Aula 1 – LP1 – Prova 101 – Português Brasil – Introdução

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Hoje
começamos uma nova etapa aqui no SempreUPdate, vamos ajudar nossos
leitores a começar a preparação para a prova de LPI 1, inicialmente para
prova 101 e em breve avançaremos para as próximas provas. É importante
destacar que fizemos uma enquete, onde 55% dos votantes escolheram que
as aulas fossem em texto, porque querem imprimir em PDF e montar seu
próprio material de estudo. No entanto, resolvemos fazer a aula em texto
e os comandos vamos demonstrar em vídeo, o que vai facilitar o nosso
entendimento.

Queremos agradecer de um modo especial, as empresas Click Informática da cidade de Presidente Venceslau – SP, Impressões Bárbaras da cidade de Castro – PR, ao Duzeru GNU/Linux
e demais colaboradores do SempreUPdate, pelo apoio nesse novo projeto
que se inicia e que vai beneficiar milhares de pessoas pelo país.

A
prova de LPI, é conhecida por seu grau minucioso, para não dizer que é
cheia de cascas de banana e que você pode escorregar, pensando nisso
vamos então voltar um pouco no tempo e entender o Linux através da
história.

A história

No
período de um ano, compreendidos entre 1968 e 1969 o grupo empresarial
composto por Bell Telephone LABS da AT&T, MIT e General Eletric
estavam dedicando seus esforços para lançar o seu sistema, chamado de
MULTICS (Multiplexed Information and Computing Service) o
grande foco era criar um sistema para os imensos computadores da época e
que vários usuários pudessem utilizar o sistema ao mesmo tempo. 

Mas,
algo saiu errado, o projeto MULTICS não deu certo e tudo deve que ser
cancelado e o grupo foi desmanchado. Mas como nada é em vão, os
desenvolvedores Ken Thompson e Dennis Ritchie da Bell Labs aprederam com
a experiência, e resolveram a aproveitar o que aprenderam com o projeto
para reformular tudo e criar um sistema operacional para jogar o space war, mas ao invés de grandes computadores, esse sistema foi instalado em um pequeno computador conhecido por DEC PDP-7 que tinha exatos 4k de ram para programas.

Acontece
que a jogada vingou, e não é que o resultado disso foi o UNICS
(UNiplexed Information and Computing Service). A linguagem utilizada
para desenvolver o sistema inicialmente foi assembly, e no ano de 1973
surgiu a primeira versão de seu kernel escrita em C que foi desenvolvida
para o DEC PDP-11.

Na
mesma época, a AT&T tinha um projeto que fornecia o código fonte
para estudantes, mas apenas para fins de estudo e nada comercial, e o
melhor, de graça. Entre os anos de 1977 e 1982 a empresa AT&T criou
um sistema chamado de Unix System III que na verdade foi a unificação
das várias versões do Unix e que foi avançando até o Unix System V.

E
aí chegamos no Andrew S. Tanenbaum, que é o desenvolvedor do Minix,
para quem não lembra, ele foi desenvolvido dentro do padrão POSIX
(Portable Operating System Interface), esse padrão foi criado para o
UNIX e que foi a base utilizada pelo nosso amigo Linus Torvalds que na
época estudava na Universidade de Helsink na Finlândia.

O
maior foco do Linus era apenas adaptar o sistema as suas necessidades,
implementados recursos e otimizando o sistema para seu equipamento. O
Linus, conseguiu desenvolver a partir daí um novo kernel que continha
recursos adicionais e regido por um modelo diferente.

Essas
informações do trabalho do Linus foi publicada em uma lista de
discussão semelhante ao modelo que utilizamos até hoje, essa lista
chamava-se USENET e foi publicada em 25 de Agosto de 1991. A publicação
ofertava o novo kernel como uma alternativa ao MINIX e ainda encorajava
os jovens estudantes a modificá-lo e adaptá-lo as necessidades de cada
um. Em um curto espaço de tempo muita gente entrou de cabeça, melhorias e
centenas de modificações foram implementadas dando origem ao kernel do
Linux.

Dentre todas as características do Linux, podemos destacar algumas:
  • O
    kernel do Linux foi lançado por Torvalds com a licença GPL da FSF que
    garante que este seja utilizado para qualquer fim e para qualquer
    ambiente de trabalho.
  • Sistema multi-tarefa
  • Sistema multi-usuário
  • Baseado no padrão POSIX
  • Compatibilidade com todos os aplicativos do projeto GNU lançado pelo Free Software Foundation.
  • Compatibilidade com várias arquiteturas
Quando
falamos em Software Livre, lembramos logo no Linux, mas isso as vezes
gera muita briga. Hoje sabemos que o kernel do Linux foi modificado e
que por sua vez contém código proprietário, o que não podemos dizer que
ele é 100% livre. Mas, antes de entrar mais a fundo vamos entender
primeiro o que é Software Livre!?

