A expectativa pelo retorno da Valve ao mercado de hardware de mesa era enorme. Gamers e usuários de Linux aguardavam ansiosamente o lançamento do Steam Machine 2026, prometido como um passo significativo para integrar o SteamOS à experiência de console e PC. No entanto, a empresa anunciou que o lançamento foi adiado para o primeiro semestre de 2026, citando problemas de fornecimento de componentes, especialmente a alta nos preços de RAM, e a instabilidade econômica global.
O impacto da escassez de componentes no novo hardware
Em nota oficial, a Valve explicou que os atrasos não estão ligados ao desenvolvimento do Steam Machine em si, mas à dificuldade de garantir componentes suficientes para produção em larga escala. O novo hardware, que inclui o Steam Frame e o novo Controller, depende de chips de última geração, RAM de alta performance e unidades de armazenamento rápidas. O aumento nos preços de memórias e placas gráficas tornou inviável manter o custo final competitivo.
A crise de fornecimento também afeta a produção de servidores que suportam serviços de IA, usados tanto por grandes empresas quanto por estúdios de games. Isso acabou desviando parte do estoque de RAM de alta performance que poderia abastecer o Steam Machine 2026.

Por que a memória RAM triplicou de preço?
O preço da RAM disparou nos últimos meses devido à crescente demanda de centros de dados que alimentam sistemas de IA. Modelos de aprendizado de máquina de grande escala exigem módulos de alta capacidade e velocidade, reduzindo drasticamente a disponibilidade para o mercado consumidor. Além disso, a escassez é agravada por limitações de produção em fábricas e pela instabilidade em cadeias de suprimentos internacionais, tornando o custo da RAM para PCs gamers praticamente três vezes maior do que no mesmo período do ano passado.
O desafio de precificar um console em um mercado instável
Para a Valve, definir o preço do novo console da Valve tornou-se um quebra-cabeça. O mercado de consoles tradicionais, como PlayStation e Xbox, mantém preços relativamente estáveis, enquanto o custo de produção de PCs gamer dispara devido a RAM, placas gráficas e outros componentes essenciais. A empresa precisa equilibrar valor e acessibilidade para não afastar potenciais compradores do SteamOS, sem sacrificar a performance prometida.
Além disso, a volatilidade cambial e as incertezas econômicas globais adicionam pressão sobre a formação de preço. A expectativa inicial de um console competitivo em 2026 pode sofrer ajustes, o que reforça a importância de transparência por parte da Valve sobre datas e custos.
O papel da AMD e o futuro do SteamOS
Em declaração recente, Lisa Su, CEO da AMD, destacou que os processadores e GPUs estão prontos para abastecer o hardware SteamOS, garantindo performance equivalente ou superior à de consoles concorrentes. O problema, segundo ela, não é técnico, mas logístico: a escassez de RAM e a alta dos componentes dificultam a produção em escala.
Apesar do adiamento, o ecossistema SteamOS deve se beneficiar de melhorias contínuas, incluindo otimizações para jogos Linux, integração com streaming e suporte a títulos AAA. Isso reforça o apelo do Steam Machine 2026 como uma alternativa flexível entre console e PC gamer, mesmo que o lançamento sofra atrasos.
Conclusão e o que esperar nos próximos meses
O adiamento do Steam Machine 2026 reforça os desafios enfrentados por empresas que dependem de hardware avançado em um mercado volátil. Para usuários e gamers, resta acompanhar a evolução dos preços de RAM e demais componentes, enquanto se decide entre esperar o lançamento oficial ou montar um PC Linux por conta própria. O cenário também mostra como a corrida por IA impacta diretamente o custo de tecnologia gamer, tornando o planejamento financeiro uma etapa essencial para quem busca desempenho sem comprometer o orçamento.
