A promessa do Microsoft 365 Copilot sempre foi clara: aumentar a produtividade sem comprometer a segurança corporativa. No entanto, uma recente falha identificada como CW1226324 colocou essa premissa em xeque ao revelar que a ferramenta pode ignorar políticas de Prevenção contra Perda de Dados e rótulos de confidencialidade.
A ironia é evidente. Uma solução criada para auxiliar profissionais a navegar por grandes volumes de informação acabou, temporariamente, contornando regras críticas de proteção de dados. O problema envolve o processamento indevido de rascunhos e itens enviados, permitindo que o assistente de IA da Microsoft acesse conteúdos que deveriam estar restritos por políticas de DLP.
Desde setembro de 2025, o Microsoft 365 Copilot tem sido amplamente adotado por empresas de todos os portes. Integrado ao Outlook, Word, Teams e outras aplicações, tornou-se peça central em fluxos de trabalho corporativos. Justamente por isso, qualquer vulnerabilidade relacionada à privacidade gera preocupação imediata entre profissionais de TI e especialistas em segurança.
Entendendo o bug cw1226324 e seu impacto no Microsoft 365 Copilot
O incidente catalogado como CW1226324 afeta a chamada “aba de trabalho” do chat no Microsoft 365 Copilot. Esse espaço é utilizado para reunir e resumir conteúdos relacionados às atividades recentes do usuário, como e-mails, documentos e reuniões.
O problema ocorre porque a ferramenta de IA corporativa estaria indexando e processando mensagens que não deveriam ser incluídas no escopo de leitura, especialmente conteúdos protegidos por políticas de Prevenção contra Perda de Dados ou marcados com rótulos de sensibilidade.
Na prática, isso significa que o Copilot poderia gerar resumos ou sugestões baseadas em informações confidenciais que deveriam estar bloqueadas por regras organizacionais. Embora não haja evidência pública de exploração maliciosa em larga escala, o simples fato de o controle de segurança ter sido ignorado já representa um alerta crítico.

O problema nos itens enviados e rascunhos
Um dos pontos mais sensíveis do bug envolve itens enviados e rascunhos no Outlook. Normalmente, políticas de DLP são configuradas para impedir que determinados dados sejam compartilhados ou processados fora de contextos autorizados.
Contudo, devido ao erro de código associado ao CW1226324, o Microsoft 365 Copilot poderia considerar esses conteúdos como parte do material analisável para gerar respostas ou resumos.
Isso cria um cenário preocupante. Rascunhos muitas vezes contêm informações estratégicas, negociações preliminares, dados financeiros ou discussões jurídicas ainda não finalizadas. Se essas informações forem processadas fora das restrições previstas, o risco reputacional e jurídico para a empresa aumenta significativamente.
A falha na detecção de rótulos de sensibilidade
Outro aspecto crítico está relacionado à detecção de rótulos de sensibilidade. Organizações que utilizam classificação automática ou manual para marcar documentos e e-mails como “confidencial” ou “restrito” esperam que essas marcações sejam respeitadas por todos os sistemas integrados.
No caso do Microsoft 365 Copilot, a falha teria impedido o reconhecimento adequado desses rótulos em determinados cenários. Como resultado, conteúdos protegidos poderiam ser incluídos em análises e respostas geradas pela ferramenta.
Para equipes de segurança da informação, isso representa um desalinhamento entre governança e execução técnica. Políticas bem definidas perdem efetividade se não forem aplicadas de forma consistente em camadas automatizadas de IA.
A resposta da Microsoft e o status da correção
Segundo informações divulgadas no centro de mensagens administrativas, a Microsoft classificou o incidente como um erro de código e confirmou que a falha não estava relacionada a uma invasão externa, mas sim a um comportamento inesperado do sistema.
A empresa informou que a implementação da correção está em andamento e que o ambiente segue sendo monitorado. O objetivo é garantir que o Microsoft 365 Copilot respeite integralmente as políticas de Prevenção contra Perda de Dados e os rótulos de confidencialidade configurados pelas organizações.
Além disso, a Microsoft destacou que não há indícios de que dados tenham sido expostos a usuários não autorizados fora do escopo de permissões já existentes. Ainda assim, o episódio reforça a necessidade de validações contínuas em ambientes que utilizam inteligência artificial generativa.
Para administradores de sistemas, o momento é de revisão. Avaliar logs, revisar configurações de DLP e acompanhar comunicados oficiais torna-se essencial até que a correção esteja totalmente implementada.
Riscos para a privacidade corporativa na era da ia
O caso do Microsoft 365 Copilot evidencia um desafio crescente: como equilibrar produtividade impulsionada por IA com controles rígidos de privacidade e conformidade regulatória.
Ferramentas de IA corporativa operam com grande volume de dados e dependem de acesso contextual para entregar respostas relevantes. Quanto maior o acesso, maior o potencial de eficiência. Porém, esse mesmo acesso amplia a superfície de risco.
Em setores altamente regulados, como financeiro, saúde e jurídico, qualquer falha no cumprimento de políticas de Prevenção contra Perda de Dados pode resultar em sanções legais e multas. Além disso, a confiança interna dos colaboradores pode ser afetada se houver percepção de que dados sensíveis não estão devidamente protegidos.
Esse cenário reforça a importância de auditorias constantes, testes de conformidade e avaliações independentes de segurança em soluções de IA. Não basta confiar na arquitetura declarada pelo fornecedor. É preciso validar, monitorar e revisar continuamente.
Conclusão e o que as empresas devem fazer agora
O incidente CW1226324 serve como um alerta estratégico para empresas que utilizam o Microsoft 365 Copilot ou qualquer assistente de IA integrado a ambientes corporativos.
Embora a Microsoft já esteja implementando a correção, o episódio demonstra que nem mesmo soluções consolidadas estão imunes a falhas que impactam políticas de DLP e rótulos de sensibilidade.
Neste momento, as empresas devem:
- Revisar políticas de Prevenção contra Perda de Dados e validar sua aplicação prática.
- Monitorar comunicados oficiais e atualizações relacionadas ao Microsoft 365 Copilot.
- Realizar auditorias internas para verificar possíveis inconsistências no uso da ferramenta.
- Reforçar treinamentos sobre classificação e manuseio de informações sensíveis.
A adoção de IA corporativa é um caminho sem volta, mas precisa ser acompanhada de governança robusta e vigilância contínua. Produtividade não pode significar flexibilização involuntária da segurança.
