A Apple está preparando mais uma mudança importante em seu ecossistema de armazenamento. O Mac OS Extended (HFS+) criptografado, formato utilizado por muitos usuários de Mac para proteger discos externos e unidades de backup, deixará de receber suporte em futuras versões do sistema operacional, com a transição definitiva prevista para o macOS 28.
Embora o HFS+ tenha sido um dos pilares do macOS por décadas, a Apple vem substituindo gradualmente essa tecnologia pelo APFS (Apple File System), um sistema de arquivos desenvolvido para a era dos SSDs, armazenamento em nuvem e recursos modernos de segurança.
Neste artigo, você entenderá o que muda com o fim do suporte aos volumes HFS+ protegidos por criptografia, quais usuários serão afetados, como identificar seus discos, quais alternativas existem e como preparar suas unidades para evitar problemas de acesso aos dados no futuro.
O fim do suporte ao Mac OS Extended (HFS+) criptografado
O Mac OS Extended, também conhecido como HFS+ (Hierarchical File System Plus), foi o sistema de arquivos padrão dos computadores da Apple durante muitos anos. Ele substituiu o antigo HFS e acompanhou diversas gerações do macOS, desde os primeiros anos da plataforma até a chegada do APFS.
Com o lançamento do macOS High Sierra, a Apple iniciou uma grande mudança ao adotar o Apple File System (APFS) como padrão para novos dispositivos. O novo sistema trouxe melhorias importantes, como maior eficiência em unidades SSD, clonagem instantânea de arquivos, snapshots, melhor gerenciamento de espaço e criptografia integrada de forma mais moderna.
Agora, a empresa avança para a próxima etapa dessa transição: o encerramento do suporte aos volumes Mac OS Extended (HFS+) com criptografia ativa.
É importante destacar que essa mudança não significa o fim imediato do HFS+. Discos formatados em Mac OS Extended sem criptografia continuarão funcionando no macOS. A restrição anunciada está relacionada especificamente aos volumes que utilizam recursos de criptografia baseados na tecnologia antiga.
Na prática, usuários que possuem HDs externos, SSDs, pendrives ou unidades de backup configuradas como HFS+ criptografado precisarão migrar seus dados para um formato compatível com as próximas versões do sistema.

Cronograma e notificações no sistema
A Apple adotará uma abordagem gradual para reduzir o impacto da mudança.
A partir do macOS 26, o sistema começará a apresentar alertas preventivos para identificar volumes afetados. Essas notificações deverão informar o usuário sobre unidades específicas que utilizam o formato Mac OS Extended com criptografia, geralmente exibindo o nome do disco para facilitar a identificação.
O objetivo é permitir que usuários domésticos, profissionais de TI e administradores de sistemas tenham tempo suficiente para realizar a migração antes da chegada do macOS 28.
Essa estratégia segue o padrão adotado pela Apple em outras transições de tecnologia, onde recursos antigos continuam funcionando temporariamente enquanto a empresa incentiva a adoção de soluções mais recentes.
Para quem utiliza discos externos há vários anos, esse é o momento ideal para revisar backups antigos, bibliotecas de arquivos, unidades Time Machine antigas e mídias utilizadas para transporte de dados.
O impacto para usuários de Linux e sistemas mistos
A mudança também merece atenção de usuários que trabalham com ambientes mistos envolvendo macOS e Linux.
O HFS+ tradicional possui uma vantagem histórica: sua compatibilidade com outros sistemas é relativamente mais consolidada. Em distribuições Linux, existem ferramentas capazes de montar e acessar volumes HFS+, permitindo leitura e, em alguns casos, escrita nesses discos.
Já o cenário do APFS é mais complexo.
Embora existam projetos e ferramentas de terceiros para acessar volumes APFS no Linux, especialmente para leitura, o suporte ainda não possui o mesmo nível de maturidade encontrado no HFS+. Quando o volume está criptografado, a situação se torna ainda mais restrita, exigindo ferramentas específicas e conhecimento técnico adicional.
