- Alta resolução: o driver rockchip samsung-hdptx agora suporta frl (fixed rate link), liberando a largura de banda necessária para hdmi 2.1 e vídeos em 8k ou 4k a 120hz.
- Google e apple: novos drivers trazem suporte nativo para o usb phy do google tensor (usado nos smartphones pixel) e melhoram a estabilidade do usb-c em macs com apple silicon.
- Correção via software: engenheiros agora podem inverter a polaridade de sinais (rx/tx) diretamente pela árvore de dispositivos, corrigindo erros de design físico da placa sem precisar de solda.
- Precisão de clock: o subsistema migrou da função antiga de arredondamento para a nova determine_rate(), garantindo a estabilidade necessária para conexões sensíveis como pcie gen4.
- Ecossistema risc-v: a atualização inclui suporte para o phy pcie/combo e usb2 do soc spacemit k1, ampliando a compatibilidade do linux com a arquitetura risc-v.
Linus Torvalds confirmou a integração das atualizações do subsistema PHY para o kernel linux 7.0. Enviado pelo mantenedor Vinod Koul, este pacote de drivers é essencial para o funcionamento físico das conexões de hardware. O PHY (camada física) atua como o tradutor elétrico entre o processador e as portas externas, como USB, HDMI e PCIe. A atualização traz suporte oficial para chips da Google e Apple, além de habilitar tecnologias de vídeo de ultra-alta definição.
Para o iniciante: o que é PHY e por que isso importa?
Imagine que o processador do seu computador é um “cérebro” que pensa em velocidade digital ultra-rápida, mas as portas USB, HDMI e de rede falam uma linguagem elétrica diferente, baseada em voltagem e sinais analógicos. O driver PHY funciona como um “tradutor universal” entre esses dois mundos.
Sem essa atualização no kernel, mesmo que você instale o Linux em um celular Google Pixel ou em um Mac moderno, as portas USB poderiam não funcionar para carregar a bateria ou transferir dados, simplesmente porque o sistema não saberia “falar” com a porta física. Essa novidade garante que o Linux entenda a linguagem elétrica desses novos aparelhos, permitindo que cabos e monitores funcionem logo ao conectar.
O que muda na prática: antes e depois
A atualização do kernel 7.0 não traz apenas suporte a novos dispositivos, mas muda a forma como o sistema lida com sinais elétricos e clocks. Veja o comparativo das principais melhorias técnicas:
| Recurso | Como era antes (kernel 6.x) | Como fica no kernel 7.0 |
| Inversão de sinal | Se uma trilha na placa de circuito fosse desenhada invertida, exigia revisão física do hardware ou correções complexas. | Correção via software: novas propriedades permitem inverter o sinal diretamente pela árvore de dispositivos, salvando projetos de hardware. |
| Vídeo HDMI (Rockchip) | Limitado ao padrão TMDS, restringindo a largura de banda e resoluções máximas (geralmente 4K a 60Hz). | Suporte a FRL: habilita as velocidades do HDMI 2.1, permitindo resoluções 8K ou 4K a 120Hz sem compressão visual. |
| Precisão de clock | Usava funções de arredondamento, podendo causar instabilidade em conexões sensíveis de alta velocidade. | Precisão exata: nova função de determinação de taxa oferece estabilidade total para PCIe Gen4 e USB 3.0. |
| Google Tensor | Suporte inexistente ou experimental fora da árvore principal. | Suporte nativo: driver inicial para o PHY USB do SoC Google Tensor, usado nos celulares Pixel. |
Gigantes móveis e a era do 8k
A atualização é um marco para a execução de Linux em hardware de consumo proprietário. O suporte ao PHY USB do Google Tensor abre portas para que distribuições Linux rodem nativamente em smartphones Pixel com funcionalidade plena de dados e carregamento. Simultaneamente, usuários de Macs com Apple Silicon ganham drivers para o PHY USB Type-C, melhorando a negociação de energia e a estabilidade de periféricos.
Para o mundo multimídia, a inclusão do FRL (Fixed Rate Link) no driver Rockchip/Samsung é a grande novidade. Diferente do antigo TMDS, que transmitia dados de forma síncrona com o clock, o FRL funciona como uma rede de dados de pacotes, multiplicando a largura de banda disponível. Isso transforma placas de desenvolvimento baseadas em Rockchip em centrais de mídia capazes de entregar vídeo 8K real.
Status de lançamento e disponibilidade
Este conjunto de alterações já foi aprovado e mesclado por Linus Torvalds na árvore principal (mainline) no dia 17 de fevereiro de 2026.
O código está atualmente integrado ao kernel 7.0-rc1 (primeiro candidato a lançamento). O driver passará por cerca de 7 a 8 semanas de testes intensivos e correções de bugs durante o ciclo de desenvolvimento. A versão estável final do kernel linux 7.0 deve ser lançada para o público geral em meados de maio de 2026. Usuários de distribuições de atualização contínua (como Arch Linux) receberão a novidade pouco tempo depois, enquanto distros de ciclo fixo (como Ubuntu e Fedora) adotarão a versão em seus lançamentos de final de ano.
