- O Kernel Linux 7.0-rc1 introduz suporte oficial ao Wiko Pulp 4G, permitindo o uso de sistemas modernos sem patches externos.
- A atualização habilita componentes críticos como a GPU Adreno, Wi-Fi, Bluetooth e diversos sensores industriais via I2C.
- O trabalho de Paul Adam integra o dispositivo à árvore principal (mainline), facilitando a instalação do postmarketOS.
- Discussões na LKML refinaram a estrutura do Device Tree e debateram a identidade comercial da fabricante Wiko.
- Usuários poderão usufruir destas melhorias na versão estável do Kernel Linux 7.0 prevista para os próximos meses.
O desenvolvedor Paul Adam submeteu uma série de patches que introduz o suporte inicial ao smartphone Wiko Pulp 4G diretamente na árvore principal do Kernel Linux 7.0-rc1. A atualização adiciona os arquivos de árvore de dispositivos (Device Tree) necessários para que o sistema operacional reconheça e gerencie os componentes internos do hardware, que é baseado na plataforma Qualcomm Snapdragon 410 (MSM8916).
A inclusão é um passo fundamental para o suporte de longo prazo ao dispositivo, permitindo que distribuições focadas em dispositivos móveis, como o postmarketOS, rodem versões recentes do Kernel Linux sem a necessidade de manter patches externos complexos. O suporte abrange desde funções básicas de interface até aceleração gráfica e conectividade sem fio.
A chegada deste suporte é um marco importante para projetos como o postmarketOS, que recentemente celebrou o lançamento da versão v25.06 com a integração do systemd, aproximando ainda mais o hardware móvel da experiência de desktop tradicional.
O que isso significa na prática
Para o usuário final e entusiastas de sistemas móveis alternativos, a mudança impacta diretamente a longevidade do aparelho. Antes, rodar uma versão moderna do Kernel Linux em um Wiko Pulp 4G resultaria em um hardware “cego”, sem reconhecimento de tela, sensores ou rede. Agora, com a integração oficial, o dispositivo ganha suporte a quase todos os seus periféricos essenciais, permitindo que ele funcione como um computador de bolso funcional com software atualizado e seguro.
Detalhes da implementação
A implementação técnica foca no arquivo msm8916-wiko-chuppito.dts, que descreve a topologia do hardware para o kernel. A mudança impacta diversos subsistemas do Kernel Linux 7.0-rc1, garantindo que os drivers corretos sejam carregados para cada componente.
Abaixo, os componentes de hardware que agora possuem suporte oficial:
| Componente | Driver/Subsistema | Status no Patch |
| Processador e GPU | Qualcomm MSM8916 / Adreno | Operacional |
| Armazenamento | eMMC e MicroSD (SDHC) | Operacional |
| Tela e Brilho | PWM Backlight | Operacional |
| Touchscreen | Synaptics RMI4 (I2C) | Operacional |
| Sensores (Acel./Mag./Prox.) | IIO (Invensense/Asahi Kasei) | Operacional |
| Conectividade | WCNSS (WiFi/Bluetooth) | Operacional |
| Áudio | PM8916 Codec (Earpiece/Mic/Jack) | Operacional |
Curiosidades e bastidores da discussão
A troca de e-mails na LKML revelou um debate interessante sobre a identidade da fabricante Wiko. Inicialmente, o patch descrevia a Wiko como uma empresa francesa, mas revisores como Krzysztof Kozlowski apontaram que, embora a sede seja na França, a infraestrutura técnica e o controle acionário estão fortemente ligados à Tinno e a entidades chinesas (Wuke Terminal Technology). Paul Adam defendeu a manutenção do prefixo como “francês” por ser a origem comercial do aparelho específico.
No campo técnico, os mantenedores do subsistema Qualcomm solicitaram ajustes finos na organização dos nós do Device Tree. Houve discussões sobre a nomenclatura correta do nó da tela sensível ao toque e a limpeza de propriedades redundantes nos drivers de reguladores de energia. Essas correções garantem que o código siga os padrões rigorosos de qualidade exigidos para o mainline.
Quando isso chega no meu PC?
Como o suporte foi introduzido no ciclo do Kernel Linux 7.0-rc1, a versão estável deve ser lançada em aproximadamente dois meses, seguindo o cronograma tradicional de desenvolvimento. Após o lançamento oficial da versão 7.0, a novidade começará a aparecer em kernels customizados para dispositivos móveis e, eventualmente, em versões estáveis de distribuições Linux ARM.