Para usuários que utilizam uma mesma unidade entre diferentes sistemas operacionais, a escolha do formato precisa considerar o equilíbrio entre segurança, desempenho e compatibilidade.
Em muitos casos, o APFS criptografado será a melhor escolha para quem trabalha exclusivamente dentro do ecossistema Apple. Porém, usuários que precisam conectar o mesmo disco em computadores com Linux, Windows e macOS podem considerar formatos como exFAT, que oferecem maior interoperabilidade.
Como verificar se seu disco será afetado
Antes de realizar qualquer migração, o primeiro passo é identificar quais unidades utilizam Mac OS Extended (HFS+) criptografado.
O procedimento pode ser feito usando o próprio macOS:
- Abra o aplicativo Utilitário de Disco.
- Clique em Visualizar na barra superior.
- Selecione Mostrar todos os dispositivos.
- Escolha o disco externo ou volume que deseja verificar.
- Analise as informações exibidas no painel lateral.
O usuário deve procurar indicações como:
- Mac OS Expandido (Criptografado);
- HFS+ criptografado;
- volumes baseados em CoreStorage Logical Volume.
Caso a unidade utilize uma dessas tecnologias, ela deverá ser preparada para a migração antes da chegada do macOS 28.
Antes de qualquer alteração, é essencial realizar um backup completo dos arquivos importantes. Mesmo processos projetados para preservar dados podem apresentar riscos em determinadas situações.
Como preparar suas unidades de armazenamento para o futuro
A migração pode ser feita basicamente de duas formas: convertendo o volume existente ou apagando completamente o disco e criando uma nova estrutura.
A escolha depende do volume de dados armazenados, da existência de backups e da necessidade de manter os arquivos atuais.
Método 1: Descriptografar e converter para APFS sem perder dados
A primeira alternativa é realizar a migração preservando os arquivos existentes.
O processo recomendado envolve:
- Conectar a unidade ao Mac.
- Abrir o Finder e localizar o disco.
- Remover a criptografia atual do volume.
- Aguardar a conclusão da descriptografia.
- Abrir o Utilitário de Disco.
- Selecionar o volume HFS+.
- Usar a opção Converter para APFS, quando disponível.
- Após a conversão, ativar novamente a criptografia utilizando o padrão APFS Criptografado.
Esse método é indicado para usuários que possuem muitos arquivos armazenados e desejam evitar uma cópia completa dos dados para outro dispositivo.
O tempo necessário pode variar bastante conforme a capacidade da unidade, velocidade do armazenamento e quantidade de arquivos existentes.
Método 2: Formatação completa do volume
A segunda alternativa é realizar uma instalação limpa do sistema de arquivos.
Esse procedimento remove todos os dados do disco e cria um novo volume diretamente em APFS.
O processo básico é:
- Fazer backup dos arquivos importantes.
- Abrir o Utilitário de Disco.
- Selecionar a unidade desejada.
- Escolher a opção Apagar.
- Definir APFS ou APFS Criptografado como formato.
- Confirmar a operação.
Após a conclusão, o disco estará preparado para as próximas versões do macOS.
Essa opção costuma ser recomendada para unidades antigas, discos utilizados apenas para backup ou dispositivos que podem ser reorganizados sem grande impacto.
Conclusão e próximos passos
O fim do suporte ao Mac OS Extended (HFS+) criptografado representa uma etapa natural da evolução do armazenamento no macOS. Depois de décadas como padrão, o HFS+ está sendo substituído definitivamente pelo APFS, uma tecnologia criada para atender às necessidades atuais de desempenho, segurança e gerenciamento de dados.
Usuários que ainda possuem discos externos protegidos com HFS+ e criptografia devem iniciar a verificação de suas unidades e planejar a migração antes das próximas grandes atualizações do sistema.
Além de evitar problemas futuros de compatibilidade, a mudança também é uma oportunidade para revisar estratégias de backup e organização dos dados.
