a empresa busca aumentar o volume de testes e feedback da comunidade antes de tomar qualquer decisão definitiva sobre mudanças de arquitetura padrão no futuro.
Como verificar a compatibilidade
Para os interessados em testar as novas ISOs, é possível verificar se o processador atual suporta a arquitetura x86_64-v3 executando um comando simples no terminal de qualquer distribuição Linux:
$ /lib64/ld-linux-x86-64.so.2 --help | grep x86-64Se a saída listar x86-64-v3 (supported, searched), o hardware está pronto. As imagens diárias do Ubuntu 26.10 podem ser baixadas diretamente no servidor oficial cdimages.ubuntu.com, lembrando que se trata de uma versão em desenvolvimento ativo (alpha), sujeita a instabilidades.
