Um novo alerta de segurança foi emitido após a descoberta de uma perigosa vulnerabilidade Sitecore que pode levar à execução remota de código (RCE). Pesquisadores do watchTowr Labs revelaram três falhas críticas — CVE-2025-53693, CVE-2025-53691 e CVE-2025-53694 — que, quando encadeadas, permitem que um atacante comprometa totalmente servidores que executam a Sitecore Experience Platform.
Essas falhas são especialmente preocupantes porque, sozinhas, algumas exigiriam condições mais restritivas para exploração. No entanto, quando utilizadas em conjunto, criam uma cadeia de ataque extremamente poderosa e de difícil detecção. A boa notícia é que a Sitecore já lançou patches de segurança em junho e julho de 2025, mas a urgência para atualização é máxima.
Neste artigo, vamos explicar como essas vulnerabilidades funcionam, o impacto que representam e quais medidas devem ser tomadas imediatamente por administradores e profissionais de TI para proteger seus ambientes.

O que é a Sitecore experience platform?
A Sitecore Experience Platform (XP) é uma das soluções corporativas mais populares para gerenciamento de conteúdo (CMS) e experiência digital (DXP). Amplamente usada por empresas globais, a plataforma combina recursos de personalização, automação de marketing e integração com ecossistemas baseados em .NET.
Por ser uma solução robusta e frequentemente exposta à internet, o Sitecore é um alvo atraente para cibercriminosos. Falhas de segurança nessa plataforma podem ter consequências devastadoras, como o roubo de dados sensíveis, interrupção de serviços e comprometimento da infraestrutura corporativa.
As vulnerabilidades em detalhe
Três falhas distintas foram identificadas, cada uma explorando diferentes pontos da arquitetura do Sitecore. Quando combinadas, elas permitem um ataque completo capaz de entregar RCE sem autenticação.
CVE-2025-53693: Envenenamento de cache HTML (Cache Poisoning)
O envenenamento de cache ocorre quando um invasor consegue inserir conteúdo malicioso em páginas armazenadas em cache. Assim, quando um usuário acessa a aplicação, em vez de visualizar o conteúdo legítimo, recebe a versão adulterada.
No Sitecore, a falha CVE-2025-53693 permite que atacantes manipulem entradas de cache e injetem código HTML ou JavaScript malicioso. Esse código pode ser usado para roubo de cookies, redirecionamentos ou até a preparação de ataques mais sofisticados.
CVE-2025-53691: Execução remota de código por desserialização insegura
A falha CVE-2025-53691 está relacionada à desserialização insegura. No ecossistema .NET, a desserialização ocorre quando objetos são convertidos novamente de texto ou binário para sua forma original. O problema é que, se esse processo não for controlado, invasores podem manipular os dados e injetar payloads maliciosos.
O perigo aumenta quando o BinaryFormatter é utilizado sem restrições. Ele permite a execução de código durante o processo de desserialização. Isso significa que, ao explorar essa falha, um invasor pode executar comandos arbitrários no servidor — caracterizando uma execução remota de código.
CVE-2025-53694: Vazamento de chaves de cache
O CVE-2025-53694 expõe informações sensíveis relacionadas a chaves de cache. Mesmo um atacante não autenticado pode descobrir nomes de chaves utilizadas pela aplicação. Esse conhecimento é essencial para viabilizar o envenenamento de cache descrito anteriormente.
Ao acessar essas chaves, o invasor consegue manipular diretamente os dados armazenados, facilitando a exploração das demais vulnerabilidades.
A corrente de exploração: Como um ataque completo acontece
Embora cada falha seja grave por si só, o verdadeiro perigo está em como elas podem ser encadeadas. Esse encadeamento transforma uma falha limitada em uma ameaça crítica.
- Descoberta das chaves de cache (CVE-2025-53694):
O atacante começa identificando quais chaves de cache estão sendo utilizadas pela aplicação. - Envenenamento do cache (CVE-2025-53693):
De posse das chaves, o invasor injeta HTML ou JavaScript malicioso em uma página cacheada. - Exploração via desserialização insegura (CVE-2025-53691):
Quando um usuário autenticado — como um administrador — acessa a página adulterada, o código malicioso é executado. Isso aciona o processo de desserialização insegura, culminando na execução remota de código no servidor.
O resultado é devastador: uma falha que inicialmente exigiria acesso privilegiado passa a ser explorável de forma não autenticada, permitindo o controle completo do servidor vulnerável.
Impacto e recomendações oficiais
O impacto dessas falhas é classificado como crítico. Um invasor remoto e não autenticado pode, através dessa cadeia de exploração, assumir o controle de servidores rodando a Sitecore Experience Platform. Isso abre caminho para roubo de dados, espionagem corporativa, instalação de malwares e até ransomwares.
A recomendação oficial é clara: aplicar imediatamente os patches de segurança liberados pela Sitecore em junho e julho de 2025. Adiar essa atualização significa deixar os sistemas expostos a ataques que já estão sendo discutidos e testados por pesquisadores — e, possivelmente, já por grupos maliciosos.
Além da aplicação das correções, administradores devem:
- Monitorar logs de acesso em busca de tentativas de envenenamento de cache.
- Restringir o uso do BinaryFormatter e adotar alternativas seguras para serialização no .NET.
- Implementar regras de firewall e WAF para bloquear payloads maliciosos conhecidos.
- Revisar periodicamente a configuração de cache e reforçar controles de acesso.
Conclusão
As falhas CVE-2025-53693, CVE-2025-53691 e CVE-2025-53694 representam uma das descobertas de segurança mais graves no Sitecore nos últimos anos. Ao permitir a execução remota de código sem autenticação, elas ampliam enormemente o risco para organizações que utilizam a plataforma.
Se você é administrador ou desenvolvedor responsável por uma instância do Sitecore, a mensagem é urgente: aplique os patches agora. O tempo de resposta pode ser o fator decisivo entre manter sua infraestrutura protegida ou sofrer um ataque devastador.