Tudo o que é LIVRE no mundo do Linux ou GNU/Linux, tem que ter algumas bases, e são elas:
  1. Liberdade de execução do programa/código para qualquer fim, seja ele pessoal ou comercial.
  2. Liberdade
    de estudar o programa/código que deve estar disponível para qualquer
    pessoa, inclusive com a capacidade de entender como ele funciona e
     também de modificá-lo para atender as suas necessidades.
  3. Liberdade de modificá-lo e de distribuição a qualquer pessoa afim de beneficiar a todos pelo seu avanço.
  4. Liberdade de copiar e redistribuir a qualquer pessoa, sem a necessidade de cobrança de licença.

Vamos entender um pouco sobre licenças?

E
aí você pergunta, mas que texto logo e porque que eu tenho que entender
tudo isso, pois é muitas cascas de banana são colocadas a prova, e você
precisa saber o que é livre e o que não é, já pensou fazer a empresa
que você for trabalhar ser multada por uso indevido de algo que não
poderia ser usado de forma comercial ou livre? Cuidado, não vá mexer no
código de quem não deve! 😉
Vamos
lá, todos os softwares que conhecemos tem um tipo de licença, que pode
ser proprietário ou livre, comercial ou gratuito. Quando falamos em GPL
quer dizer que é um Software Livre e que essa licença esta ligada ao
projeto GNU da Free Software Foundation, vale lembrar que TODOS os
softwares distribuídos pela FSF garante as quatro liberdade que
supracitamos.

Mas
e é só isso? Não, existem também algumas regras muito importantes que
devem ser seguidas para que se possa dizer que o Software é de fato
livre, vamos lá:
  1. Deve conter a referência ao autor e ao projeto original.
  2. Deve deixar claro que os dados do projeto original foram modificado.
  3. Não
    pode modificar a licença da publicação original de um trabalho, o
    projeto matriz deve ser mantido com a licença GPL e todos os seus
    derivados também.
  4. Deve conter informações de copyright e da ausência de garantias no uso ou até mesmo da intenção do software.

E o que seria distribuições Linux?

Quem
nunca ouviu esse termo em? Pois é, como o nome já sugere, é a
distribuição de um conjunto de softwares que contam um seus instaladores
que possuem como foco facilitar o trabalho do usuário ou até de um
administrador Linux. Então, para ficar claro, o Linux é apenas o kernel
que foi lançado pelo Linus Torvalds e o Software Livre que contém nele é
chamado de GNU, por isso que o correto mesmo é chamar as distribuições
que conhecemos de GNU/Linux, isso deixa claro que temos o Linux e
aplicativos lançados pela FSF. Hoje em dia o Linux está em todos os
cantos do mundo, em empresas, dispositivos e até no espaço.

Instalando o Linux

O
grande desafio de muitas pessoas quando dão de cara com o Linux a
primeira vez é a instalação, só que isso vem mudando com os anos, apenas
algumas distribuições mantém padrões manuais com a inserção do modo via
terminal. O que na verdade é útil para aqueles que querem aprender mais
profundamente o funcionamento do GNU/Linux, aí tudo é feito na mão, via
terminal.

Hoje em dia, mais de 80% das distribuições possuem sua
interface de instalação via modo gráfico, o que dispensa quaisquer
intervenção via linha de comando e facilita a vida de muita gente, tanto
o usuário de desktop, quanto para um gestor de redes ou TI.

Se
você já instalou o Ubuntu, LinuxMint, Duzeru e outras distribuições
voltadas para iniciantes, ou no caso do Ubuntu que pode ser usado para
servidor, vai notar que a instalação é tão simples quanto no Windows da
Microsoft, e que por via de regra seguem basicamente os mesmos passos,
no que diz respeito a particionamento, criação de usuários e a adição de
aplicativos ao sistema.

Este curso apresento à vocês tendo o
Debian como base, afinal é a distribuição que mais teve distros filhas,
aquelas derivadas como Ubuntu, LinuxMint, Duzeru, Knoppix, XandrOS e
tantas outras.

