Kernel Linux 7.0: conectividade de ponta para Google Pixel, Macs e telas 8k

Conectividade de ponta: kernel linux 7.0 habilita hdmi 8k e suporte oficial ao google pixel!

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
  • Alta resolução: o driver rockchip samsung-hdptx agora suporta frl (fixed rate link), liberando a largura de banda necessária para hdmi 2.1 e vídeos em 8k ou 4k a 120hz.
  • Google e apple: novos drivers trazem suporte nativo para o usb phy do google tensor (usado nos smartphones pixel) e melhoram a estabilidade do usb-c em macs com apple silicon.
  • Correção via software: engenheiros agora podem inverter a polaridade de sinais (rx/tx) diretamente pela árvore de dispositivos, corrigindo erros de design físico da placa sem precisar de solda.
  • Precisão de clock: o subsistema migrou da função antiga de arredondamento para a nova determine_rate(), garantindo a estabilidade necessária para conexões sensíveis como pcie gen4.
  • Ecossistema risc-v: a atualização inclui suporte para o phy pcie/combo e usb2 do soc spacemit k1, ampliando a compatibilidade do linux com a arquitetura risc-v.

Linus Torvalds confirmou a integração das atualizações do subsistema PHY para o kernel linux 7.0. Enviado pelo mantenedor Vinod Koul, este pacote de drivers é essencial para o funcionamento físico das conexões de hardware. O PHY (camada física) atua como o tradutor elétrico entre o processador e as portas externas, como USB, HDMI e PCIe. A atualização traz suporte oficial para chips da Google e Apple, além de habilitar tecnologias de vídeo de ultra-alta definição.

Para o iniciante: o que é PHY e por que isso importa?

Imagine que o processador do seu computador é um “cérebro” que pensa em velocidade digital ultra-rápida, mas as portas USB, HDMI e de rede falam uma linguagem elétrica diferente, baseada em voltagem e sinais analógicos. O driver PHY funciona como um “tradutor universal” entre esses dois mundos.

Sem essa atualização no kernel, mesmo que você instale o Linux em um celular Google Pixel ou em um Mac moderno, as portas USB poderiam não funcionar para carregar a bateria ou transferir dados, simplesmente porque o sistema não saberia “falar” com a porta física. Essa novidade garante que o Linux entenda a linguagem elétrica desses novos aparelhos, permitindo que cabos e monitores funcionem logo ao conectar.

O que muda na prática: antes e depois

A atualização do kernel 7.0 não traz apenas suporte a novos dispositivos, mas muda a forma como o sistema lida com sinais elétricos e clocks. Veja o comparativo das principais melhorias técnicas:

RecursoComo era antes (kernel 6.x)Como fica no kernel 7.0
Inversão de sinalSe uma trilha na placa de circuito fosse desenhada invertida, exigia revisão física do hardware ou correções complexas.Correção via software: novas propriedades permitem inverter o sinal diretamente pela árvore de dispositivos, salvando projetos de hardware.
Vídeo HDMI (Rockchip)Limitado ao padrão TMDS, restringindo a largura de banda e resoluções máximas (geralmente 4K a 60Hz).Suporte a FRL: habilita as velocidades do HDMI 2.1, permitindo resoluções 8K ou 4K a 120Hz sem compressão visual.
Precisão de clockUsava funções de arredondamento, podendo causar instabilidade em conexões sensíveis de alta velocidade.Precisão exata: nova função de determinação de taxa oferece estabilidade total para PCIe Gen4 e USB 3.0.
Google TensorSuporte inexistente ou experimental fora da árvore principal.Suporte nativo: driver inicial para o PHY USB do SoC Google Tensor, usado nos celulares Pixel.

Gigantes móveis e a era do 8k

A atualização é um marco para a execução de Linux em hardware de consumo proprietário. O suporte ao PHY USB do Google Tensor abre portas para que distribuições Linux rodem nativamente em smartphones Pixel com funcionalidade plena de dados e carregamento. Simultaneamente, usuários de Macs com Apple Silicon ganham drivers para o PHY USB Type-C, melhorando a negociação de energia e a estabilidade de periféricos.

Para o mundo multimídia, a inclusão do FRL (Fixed Rate Link) no driver Rockchip/Samsung é a grande novidade. Diferente do antigo TMDS, que transmitia dados de forma síncrona com o clock, o FRL funciona como uma rede de dados de pacotes, multiplicando a largura de banda disponível. Isso transforma placas de desenvolvimento baseadas em Rockchip em centrais de mídia capazes de entregar vídeo 8K real.

Status de lançamento e disponibilidade

Este conjunto de alterações já foi aprovado e mesclado por Linus Torvalds na árvore principal (mainline) no dia 17 de fevereiro de 2026.

O código está atualmente integrado ao kernel 7.0-rc1 (primeiro candidato a lançamento). O driver passará por cerca de 7 a 8 semanas de testes intensivos e correções de bugs durante o ciclo de desenvolvimento. A versão estável final do kernel linux 7.0 deve ser lançada para o público geral em meados de maio de 2026. Usuários de distribuições de atualização contínua (como Arch Linux) receberão a novidade pouco tempo depois, enquanto distros de ciclo fixo (como Ubuntu e Fedora) adotarão a versão em seus lançamentos de final de ano.

Compartilhe este artigo
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre GNU/Linux, Software Livre e Código Aberto, dedica-se a descomplicar o universo tecnológico para entusiastas e profissionais. Seu foco é em notícias, tutoriais e análises aprofundadas, promovendo o conhecimento e a liberdade digital no Brasil.