Fujitsu revela CPU Monaka de 2nm projetada para baratear inferência de IA

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
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IA corporativa e soberana!

A Fujitsu revelou o lançamento global da FUJITSU-MONAKA, uma CPU de próxima geração voltada especificamente para suportar cargas de trabalho em inteligência artificial. Desenvolvido e fabricado no Japão, o processador combina litografias de 2 nanômetros e 5 nanômetros em uma arquitetura empilhada (3D-stacked) e chegará ao mercado corporativo a partir de novembro de 2026, acompanhado pela nova linha de servidores Fujitsu MONAKA.

O movimento sinaliza uma aposta da fabricante em plataformas baseadas exclusivamente em CPUs para a etapa de inferência de IA (a execução de modelos já treinados), uma alternativa mais eficiente em termos de energia e espaço do que as infraestruturas tradicionalmente dependentes de GPUs de alto consumo.

O que significa “IA Soberana” na prática

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A Fujitsu utiliza intensamente o termo “infraestrutura de IA soberana” no lançamento do servidor MONAKA. No mercado corporativo e governamental atual, o conceito de soberania tecnológica significa ter controle total sobre onde e como os dados são processados, além de garantir a transparência da cadeia de suprimentos do hardware.

Ao fabricar os servidores na planta de Kasashima, no Japão, a empresa promete rastreabilidade completa dos componentes. Para entidades do setor de defesa, governo, telecomunicações e finanças corporativas, isso reduz o risco geopolítico associado à importação de infraestruturas críticas (caixas-pretas) de fornecedores estrangeiros e minimiza as chances de interceptação ou vulnerabilidades de hardware inseridas na cadeia logística.

Especificações da CPU: arquitetura mista e segurança em hardware

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Sob o capô, a FUJITSU-MONAKA adota uma abordagem de design híbrido (chiplets). O núcleo principal da CPU utiliza um processo de fabricação de ponta de 2nm, enquanto as seções de cache e entrada/saída (I/O) utilizam um processo de 5nm. Segundo a fabricante, essa divisão reduz custos de produção sem sacrificar o desempenho nas áreas críticas.

Entre os principais dados técnicos confirmados para o processador, estão:

  • Frequência máxima: 3.8GHz.
  • Velocidade de transferência de memória: 8800MT/s.
  • Instruções dedicadas: Aceleração em hardware para operações de matriz, complementada por operações vetoriais SVE2.
  • Computação confidencial: Suporte ao Arm CCA (Confidential Computing Architecture), que criptografa os dados em uso diretamente na memória, impedindo que hypervisores ou sistemas operacionais com privilégios comprometidos acessem informações sensíveis.

A Fujitsu afirma que o trabalho conjunto de hardware dedicado e otimização de software permite que a MONAKA entregue o dobro do throughput em inferência de IA quando comparada a outras CPUs não especificadas, permitindo que as empresas reduzam pela metade a quantidade de servidores necessários para o mesmo volume de processamento.

Servidores MONAKA e o gerenciamento de memória com CXL

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Acompanhando a CPU, a nova linha de servidores Fujitsu MONAKA Server será oferecida em formatos rack-mount de 1U (suportando uma ou duas CPUs) e 2U (duas CPUs).

O grande destaque técnico da estrutura de 1U é a adoção nativa do padrão CDI/CXL (Compute Express Link). Em fluxos de IA, o gargalo não costuma ser apenas o processamento, mas a falta de memória de alta velocidade. O CXL permite desacoplar a memória da limitação física da placa-mãe do servidor, permitindo que a infraestrutura aloque dinamicamente pools de memória adicionais conforme a exigência do modelo de IA aumenta, maximizando a taxa de utilização dos recursos.

Além disso, a engenharia térmica dos servidores permite operações em temperaturas ambientes de até 40°C (resfriamento a ar) ou com água de refrigeração a até 45°C. Essa tolerância térmica superior significa que os equipamentos podem operar em data centers convencionais sem a necessidade de investir pesadamente em infraestruturas isoladas e ultrarrefrigeradas, uma característica que a Fujitsu estima reduzir em até 80% o consumo elétrico associado à refrigeração.

Disponibilidade

As vendas dos servidores MONAKA nas configurações 1U e 2U focadas em agentes de IA e inferência iniciarão em novembro de 2026, inicialmente para o Japão e a Europa. Modelos multinode (com 2 CPUs por nó, em um total de 4 nós) também serão oferecidos na mesma data, focando nos setores acadêmico e de computação de alto desempenho (HPC) que rodam modelos de análise de fluidos e afins.

O envio comercial aos clientes finais começará de forma escalonada a partir de abril de 2027. Para o último trimestre do ano fiscal de 2026, a Fujitsu planeja começar a fornecer a CPU FUJITSU-MONAKA como um produto standalone para operadores globais de nuvem e de data centers, abrangendo regiões como Estados Unidos e APAC.

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Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre GNU/Linux, Software Livre e Código Aberto, dedica-se a descomplicar o universo tecnológico para entusiastas e profissionais. Seu foco é em notícias, tutoriais e análises aprofundadas, promovendo o conhecimento e a liberdade digital no Brasil.