Particionamento do disco

O
particionamento do disco é essencial para que o sistema GNU/Linux seja
instalado, imagine então que o seu disco rígido seja uma pizza sem
sabor, e você precisa dividir a pizza em vários sabores, então do mesmo
jeito é o particionamento do disco para o GNU/Linux. Existem um padrão
recomendado para instalar as distribuições  que é a criação de 3
partições, uma para instalar o sistema raiz, outra para swap e por
último a partição onde vão ficar os arquivos do usuário /home.

Isso
é regra? Não! Como disse é recomendável, nada impede que você modifique
conforme as suas necessidades e as características de hardware, vou
explicar mais a frente sobre isso. Um detalhe importante, caso você faça
um particionamento e depois se arrependa você pode mudar o seu esquema
de partição mesmo após o GNU/Linux ter sido instalado, o ideal mesmo é
que você conclua toda o particionamento correto logo no começo, afinal
você não quer ter mais trabalho quando terminar de instalar, configurar,
personalizar.

Sistemas de arquivos

No
Linux, o sistema de arquivo no Linux são em resumo arquivos que são
gravados em diretórios. No Windows que é o sistema base de muita gente
antes de vir para o Linux você tem um sistema de arquivo “um pouco”
parecido, onde existem as unidades C: A: B: D: por exemplo, a unidade C:
é o local que o sistema da Microsoft é instalado, no Linux o diretório
C: seria o / ou chamado de diretório raiz.

Existem algumas normas
voltadas para o sistema de arquivos no Linux, neste artigo vou abordar a
tradicional chamada de FHS (File Hierarchy Standard), que é a mais
usada pela maioria das distribuições.
Diretórios em ordem alfabética
DiretórioDetalhes
binPrincipais comandos
bootArquivos para boot do Linux
devArquivos que gerenciam dispositivos
etcConfigurações do equipamento
libMódulos do Kernel e bibliotecas compartilhadas
mediaÉ o ponto de acesso para mídias removíveis
mntPonto de acesso para sistemas de arquivos temporários
optPacote de programas adicionais
sbinComandos vitalícios para o boot e administração do Linux
srvDados para serviços oferecidos pelo equipamento
tmpArquivos temporários
usrHierarquia secundária para programas adicionais
varDados de variáveis

E agora? Como faço para definir minhas partições? O que devo analisar?

Certamente
você não tem mais aquele computador antigo do ano 2000, mas se estiver
pensando recondicionar algum então vai uma dica, esses computadores mais
antigos possuem uma limitação na BIOS que não iniciam o sistema quando
os arquivos de boot estão acima de 1024 cilindros no disco rígido. Neste
caso, você terá que criar uma partição extra manualmente e atribuir a
essa partição o diretório /boot, ou não vai funcionar mesmo. Se o seu
computador é mais recente fique tranquilo, você pode sim executar o boot
diretamente da MBR por exemplo, pode criar a partição extra e ainda tem
os casos de boot via UEFI. Mas hoje, tudo é automatizado.

Agora
que já entendemos o boot, vamos para a próxima partição, que é a Swap
que corresponde no Windows a memória virtual ou ainda tecnicamente,
arquivo de troca. É recomendável atribuir a partição Swap o tamanho
correspondente ao dobro da sua RAM, em alguns casos quando o usuário tem
mais de 8GB de RAM e não utiliza toda a memória você não precisar por a
partição Swap, fica a seu critério. No meu caso eu prefiro não usar, e
nunca deu problema. Mas como falei, é recomendado e não obrigado a
fazer, mas se você tem 1GB, 2GB até 4GB pode sim fazer a partição Swap
com o dobro do tamanho da RAM.

Agora
vamos para a partição raiz ou simplesmente /, é nesta partição que vão
ficar todo os arquivos vitais para o funcionamento do sistema, é nela
que estão os diretórios que citamos acima. Para saber o tamanho da sua
partição é simples, pense como vai usar o seu sistema, se vai instalar
muitos aplicativos. Em caso de uso extremo como programas pesados e
imensos, distribuições com mais de 2GB de uso de espaço após instalado,
então é melhor ser um pouco generoso, no meu caso sempre deixo com 80Gb,
é espaço suficiente para minhas instalações de aplicativos e demais
itens, acredito que você já deva ter migrado seu disco rígido para a era
dos TB, então não vai lhe fazer falta. Existem pessoal que optam por
não fazer o particionamento manual, e deixam a raiz e a pasta /home na
mesma partição, eu prefiro não deixá-la, afinal se houver algum
imprevisto você pode perder os seus arquivos, e pode ter uma dor de
cabeça ao tentar recuperá-los, mas nada que uma ISO em modo Live não
resolva “eu sei”, mas é melhor evitar, crie então a partição raiz e
outra para a /home, que é o local onde os arquivos do usuário serão
guardados. Lembrando que, caso você tenha criptografado a pasta /home,
certamente vai ter mais trabalho.

