- A migração do Gentoo para o Codeberg marca o início da saída estrutural do projeto da plataforma do GitHub.
- Com o Gentoo no Codeberg, a infraestrutura passa a rodar sobre o Forgejo, gerenciado por uma fundação sem fins lucrativos na Alemanha.
- O novo fluxo de trabalho do Gentoo no Codeberg adota o modelo AGit, que elimina a necessidade técnica de manter forks pessoais dos repositórios.
- Os mantenedores podem agora abrir e atualizar pull requests diretamente via linha de comando, tornando o desenvolvimento do Gentoo no Codeberg mais rápido e limpo.
- A migração do Gentoo para o Codeberg é uma resposta direta da comunidade FOSS contra a raspagem não consensual de código para treinamento de IAs comerciais.
O Gentoo é uma distribuição Linux voltada para usuários avançados, famosa por exigir a compilação de todo o sistema operacional e seus pacotes a partir do código-fonte, permitindo extrema otimização de hardware. O anúncio de hoje não é um patch de software, mas uma mudança sísmica na infraestrutura de desenvolvimento do projeto: a saída do GitHub rumo ao Codeberg.
Principais novidades
A organização oficializou o Codeberg como a nova casa para seus repositórios e recebimento de contribuições. O Codeberg é uma plataforma de hospedagem baseada no software livre Forgejo, mantida por uma organização sem fins lucrativos sediada em Berlim, na Alemanha.
A maior inovação técnica para os mantenedores e colaboradores é a adoção do modelo AGit para o envio de pull requests (PRs). Na prática, isso elimina a antiga obrigatoriedade de criar e sincronizar um “fork” (uma cópia completa do repositório) na conta pessoal do usuário. O código agora é empurrado diretamente para referências ocultas no repositório principal, economizando muito espaço em disco e simplificando a colaboração no massivo repositório gentoo.git.
Impacto e repercussão

Esta mudança, inicialmente citada no relatório de revisão de final de ano de 2025 do projeto, faz parte de uma migração gradual para longe da plataforma da Microsoft. Em discussões em painéis agregadores como Hacker News e comunidades dedicadas ao software livre, a decisão tem sido amplamente celebrada pelos desenvolvedores.
O movimento reflete a crescente insatisfação de projetos puristas de código aberto com o GitHub, motivada principalmente pela raspagem massiva e não consensual de código público para o treinamento de modelos de inteligência artificial comercial, como o GitHub Copilot. A escolha do Codeberg garante que o código do Gentoo fique em uma infraestrutura alinhada à ética do software livre e fora da esteira de dados de grandes corporações.
Resumo técnico
O novo fluxo de trabalho via linha de comando para envio de código ficou definido da seguinte forma:
- O clone inicial agora é feito direto da fonte upstream oficial:
git clone git@git.gentoo.org:repo/gentoo.git. - Adiciona-se o novo remote SSH apontando para o Codeberg:
git remote add codeberg ssh://git@codeberg.org/gentoo/gentoo. - A abertura da pull request ocorre automaticamente via CLI no momento do push, sem depender de cliques na interface web:
git push codeberg HEAD:refs/for/master -o topic="nome-do-seu-patch". - Para aplicar atualizações (amend) nos commits da mesma PR, basta adicionar a flag do AGit:
-o force-push=trueno final do comando de push.
Disponibilidade
O repositório espelho principal já está completamente ativo no novo endereço da organização (codeberg.org/gentoo/gentoo) e pronto para receber pull requests da comunidade via AGit. A equipe de desenvolvimento do Gentoo esclarece que esta é uma transição progressiva. O repositório no GitHub não será abandonado do dia para a noite, mas todos os outros repositórios secundários da distribuição migrarão exclusivamente para o Codeberg ao longo dos próximos meses.
