- O patch adiciona suporte inicial para tablets Samsung Galaxy Tab 2 de 7 e 10 polegadas no Kernel Linux 7.0.
- A mudança permite rodar sistemas Linux modernos em hardware antigo, removendo a dependência de Kernels Android defasados.
- A autoria é do desenvolvedor Mithil Bavishi, focada na arquitetura TI OMAP4430 e organização modular de Device Trees.
- O suporte abrange componentes críticos como gerenciamento de energia (PMIC), Wi-Fi, Bluetooth e sensores.
- A disponibilidade real para usuários finais em distribuições ARM deve ocorrer no final do primeiro semestre de 2026.
O desenvolvedor Mithil Bavishi enviou a sexta versão de uma série de patches que introduz o suporte inicial para a série de tablets Samsung Galaxy Tab 2 na árvore principal do Kernel Linux 7.0. A mudança impacta seis variantes dos dispositivos (P3100, P3110, P3113, P5100, P5110, P5113), abrangendo os modelos de 7 e 10 polegadas. O ganho imediato para a comunidade é a possibilidade de rodar um sistema Linux moderno e “limpo” (mainline) nesses dispositivos antigos, garantindo sobrevida ao hardware e maior controle sobre a privacidade e o desempenho.
O que isso significa na prática
Para quem tem um Galaxy Tab 2 guardado na gaveta, este patch é o primeiro passo para transformar o tablet em algo útil novamente, como um painel de automação residencial ou um pequeno servidor. Antes, era necessário depender de Kernels Android antigos e cheios de modificações proprietárias. Agora, com o Kernel Linux 7.0, o suporte básico para tela, toque, Wi-Fi, Bluetooth e sensores está sendo padronizado, permitindo que distribuições Linux genéricas funcionem sem “gambiarras” extremas.
Detalhes da implementação
A série de patches é extensa e foca na organização do Árvore de Dispositivos (Device Tree). Mithil Bavishi optou por uma abordagem modular: criou um arquivo comum (omap4-samsung-espresso-common.dtsi) para compartilhar as semelhanças da plataforma Texas Instruments OMAP4430 e separou as especificidades de hardware em arquivos dedicados para os modelos de 7 polegadas (espresso7) e 10 polegadas (espresso10).
Entre os subsistemas afetados e componentes suportados estão:
- PMIC (Gerenciamento de Energia): Adição de suporte ao chip TWL6032 (Phoenix Lite).
- Display: Suporte aos painéis Samsung LTN070NL01 (7″) e LTN101AL03 (10″) via bridge LVDS.
- Entrada: Controladores de toque Melfas MMS136 e Synaptics RMI4.
- Conectividade: Chips Broadcom BCM4330 para Wi-Fi e Bluetooth.
- Sensores: Acelerômetro Bosch BMA254 e magnetômetro Yamaha YAS530.
Curiosidades e bastidores da discussão
A discussão na LKML destaca o desafio de categorizar dispositivos que o fabricante (Samsung) separou por conectividade (3G vs WiFi), mas que o Kernel Linux enxerga de forma diferente devido aos componentes físicos. Bavishi decidiu ignorar as categorias de marketing da Samsung e focar no tamanho da tela, já que os modelos de 7″ e 10″ usam baterias, telas e controladores de toque completamente distintos.
Um detalhe técnico curioso na v6 foi a remoção das referências ao WAKEUP_EN. Os drivers atuais do Kernel Linux ainda não suportam a propriedade interrupts-extended para esse recurso específico, o que forçou o desenvolvedor a simplificar o código para garantir a aceitação dos mantenedores.
Quando isso chega no meu PC?
Como os patches já estão em sua sexta revisão e apresentam um código maduro, a expectativa é que sejam fundidos na branch principal durante o ciclo do Kernel Linux 7.0. Usuários de distribuições como PostmarketOS ou Arch Linux ARM poderão ver esses kernels disponíveis em suas árvores estáveis no final do primeiro semestre de 2026.