Por padrão, notamos que
alguns diretórios ocupam um média de espaço, simulando um uso comum sem
muitos aplicativos e uma máquina um pouco mais modesta, veja como
ficaria o particionamento:

Partições com base em uso modesto
PartiçãoTamanho normalmente usado
/bootDeixamos em torno de 64Mb, geralmente usa-se apenas 30mb
/Para uso modesto, deixamos 12Gb é suficiente
/home30GB para que os usuários possam guardar seus arquivos
swapTendo 2GB de ram, vamos deixar com 4GB de Swap

Agora,
se você trabalha com servidor, então esses particionamento não vai dar
certo, afinal servidor com pouco espaço é prejuízo. Como falei
anteriormente, sempre é preciso pensar como será utilizado o seu
sistema, qual será a finalidade. Pensando em um servidor Web ou FTP,
precisamos gerenciar melhor nosso sistema, e para isso precisamos
definir além da raiz, arquivos de logs, arquivos de usuários como conta
de emails, ambiente gráfico se for o caso e também os dados dos
servidores, confira a tabela abaixo:
Partições com base em uso em servidors FTP/WEB Simples
PartiçãoTamanho normalmente usado
/bootDeixamos em torno de 64Mb, geralmente usa-se apenas 30mb
/Para Debian, deixamos 12Gb é suficiente
/homeVaria de acordo com o que vai ser gravado
/varLogs do sistema, caixa postais de e-mail
/usrAmbiente Gráfico
/srvDados de servidores como WEB e FTP
swapNosso arquivo de paginação, neste caso é bom criar.

Seja
lá qual for o seu tipo de servidor, lembre-se que a criação da partição
/var é vital, afinal você quer saber o que se passa no seu sistema e
monitorá-lo. Mas saiba que sempre, /boot, / e Swap são o mínimo
recomendado para servidores. E aí você deve estudar melhor o seu caso e
montar o seu servidor de acordo com as suas necessidades.

Gerenciadores de inicialização

Agora
que já sabemos particionar, chegou a hora de decidir pelo gerenciador
de inicialização. Hoje em dia temos algumas opções disponíveis, que são o
GRUB e LILO, estes são os mais populares. Vejo que geralmente as
distribuições tem utilizado em suas ISO’s o GRUB. Para quem acha que
nunca viu o GRUB ou LILO funcionando, saiba que eles são resumidamente
aquela lista de sistema operacionais em tela preta, no Windows seria o
NTLoader. Abaixo veja a tela do GRUB com a listagem, note que na lista
não aparece outros sistemas, porém aparecem os kernels disponíveis no
sistema,  modo de recuperação e teste de memória.

Vamos conhecer um pouco sobre o LILO

O
LILO é o mais antigo, dizem que ele foi parido pelo Linux! Pois é, o
Linux Loader pode ser instalado na MBR (Master Boot Record) ou no setor
de inicialização, que também é chamado de Boot Sector Initializer – BSI.
E de forma flexível, ele ainda pode ser instalado em mídias removíveis.
É
possível ter até 16 combinações diferentes para a inicialização em seus
mais diferentes, não digo diferentes distribuições, digo diferente
sistemas mesmo, como Windows, Linux, BSD e outras dezenas. O LILO também
é flexível em suas configurações e você pode alterar todas elas em
/etc/lilo.conf e ao final deve ser executado o comando lilo para gravar
as alterações na partição escolhida, seja na MBR ou BSI.

E agora, a vez do GRUB

O
GRUB ou GRand Unified Bootloader, também permite até 16 combinações
diferentes entres os mais variados sistemas operacionais, ele permite
gerenciá-lo seja via modo texto ou até gráfico, como não poderia ser
diferente, ele também pode ser instalado em mídias removíveis. No caso
do GRUB ele não precisa ser gravado na MBR ou BSI, pois as alterações
ficam gravada em /boot/grub/menu.lst e ela é lida quando sistema esta
iniciando.

Um
dos principais destaques do GRUB é que ele faz uma checagem do disco
rígido durante a inicialização, em especial quando estamos em nosso
computador de mesa e aquela bela queda de energia ocorre, então, na
próxima vez que iniciar o seu sistema com o GRUB ele fará as checagens
necessárias e corrigir possíveis falhas.

Referências:

Apoio

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