A equipe de testes e qualidade do Projeto Fedora anunciou a disponibilidade da versão Candidate Beta-1.3 do Fedora 45. Embora o foco seja a validação de bugs antes do lançamento final, a nova compilação trouxe um marco importante para usuários de hardware baseado em arquitetura ARM: o sistema já pode ser instalado e inicializado com sucesso em notebooks equipados com os recentes chips Snapdragon X Elite.
O teste bem-sucedido foi relatado pelo desenvolvedor Hans de Goede na lista de e-mails oficial do projeto. Utilizando um Lenovo ThinkPad T14s Gen 6 (aarch64), ele confirmou o funcionamento da imagem Live do Fedora Workstation, incluindo o suporte à criptografia de disco. No entanto, o processo ainda exige intervenções manuais. A expectativa do desenvolvedor, porém, é que o Fedora 46 seja capaz de rodar nesses equipamentos de forma nativa, sem qualquer necessidade de contornos (workarounds).
O que isso muda na prática
Nos últimos anos, o mercado de PCs começou a adotar processadores baseados na arquitetura ARM (como a linha Snapdragon da Qualcomm), prometendo maior eficiência energética e baterias duradouras, num movimento semelhante ao que a Apple fez com seus chips da linha M.
Como esses processadores e as placas-mãe ao redor deles possuem especificidades técnicas muito diferentes dos tradicionais chips Intel e AMD (x86_64), instalar distribuições Linux nesses aparelhos ainda é um desafio. O avanço relatado no Fedora 45 Beta indica que a comunidade de desenvolvedores está muito próxima de oferecer uma experiência “plug and play” para quem deseja comprar um notebook Windows on ARM e substituir o sistema operacional pelo Linux.
Os desafios atuais e as soluções no Fedora 45

De acordo com a documentação oficial do Fedora para instalação em dispositivos Snapdragon (Windows on ARM), inicializar a versão Beta do sistema exige a adição de parâmetros específicos na linha de comando do Kernel Linux durante a tela do GRUB.
Para contornar problemas de compatibilidade e gerenciamento de energia nos chips Snapdragon X Elite e Plus, bem como na geração anterior 8cx Gen 3, os seguintes ajustes temporários são aplicados:
- Gerenciamento de clock (
clk_ignore_unused): Por padrão, o kernel desativa recursos de energia que não foram reivindicados por drivers. Como nem todos os drivers para a plataforma Snapdragon estão embutidos nativamente, isso pode desligar clocks essenciais e causar falha na inicialização. - Atraso no TPM (
systemd.tpm2_wait=0): O firmware EFI desses aparelhos indica a presença de um chip TPM2, fazendo o sistema aguardar até 45 segundos por um dispositivo que ainda não possui suporte adequado no kernel, gerando extrema lentidão no boot. O parâmetro desativa essa espera. - Firmware proprietário: Em muitos modelos, é necessário utilizar o script
qcom-firmware-extractlogo após a instalação para extrair firmwares específicos de GPU e DSP da partição original do Windows, garantindo o funcionamento completo dos componentes de hardware.
Em modelos mais antigos, como aqueles com Snapdragon 8cx Gen 3, também é necessário desativar a autenticação de ponteiro (arm64.nopauth) e os serviços de tempo de execução EFI (efi=noruntime) devido a conflitos com as BIOS atuais.
Inclusão na matriz de testes
Com os contornos bem documentados e a estabilidade das versões aarch64 melhorando, Hans de Goede sugeriu que a instalação do Fedora Workstation em notebooks ARM seja incluída como um caso de teste opcional (test-case) na matriz de qualidade de lançamentos da distribuição.
A consolidação de suporte nativo nesses hardwares na versão 46 representará um passo significativo não apenas para o Fedora, mas para o ecossistema Linux como um todo, facilitando a adoção de hardware de nova geração por desenvolvedores e entusiastas de código aberto.
Até lá, a versão Beta do Fedora 45 segue disponível para testes e validação da comunidade, com o lançamento da versão estável previsto para as próximas semanas.
