X.Org atualiza bibliotecas e acelera migração para Meson em um “mutirão” técnico de janeiro

Meson, limpeza de legado e nova API no X11.

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...

Uma leva de bibliotecas do ecossistema X.Org recebeu atualizações em janeiro de 2026, coordenadas por Alan Coopersmith (Oracle/Solaris). O impacto é direto para quem mantém distros e pacotes: correções acumuladas, documentação ajustada e uma migração em massa para Meson, com corte de legado que só adicionava complexidade.

Mais do que “novidades”, esse tipo de faxina técnica é o que mantém o X11 compilável, empacotável e sustentável por mais alguns ciclos de toolchains modernas.

Destaques

  • Migração em massa para o Meson, com padronização do processo de build em várias bibliotecas.
  • Limpeza de código legado, incluindo remoções pontuais de suportes “ancestrais”.
  • libxkbfile 1.2.0 ganha a nova API XkbRF_FreeVarDefs() e aposenta o Autoconf em favor do Meson.

Melhorias de build: Meson ganhando tração

O eixo central dos releases é a adoção do Meson para reduzir atrito com pipelines modernos e tornar o build mais previsível. Entram aqui:

  • xkill 1.0.7 (Meson + mudanças de manutenção)
  • libXcomposite 0.4.7 (Meson)
  • libXdamage 1.1.7 (Meson)
  • libXinerama 1.1.6 (Meson)
  • libxkbfile 1.2.0 (troca de Autoconf por Meson)
  • libXrandr 1.5.5 (Meson)
  • libXxf86dga 1.1.7 (Meson)
  • libXxf86vm 1.1.7 (Meson)

A nuance importante é que nem tudo é “adoção do zero”. A libXvMC 1.0.15 entra como manutenção de infraestrutura: melhora o suporte Meson já existente e ajusta GitLab CI.

Limpeza de código e compatibilidade: menos dívida técnica

Além do build, há remoções cirúrgicas de legado para reduzir ramificações e condicionais que só encarecem manutenção:

  • libXpm 3.5.18 remove suporte antigo a Amiga e também a Windows 16-bit sem bibliotecas X11, além de ajustes de man pages e correções.

Esse tipo de corte diminui a superfície de regressões quando compiladores ficam mais estritos e facilita hardening e empacotamento.

Funcionalidades e manutenção: CLI, man pages e correções de compilador

Várias bibliotecas receberam ajustes pontuais, mas úteis na prática:

  • bitman 1.1.2 melhora formatação de man pages e traz correções de compilador.
  • libXext 1.3.7 combina correções com man pages melhores.
  • libXmu 1.3.0 recebe um conjunto pequeno de correções.
  • Xfd 1.1.5 adiciona opções -help e -version, além de correções de compilador.
  • xkill 1.0.7 também passa a oferecer -help, junto do suporte a Meson.

Análise editorial: por que isso importa com Wayland em alta

Wayland avança, mas o X11 continua aparecendo no mundo real, tanto por aplicações legadas quanto por camadas de compatibilidade e ambientes que priorizam previsibilidade. Para distribuições estáveis, o valor dessas atualizações é direto: menos surpresas com toolchains, menos fricção de empacotamento e uma base mais fácil de manter quando mudanças inevitáveis acontecem no ecossistema.

Chamar isso de “janitorial work” é preciso. É exatamente esse trabalho que impede que o X.Org vire um stack frágil, caro de compilar e difícil de manter.

FAQ

Essas atualizações ainda fazem sentido em 2026?

Sim. O ganho não está em “novos recursos”, e sim em manter bibliotecas essenciais compatíveis com ferramentas modernas de build e compilação, reduzindo regressões.

Meson muda algo para o usuário final?

Quase sempre de forma indireta: builds mais consistentes e empacotamento mais fácil tendem a melhorar estabilidade e reduzir tempo de correção quando algo quebra.

Por que remover suporte antigo como Amiga e Windows 16-bit?

Porque esses caminhos aumentam dívida técnica e dificultam manutenção em toolchains atuais. Cortar legado reduz complexidade e melhora a sustentabilidade do código.

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