O projeto Asahi Linux anunciou neste domingo (6) um marco importante para a comunidade open source: o suporte oficial aos chips Apple M3, M3 Pro e M3 Max foi integrado ao instalador padrão. A novidade permite que proprietários de Macs equipados com a terceira geração do Apple Silicon executem distribuições Linux nativamente.
O que isso muda na prática
Para quem acompanha o desenvolvimento do Linux em hardware da Apple, a chegada da compatibilidade com os chips M3 significa que o projeto conseguiu mapear e desenvolver drivers essenciais para a nova arquitetura. Embora a experiência já seja funcional para a maioria das tarefas do dia a dia e para uso como ambiente de desenvolvimento, ela ainda está em fase de estabilização inicial e exige ressalvas, especialmente em relação ao processamento gráfico e ao gerenciamento avançado de energia.
O que já funciona na geração M3?
Segundo o anúncio publicado por James Calligeros no blog oficial do projeto, a equipe alcançou uma paridade notável com os recursos já oferecidos para as gerações M1 e M2. Na prática, quem instalar o sistema em um Mac com M3 terá acesso imediato a:
- Wi-Fi e Bluetooth;
- Webcam e microfones internos;
- Portas USB (atingindo o limite de hardware de USB 3.0 a 10 Gb/s);
- Decodificação de vídeo acelerada por hardware, incluindo suporte completo ao formato AV1.
Limitações atuais: GPU, suspensão e HDMI

Como tem sido padrão no esforço de engenharia reversa para o hardware da Apple, o subsistema de vídeo é a parte mais complexa de ser suportada. Os desenvolvedores confirmaram que ainda não há suporte completo ao coprocessador de exibição (DCP, Display Controller Processing) nem à GPU da geração M3.
Isso gera três limitações práticas imediatas na atual versão do sistema:
- Sem aceleração 3D nativa: Não é possível contar com desempenho rápido ou eficiência energética em renderização gráfica pesada, jogos ou interfaces complexas neste momento. A renderização acontece via software (LLVMpipe).
- Modo de suspensão quebrado: Como o Linux depende temporariamente de um framebuffer rudimentar fornecido pelo firmware da Apple, o computador ainda não consegue entrar no modo de suspensão (sleep) corretamente. O problema será corrigido assim que o DCP for totalmente ativado.
- Porta HDMI desativada: A ausência do suporte completo ao DCP também mantém as portas HDMI físicas dos MacBooks desabilitadas.
A equipe também ressaltou que, embora toda a linha principal de MacBooks e iMacs seja suportada, o Mac Studio (equipado com a variante M3 Ultra) ainda não é compatível com o instalador.
Como instalar o Asahi Linux no M3
Neste primeiro estágio, o suporte para a geração M3 está oculto e exige o modo Expert do instalador. Para iniciar o particionamento e a instalação diretamente pelo terminal do macOS, o comando oficial é:
$ curl -L [https://alx.sh/](https://alx.sh/) | EXPERT=1 shApós a conclusão e o primeiro boot na distribuição (como o Fedora Asahi Remix), os desenvolvedores recomendam fortemente a execução do comando dnf upgrade --refresh no terminal para garantir que todos os pacotes e patches mais recentes sejam aplicados.
O objetivo do projeto é remover a exigência do modo Expert nas próximas semanas. A meta é que a barreira seja derrubada a tempo para o lançamento da versão beta do Fedora Linux 45, base do sistema oficial parceiro do projeto Asahi.
