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IBM quer usar tecnologia no combate à violência digital

Problema extrapola ambiente doméstico.

IBM quer usar tecnologia no combate à violência digital
Imagem: Shutterstock

A gigante IBM quer que a tecnologia seja capaz de ajudar no combate à violência digital. Em especial, a empresa destaca ataques feitos às mulheres neste período de pandemia e isolamento social. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve um aumento de 45% nos casos de violência contra mulheres em relação a 2019. Isso leva em conta somente números em que a polícia foi acionada.

Como se não bastasse a violência física, muitos agressores se aproveitam do anonimato e passaram a usar também computadores, smartphones ou aplicativos para outros tipos de maus-tratos usando a tecnologia. É a inovação usada para o mal, prejudicando milhares de pessoas com ataques e ameaças covardes. Em resposta a esse problema, a IBM propõe novas formas de desenvolver tecnologia para combater esse tipo de abuso, que vem aumentando nos últimos meses.

O diretor de Relações Governamentais da IBM Fabio Rua desenvolveu um artigo em que apresenta os “Cinco princípios de design de tecnologia para combater o abuso doméstico”, publicado pelo IBM Policy Lab, para tornar a tecnologia resistente ao controle coercitivo.

IBM quer usar tecnologia no combate à violência digital

IBM quer usar tecnologia no combate à violência digital

Segundo Fábio, a tecnologia está sendo usada contra as mulheres, especialmente. Ele afirma que os abusadores usam a tecnologia como armas para exercer controle sobre suas vítimas.

Esse armamento de tecnologia é frequente particularmente no abuso doméstico, especialmente o controle coercitivo – um padrão implacável de controle de comportamento que visa causar medo e submissão na vítima.

Não é um problema exclusivo do Brasil, claro. Segundo a ONU, na América Latina, 1 a cada 3 mulheres em média já sofreu violência ao longo de sua vida. A cada ano, cerca de 20 milhões de mulheres e meninas sofrem violência na região. É ainda mais preocupante o que mostrou um relatório recente da ONU que analisou o impacto da COVID-19 em mulheres, e destacou uma tendência de aumento de abuso à medida que os lares são colocados sob a tensão do auto isolamento e do lockdown.

Isso já tomou uma proporção tão grande que o chefe da ONU António Guterres está cobrando medidas enérgicas para resolver o “horrível aumento global da violência doméstica”.

O uso desse assédio e violência inclui, por exemplo, os aplicativos de cartão de crédito. Como se sabe, eles fornecem notificações de compra para ajudar a combater fraudes. Entretanto, seu uso pode aumentar o controle sobre as vítimas com detalhes do que estão gastando sendo constantemente monitorados.

5 princípios para combater o abuso doméstico relacionado a tecnologia

Os abusos facilitados pela tecnologia são um problema desafiador, e não há uma solução simples para eliminá-lo. Para ajudar os tecnólogos a tomar decisões, a IBM está propondo cinco princípios fundamentais para fazer produtos resistentes a qualquer tipo de controle coercitivo.

Compartilhando esses princípios, a IBM visa melhorar a usabilidade, segurança e privacidade das novas tecnologias para torná-las mais seguras. Nós recomendamos que isso se torne uma parte integral de qualquer revisão de design de produto. Enquanto esses princípios talvez sejam familiares para os tecnólogos, eles assumem um significado adicional quando olhados através das lentes do controle coercitivo.

Os cinco princípios de design são:

  1. Promover diversidade, assim os designers de tecnologia irão considerar todos os potenciais usuários de tecnologia;
  2. Garantir privacidade e escolha para que os usuários possam tomar decisões informadas sobre suas configurações de privacidade e garantir que seus dados não sejam compartilhados;
  3. Combater a manipulação para que haja um registro digital de evidências e os agressores não possam manipular as vítimas, colocando dúvida em relação a suas memórias;
  4. Fortalecer a segurança e os dados para que os usuários da tecnologia tenham controle conjunto, apenas coletando e compartilhando informações necessárias;
  5. Fazer com que a tecnologia seja mais intuitiva para que as vítimas possam navegar pela tecnologia mais facilmente.

Porém, se formos observar, esse assédio e abusos extrapolam o ambiente doméstico ou a relação marido/mulher.

Alguns exemplos seriam entre cuidadores e vulneráveis, idosos ou deficientes, dentro das instituições e até no local de trabalho. Nossos cinco princípios de design se aplicariam igualmente a tecnologias criadas para todas essas situações.

O número de dispositivos conectados à internet pode chegar a 125 bilhões até 2030. À medida que esses dispositivos se tornam mais prevalentes, os abusadores terão mais ferramentas para manipular suas vítimas. É essencial que protejamos as novas tecnologias com recursos contra abusos, desde sua criação, para que os abusadores não consigam usar suas ferramentas para prejudicar a vítima.

Portanto, é mais do que bem-vinda a iniciativa da IBM ao querer usar a tecnologia no combate à violência digital. É um passo fundamental para tornar o mundo digital mais seguro para todos nós.

Para mais informações, veja o artigo completo do IBM Policy Lab: https://www.ibm.com/blogs/policy/design-principles-to-combat-domestic-abuse/

Escrito por Claylson Martins

Jornalista com pós graduações em Economia, Jornalismo Digital e Radiodifusão. Nas horas não muito vagas, professor, fotógrafo, apaixonado por rádio e natureza.