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A Copa do Mundo da Rússia de 2018 ficará marcada na história do futebol como aquela em que a tecnologia foi usada pela primeira vez nessa competição para ajudar a arbitragem a resolver lances polêmicos através do “VAR”, como é conhecido o assistente de vídeo-arbitragem em sua sigla em inglês.

Durante muitos anos, o debate foi intenso: de um lado, uma postura mais conservadora defendia que os erros faziam parte do futebol, e que parar o jogo para verificar numa tela se havia ou não uma falta dentro da área iria cortar o ritmo e tirar a graça e a emoção de uma decisão tomada numa fração de segundo usando a interpretação e o instinto do juiz.

Do outro, os adeptos da tecnologia consideravam inaceitável que os jogos pudessem ser definidos por erros humanos e injustiças criadas pela incapacidade do juiz ou dos bandeirinhas, deixando que enganos que poderiam ter sido evitados destruíssem os sonhos de nações e torcidas.
Dois lances marcantes de Copas do Mundo (curiosamente dois em jogos em que a Inglaterra enfrentava a Alemanha) representavam exemplos históricos da importância de resolver essas injustiças e implementar de maneira urgente o uso da tecnologia.

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A FIFA garante que o VAR tem sido um grande sucesso durante a Copa da Rússia

A que é considerada como a maior injustiça arbitral em Copas do Mundo aconteceu durante a final de 1966, entre Inglaterra e Alemanha Ocidental. Quando o placar marcava 3 a 2 para os ingleses, o britânico Geoff Hurst chutou para o gol. A bola bateu no travessão e quicou para baixo, fora do gol, mas perante a dúvida do juiz, o bandeirinha validou o lance. A decisão acabou com a possibilidade de empate para os alemães e garantiu o primeiro título mundial para o país criador do futebol.

44 anos depois, na Copa do Mundo de 2010, a injustiça mudou de lado: nas oitavas de final que em que a Inglaterra enfrentava dessa vez uma Alemanha reunificada, os ingleses perdiam por 2 a 1 quando Frank Lampard chutou de longe. A bola mais uma vez bateu no travessão no chão. Dessa vez ela entrou, mas nem o juiz e nem o bandeirinha validaram o gol e a Alemanha terminou ganhando por 4 a 1.

Afinal, se os tempos modernos mudaram tanto e a tecnologia está presente em praticamente todos os aspectos das nossas vidas, porque seria diferente com o futebol, especialmente quando outros esportes como tênis ou futebol americano vêm usando soluções tecnológicas para ajudar a arbitragem há vários anos?

O VAR é usado nas situações seguintes: para definir se um gol aconteceu ou não (apoiado pela tecnologia conhecida como “Olho de Falcão”, a mesma usada no tênis para saber se a bola entrou), para tirar dúvidas em caso de pênalti, em incidentes que envolvam cartão vermelho direto e para identificar jogadores que tenham participado em algum lance confuso.

Uma equipe de árbitros acompanha a partida em telas de vídeo e fica à disposição do juiz principal. Quando ocorre um incidente, o juiz consulta o VAR, ou o próprio VAR recomenda ao juiz através de um fone de ouvido rever a jogada. Em seguida, o VAR revisa a jogada nas telas, e faz uma recomendação ao juiz sobre a medida a ser tomada. O juiz principal, então, pode aplicar a recomendação dada pelo VAR ou consultar uma tela localizada ao lado do campo para logo tomar uma decisão final.

Se o uso (e muitas vezes a falta do uso) do VAR gerou reclamações por partes de vários times (incluído o do Brasil, que reclamou muito de um empurrão no gol da Suíça no empate por 1 a 1 em seu primeiro jogo da fase de grupos), a FIFA defendeu o VAR como tendo sido um grande sucesso durante a primeira fase.

Segundo o órgão máximo do futebol mundial, o VAR foi usado 355 vezes durante os 48 jogos da primeira fase da Copa da Rússia. Todos os 122 gols, assim como grande número de situações foram verificados, numa média de 6,9 usos por jogo. Das 335 verificações, 17 precisaram de uma análise mais aprofundada, e 14 delas tiveram de ser verificadas na tela pelo próprio juiz, enquanto o resto foram decididas diretamente pela equipe de vídeo. Ainda de acordo com a FIFA, em 95% dos casos as decisões iniciais do juiz tinham sido corretas, e o objetivo é que o uso do VAR possa levar esse número a um 99,3%.

Além da arbitragem

Mas o impacto da tecnologia no futebol não tem só a ver com a ajuda à arbitragem. Assim como outros esportes como o poker, que viu sua popularidade aumentar de maneira impressionante graças a sites de poker online como o 888Poker, ou a natação, no qual a criação de maiôs high-tech levou a numerosas quebras de recordes, o futebol viu a tecnologia revolucionar diferentes aspectos.

Se no poker a internet foi essencial para o aumento da popularidade de modalidades como Texas Hold’em e Omaha Hi-Lo, no futebol permitiu aumentar o alcance de clubes brasileiros ou europeus em terras distantes como a Ásia. O poker online fez com que surgissem novas estrelas do poker mundial, enquanto no futebol a internet permitiu que jogadores até então desconhecidos pudessem ser conhecidos por olheiros através de vídeos na internet.

A tecnologia também teve um grande impacto nos últimos anos nas formas de treinar, preparar e analisar os jogadores. Um dos exemplos mais conhecidos do uso da tecnologia para treinos é o equipamento usado pelo clube alemão Borussia Dortmund e conhecido como Footbonaut.

Usado para testar e melhorar reação, visão, precisão e habilidades, o Footbonaut consiste em uma jaula robótica de 14 metros na qual bolas de futebol são lançadas a diferentes velocidades e ângulos. Os jogadores têm que dominar a bola e, rapidamente, tocar ou chutar para um quadrado que se ilumina.

O sistema custa entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões, e está sendo usado também pela seleção do Catar como preparação para a Copa de 2022, na qual o time tem participação garantida por ser a sede.

Mais um uso da tecnologia para melhorar o futebol tem a ver com a análise de informações. Hoje em dia, jogadores podem ser seguidos em detalhe usando diferentes equipamentos que capturam dados, e os técnicos podem usar esses conhecimentos cada vez mais completos e precisos para tomar decisões, planejar a longo prazo e entender o porquê de diversos fatores do jogo.

Seja através do uso da tecnologia para reduzir os erros da arbitragem, ou para treinar ou analisar as performances dos jogadores, é um fato que a tecnologia já está mudando o mundo do futebol. Agora é só torcer para que as mudanças positivas sejam rapidamente observadas e a sensação que fique seja a de um esporte mais transparente, justo, desenvolvido e democrático.

Redação
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